terça-feira, 19 de outubro de 2010
O Segredo de seus Olhos
O Segredo de Seus Olhos é um filme argentino de 2009, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro. E não é pra menos. O longa não possui grandes momentos complexos e cheios de ação, mas impressiona pela simplicidade e intensidade dos sentimentos que envolvem os personagens. A trama conta a história de Benjamin Esposito (Ricardo Darin), oficial de justiça que decide escrever um romance sobre um estupro seguido de assassinato ocorrido há 25 anos. Esposito atuou na solução do crime, mas não conseguiu prender o acusado e agora busca reviver o passado para solucionar o crime. Ao mesmo tempo, ele descobre estar apaixonado por Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), que atuou com ele no caso, mas que já é casada e com filhos.
O grande tema da produção é mostrar as relações e arrependimentos que envolvem os atos e memórias do passado. A aposentadoria e a solidão dominam a vida de Esposito que sente incompleto e também percebe que deixou seus sentimentos mais verdadeiros para trás passando a conviver com um arrependimento perturbador e continuamente. Assim, ele procura reviver o passado, por mais que seja doloroso e impossível de ser modificado, como a única forma de enxergar algum tipo de futuro. Para isso, ele volta a se relacionar com os antigos personagens de sua vida como Ricardo Morales (Pablo Rago), ex-marido da mulher assassinada, e Irene, em busca de seu amor. O que torna a produção ainda mais interessante é o fato de se alternar momentos de seu presente com todas as mágoas mais marcantes que explicam seu passado até que consigamos entender Esposito por completo. E como seu amigo Sandoval (Guilhermo Francella) diz em certo momento do filme: “um homem pode mudar de tudo, de família, de mulher, de religião, de Deus. Só não pode mudar de paixão”. A frase, que na verdade remete à paixão do assassino pelo time de futebol do Racing (momento com grande ligação com os brasileiros também), é o grande resumo dos sonhos e anseios de Esposito.
Equipe do filme na cerimônia de entrega do Oscar
Ganha destaque no filme as excelentes atuações de todos os atores. Com grande expressão verbal, especialmente focado no que os olhos podem transmitir. Além das lamentações e arrependimentos, o diretor Juan José Campanella também consegue trazer momentos de romance e até mesmo humor e descontração. Seu trabalho é fortemente baseado na força dos diálogos e das atuações. Mas isso não impede que ocorram situações de ação com uma acirrada perseguição ao assassino dentro do estádio de futebol. Aliás é com essa sequência que Campanella mostra enorme talento com um planos de câmera ágeis e eficientes. Também é comum que haja o foco em uma determinada expressão de um personagem com o fundo desfocado. E isso sem que exista necessariamente aproximação da câmera com o rosto do ator. Além de uma bela montagem com alternância entre o presente e o passado, também merece elogios a boa produção que envelhece de forma convincente o personagem de Darin. Em outras palavras, O Segredo de Seus Olhos é um filme imperdível, capaz de emocionar e mexer fortemente com os espectadores.
Confira o trailer:
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
CINECLUBE01 Comenta: Tropa de Elite 2
Tropa de Elite 2 já era um sucesso antes mesmo de estrear. Um dos filmes mais esperados do ano, a produção está sendo exibida em mais de 700 salas em todo o país e em menos de uma semana de exibição já foi assistido por mais de 2,7 milhões de espectadores. Apenas no fim de semana de estréia, o longa já teve cerca de 1,5 milhão de espectadores, recorde histórico no cinema nacional. E todo esse êxito não é para menos. O longa é extremamente perturbador e ao mesmo tempo simbólico por dizer respeito a uma realidade próxima de todos nós, seja dentro ou fora da polícia ou da política. Isso por conta das grandes discussões que estabelecem a respeito de várias temas. Tropa de Elite 2 é para mim um dos melhores filmes nacionais já realizados ao lado de Cidade de Deus e Central do Brasil.
Nessa continuação acompanhamos novamente a trajetória de Capitão Nascimento, 15 anos mais velho e, que após comandar uma operação do BOPE dentro do presídio de Segurança Máxima de Bangu I que acaba com o massacre de vários prisioneiros, acaba sendo exonerado de seu cargo pelo Governador do Rio de Janeiro para agradar aqueles que defendem os direitos humanos. Por outro lado, ele é promovido a subsecretário de Segurança Pública do Estado para agradar a população, que aprovou o massacre dos bandidos. Assim, Nascimento começa a combater o tráfico de maneira mais incisiva, mas não percebe que a corrupção e a ação livre dos bandidos continuam acontecendo de outra forma: um grupo de policiais militares começa a extorquir os habitantes comuns das favelas, em troca da sua “colaboração” e do apoio a políticos que começam a surgir dentro dos próprios órgãos responsáveis pela Segurança. Quando Nascimento descobre a verdade tem que bater de frente com o governo, a PM e pessoas de alto escalão.
O longa começa a partir da velha discussão do primeiro Tropa de Elite: vale a pena combater o tráfico e a violência com mais violência ainda? Desta vez entra no jogo os direitos humanos que tentam modificar a forma com que os policiais do BOPE agem ao enfrentar os bandidos. Nascimento continua com sua posição de que a guerra é a única forma de luta, embora ele não goste de utilizá-la o tempo inteiro. Ao mesmo tempo, vemos o protagonista da vez de uma maneira muito mais humana que anteriormente, reforçada principalmente pelas narrações em off que fortalecem suas convicções. Wagner Moura encarna novamente o Capitão Nascimento com grande intensidade e consegue transmitir uma maturidade muito maior ao seu personagem. Seu personagem é muito melhor explorado e portanto passa a ter nesse filme uma profundidade muito maior. Ao mesmo tempo em que exibe ser um sujeito durão e autoritário, também se mostra atrapalhado no contato com o seu filho, que o vê com desconfiança, e tem grandes dificuldades para exprimir seus sentimentos.
Com o decorrer do filme, o diretor José Padilha e o roteirista Bráulio Mantovani nos trazem uma situação onde o combate ao tráfico de drogas não é a principal ação para acabar com a violência. Agora a corrupção atinge os cidadãos diretamente em troca de um voto nas eleições ou através de farsas que possam comprovar as boas ações dos políticos que tentam se reeleger. Ou também de qualquer outra forma de favorecimento individual aos policiais que participam do “sistema”, expressão típica do filme. Nascimento percebe que não é a violência que resolverá todos esses problemas. É algo muito mais profundo sustentado pelos grandes detentores do poder e não por simples traficantes armados. O interesse individual de cada um é tudo o que conta aqui. Os políticos, claro, são os primeiros a serem lembrados nesse aspecto. Nenhum deles se importa com as mortes ou os absurdos que ocorrem embaixo de seus narizes desde que possam continuar com o poder e dinheiro e navegar de iate pelo belo mar carioca. Muitas vezes se omitem ou até mesmo estimulam situações de violência, ditas necessárias por eles para acabar com a violência. Mas com qualquer sinal de mérito são os primeiros a assumir o sucesso e com isso, ganhar o prestígio e a confiança do público. Nem que para isso seja necessário estar numa roda de pagode no meio da favela. Mas eles não são os únicos “vilões” da história. Se agem assim, é porque a população os alimenta. Se uma pessoa se via beneficiada por determinado político, mesmo que com métodos absolutamente desonestos, é nele em quem ela vai votar e o que menos importa é o interesse da sociedade.
Além disso, o filme também critica fortemente a atuação da mídia. Se Fortunato faz um belo discurso teatral contra a violência em seu programa de televisão, fora das câmeras ele é um dos principais articuladores da milícia que corrompe os moradores e colabora para a corrupção. Com os supostos bons resultados da atuação da polícia dentro das favelas, ele se torna um símbolo da luta contra os bandidos e aproveita para se eleger deputado estadual. Em certo momento, também vemos que uma jornalista descobre um grande esquema fraudulento em prol da reeleição do atual governador e acaba sendo assassinada. Seu chefe simplesmente se recusa a publicar qualquer informação sobre o assunto, já que é parceiro do atual governo. Porém, se temos a impressão de que todos estão envolvidos nessa sujeirada toda, Nascimento e também o deputado Fraga aparecem para nos desmentir. Eles se tornam os maiores símbolos de uma briga do bem contra o mal, mesmo que com diferentes métodos. Os dois representam a luta de uma minoria honesta contra uma maioria esmagadora absolutamente interesseira, embora estivessem de diferentes lados no começo da produção. Uma perspectiva pessimista dentro de uma luta desleal. Afinal como disse Nascimento em pronunciamento para os deputados da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro: “Metade dos que estão aqui deveriam estar na cadeia. Ou melhor, metade não. Deve ter aqui no máximo uns 6 ou 7 ficha-limpas”.
Com um roteiro extremamente dinâmico, intenso e focado em um personagem específico, Mantovani e Padilha criticam com grande inteligência e coragem diversos setores da sociedade. Todos os atores estão muito bem em seus papéis com destaques para Irandhir Santos, que interpreta o Deputado Fraga e André Mattos, que vive o deputado Fortunato, extremamente hipócrita, mau-caráter e manipulador. A direção de Padilha também é excelente. Sem a mesma preocupação de mostrar o tempo inteiro os conflitos entre policiais e bandidos, o diretor consegue transmitir grande tensão, mesmo com momentos descontraídos com a preocupação de estimular a reflexão e provocar o espectador.
Afinal, como acabar com o “sistema”? Também somos responsáveis por ele, embora não acreditemos nisso. Infelizmente, todos esses políticos corruptos representam a realidade da população brasileira. Muitos podem ficar indignados, mas fariam exatamente o mesmo que eles fazem se estivessem no poder, o que é extremamente fácil de comprovar em simples ações do dia-a-dia. Mas se tentar uma conscientização da população para um voto pautado nos interesses da sociedade é algo difícil de ser realizado, outra solução, muito mais pontual, é dada pelo próprio Nascimento no mesmo discurso para os deputados: “A PM do Rio tem que acabar”. Uma frase que pode provocar ainda muitas discussões, assim como outras tantas do filme. No começo do longa, é exibida a mensagem: “Apesar das semelhanças com a realidade, esta é apenas uma obra de ficção”. Mas uma ficção muito mais próxima da realidade do que podemos imaginar.
Confira o trailer do filme:
Nessa continuação acompanhamos novamente a trajetória de Capitão Nascimento, 15 anos mais velho e, que após comandar uma operação do BOPE dentro do presídio de Segurança Máxima de Bangu I que acaba com o massacre de vários prisioneiros, acaba sendo exonerado de seu cargo pelo Governador do Rio de Janeiro para agradar aqueles que defendem os direitos humanos. Por outro lado, ele é promovido a subsecretário de Segurança Pública do Estado para agradar a população, que aprovou o massacre dos bandidos. Assim, Nascimento começa a combater o tráfico de maneira mais incisiva, mas não percebe que a corrupção e a ação livre dos bandidos continuam acontecendo de outra forma: um grupo de policiais militares começa a extorquir os habitantes comuns das favelas, em troca da sua “colaboração” e do apoio a políticos que começam a surgir dentro dos próprios órgãos responsáveis pela Segurança. Quando Nascimento descobre a verdade tem que bater de frente com o governo, a PM e pessoas de alto escalão.
O longa começa a partir da velha discussão do primeiro Tropa de Elite: vale a pena combater o tráfico e a violência com mais violência ainda? Desta vez entra no jogo os direitos humanos que tentam modificar a forma com que os policiais do BOPE agem ao enfrentar os bandidos. Nascimento continua com sua posição de que a guerra é a única forma de luta, embora ele não goste de utilizá-la o tempo inteiro. Ao mesmo tempo, vemos o protagonista da vez de uma maneira muito mais humana que anteriormente, reforçada principalmente pelas narrações em off que fortalecem suas convicções. Wagner Moura encarna novamente o Capitão Nascimento com grande intensidade e consegue transmitir uma maturidade muito maior ao seu personagem. Seu personagem é muito melhor explorado e portanto passa a ter nesse filme uma profundidade muito maior. Ao mesmo tempo em que exibe ser um sujeito durão e autoritário, também se mostra atrapalhado no contato com o seu filho, que o vê com desconfiança, e tem grandes dificuldades para exprimir seus sentimentos.
Com o decorrer do filme, o diretor José Padilha e o roteirista Bráulio Mantovani nos trazem uma situação onde o combate ao tráfico de drogas não é a principal ação para acabar com a violência. Agora a corrupção atinge os cidadãos diretamente em troca de um voto nas eleições ou através de farsas que possam comprovar as boas ações dos políticos que tentam se reeleger. Ou também de qualquer outra forma de favorecimento individual aos policiais que participam do “sistema”, expressão típica do filme. Nascimento percebe que não é a violência que resolverá todos esses problemas. É algo muito mais profundo sustentado pelos grandes detentores do poder e não por simples traficantes armados. O interesse individual de cada um é tudo o que conta aqui. Os políticos, claro, são os primeiros a serem lembrados nesse aspecto. Nenhum deles se importa com as mortes ou os absurdos que ocorrem embaixo de seus narizes desde que possam continuar com o poder e dinheiro e navegar de iate pelo belo mar carioca. Muitas vezes se omitem ou até mesmo estimulam situações de violência, ditas necessárias por eles para acabar com a violência. Mas com qualquer sinal de mérito são os primeiros a assumir o sucesso e com isso, ganhar o prestígio e a confiança do público. Nem que para isso seja necessário estar numa roda de pagode no meio da favela. Mas eles não são os únicos “vilões” da história. Se agem assim, é porque a população os alimenta. Se uma pessoa se via beneficiada por determinado político, mesmo que com métodos absolutamente desonestos, é nele em quem ela vai votar e o que menos importa é o interesse da sociedade.
Além disso, o filme também critica fortemente a atuação da mídia. Se Fortunato faz um belo discurso teatral contra a violência em seu programa de televisão, fora das câmeras ele é um dos principais articuladores da milícia que corrompe os moradores e colabora para a corrupção. Com os supostos bons resultados da atuação da polícia dentro das favelas, ele se torna um símbolo da luta contra os bandidos e aproveita para se eleger deputado estadual. Em certo momento, também vemos que uma jornalista descobre um grande esquema fraudulento em prol da reeleição do atual governador e acaba sendo assassinada. Seu chefe simplesmente se recusa a publicar qualquer informação sobre o assunto, já que é parceiro do atual governo. Porém, se temos a impressão de que todos estão envolvidos nessa sujeirada toda, Nascimento e também o deputado Fraga aparecem para nos desmentir. Eles se tornam os maiores símbolos de uma briga do bem contra o mal, mesmo que com diferentes métodos. Os dois representam a luta de uma minoria honesta contra uma maioria esmagadora absolutamente interesseira, embora estivessem de diferentes lados no começo da produção. Uma perspectiva pessimista dentro de uma luta desleal. Afinal como disse Nascimento em pronunciamento para os deputados da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro: “Metade dos que estão aqui deveriam estar na cadeia. Ou melhor, metade não. Deve ter aqui no máximo uns 6 ou 7 ficha-limpas”.
Com um roteiro extremamente dinâmico, intenso e focado em um personagem específico, Mantovani e Padilha criticam com grande inteligência e coragem diversos setores da sociedade. Todos os atores estão muito bem em seus papéis com destaques para Irandhir Santos, que interpreta o Deputado Fraga e André Mattos, que vive o deputado Fortunato, extremamente hipócrita, mau-caráter e manipulador. A direção de Padilha também é excelente. Sem a mesma preocupação de mostrar o tempo inteiro os conflitos entre policiais e bandidos, o diretor consegue transmitir grande tensão, mesmo com momentos descontraídos com a preocupação de estimular a reflexão e provocar o espectador.
Afinal, como acabar com o “sistema”? Também somos responsáveis por ele, embora não acreditemos nisso. Infelizmente, todos esses políticos corruptos representam a realidade da população brasileira. Muitos podem ficar indignados, mas fariam exatamente o mesmo que eles fazem se estivessem no poder, o que é extremamente fácil de comprovar em simples ações do dia-a-dia. Mas se tentar uma conscientização da população para um voto pautado nos interesses da sociedade é algo difícil de ser realizado, outra solução, muito mais pontual, é dada pelo próprio Nascimento no mesmo discurso para os deputados: “A PM do Rio tem que acabar”. Uma frase que pode provocar ainda muitas discussões, assim como outras tantas do filme. No começo do longa, é exibida a mensagem: “Apesar das semelhanças com a realidade, esta é apenas uma obra de ficção”. Mas uma ficção muito mais próxima da realidade do que podemos imaginar.
Confira o trailer do filme:
domingo, 10 de outubro de 2010
Boa Noite e Boa Sorte
Boa Noite e Boa Sorte é um filme americano de 2005 que produz uma grande reflexão a respeito do papel da imprensa na época do filme (década de 1950) e também nos dias atuais. O longa conta a história das discussões entre Edward Murrow, o âncora de um programa de grande audiência da CBS, e o senador Joseph McCarthy, responsável pelo macarthismo a conhecida caça aos comunistas durante o contexto da Guerra Fria. A briga começa quando Murrow resolve questionar a demissão de um militar que trabalhava na Aeronáutica acusado de ser um comunista infiltrado nos Estados Unidos. Porém, não há provas que comprovem essa tese e a atitude passa a ser fortemente criticada por Murrow.
O grande trunfo do âncora e de seu programa é abrir os olhos dos telespectadores americanos a um problema grave que poderia acontecer com qualquer pessoas que não concordasse com os métodos utilizados pelo senador. Esse jornalismo passou a exigir um pensamento crítico mais apurado e não simplesmente aceitar o macarthismo de maneira passiva. Outro grande mérito foi o fato de ter sido feita uma acusação a partir de questionamentos e provas concretas, sem que fossem necessárias armações por parte dos jornalistas. Também não havia por parte da CBS nenhuma forma de rabo preso. Seus funcionários não estavam ligados a um determinado partido de oposição ou a um determinado grupo político. Ou seja, foi um trabalho feito com ética e sem que a ideologia de um ou de outro se sobrepusesse ao objetivo maior que era a busca pela verdade e pela justiça. Ao contrário do que acontecia com praticamente todos os veículos de comunicação da época, que viviam com medo de represálias a qualquer tipo de oposição que pudessem fazer ao macarthismo. Obviamente, o trabalho da CBS foi extremamente arriscado. Houve um direito de resposta do senador dentro da própria programação (o que também se mostrou uma atitude louvável da produção) e diversas reclamações e tentativas de desmoralizar o programa. Mas mesmo assim, a postura de Murrow não mudou, o que ocasionou em uma pressão cada vez maior até que McCarthy fosse finalmente obrigado a entregar o seu cargo. A participação dos espectadores também era um ponto muito marcante. As pessoas se envolviam com a discussão e forneciam elementos para a investigação do caso. Parece que havia uma vontade maior de participar das atividades da imprensa.
Quanto a parte técnica do filme, também podemos fazer fortes elogios. A fotografia preta e branca traz um clima mais charmoso e até mais nostálgico da época. Quanto aos cenários não há nenhuma locação externa, tudo se passa dentro dos próprios estúdios da televisão (retratados de modo muito real), o que por um lado nos traz uma familiaridade grande com o local e pelo outro até um certo aprisionamento por na estarmos em nenhum local diferente. David Strathairn está exclente no papel de Murrow, trazendo uma segurança incomum quando é filmado, mas ao mesmo tempo mostrando uma parcela de insegurança fora das câmeras quanto ao resultado de suas falas. O roteiro de George Clooney também é muito eficiente já que outras questões além dos programas também são abordadas para acalmar a tensão existente com o senador. Porém parece faltar um pouco mais da vida pessoal dos personagens fora dos estúdios.
Boa Noite e Boa Sorte pode ser muito bem transferido para a realidade atual. A ausência de vários elementos daquele jornalismo da rede CBS transformaram o jornalismo brasileiro atual em algo muito longe do ideal. Falta ética, comprometimento, inovação, coragem e autonomia para criticar o que esteja acontecendo de errado no país. O envolvimento dos meios de comunicação com os grandes problemas se deve muitas vezes a uma filiação partidária, uma ajuda financeira ou qualquer outro tipo de interesse sujo. A produção é ótima para que essas e outras questões atormentem nossas mentes por um bom tempo.
Confira o trailer:
O grande trunfo do âncora e de seu programa é abrir os olhos dos telespectadores americanos a um problema grave que poderia acontecer com qualquer pessoas que não concordasse com os métodos utilizados pelo senador. Esse jornalismo passou a exigir um pensamento crítico mais apurado e não simplesmente aceitar o macarthismo de maneira passiva. Outro grande mérito foi o fato de ter sido feita uma acusação a partir de questionamentos e provas concretas, sem que fossem necessárias armações por parte dos jornalistas. Também não havia por parte da CBS nenhuma forma de rabo preso. Seus funcionários não estavam ligados a um determinado partido de oposição ou a um determinado grupo político. Ou seja, foi um trabalho feito com ética e sem que a ideologia de um ou de outro se sobrepusesse ao objetivo maior que era a busca pela verdade e pela justiça. Ao contrário do que acontecia com praticamente todos os veículos de comunicação da época, que viviam com medo de represálias a qualquer tipo de oposição que pudessem fazer ao macarthismo. Obviamente, o trabalho da CBS foi extremamente arriscado. Houve um direito de resposta do senador dentro da própria programação (o que também se mostrou uma atitude louvável da produção) e diversas reclamações e tentativas de desmoralizar o programa. Mas mesmo assim, a postura de Murrow não mudou, o que ocasionou em uma pressão cada vez maior até que McCarthy fosse finalmente obrigado a entregar o seu cargo. A participação dos espectadores também era um ponto muito marcante. As pessoas se envolviam com a discussão e forneciam elementos para a investigação do caso. Parece que havia uma vontade maior de participar das atividades da imprensa.
Quanto a parte técnica do filme, também podemos fazer fortes elogios. A fotografia preta e branca traz um clima mais charmoso e até mais nostálgico da época. Quanto aos cenários não há nenhuma locação externa, tudo se passa dentro dos próprios estúdios da televisão (retratados de modo muito real), o que por um lado nos traz uma familiaridade grande com o local e pelo outro até um certo aprisionamento por na estarmos em nenhum local diferente. David Strathairn está exclente no papel de Murrow, trazendo uma segurança incomum quando é filmado, mas ao mesmo tempo mostrando uma parcela de insegurança fora das câmeras quanto ao resultado de suas falas. O roteiro de George Clooney também é muito eficiente já que outras questões além dos programas também são abordadas para acalmar a tensão existente com o senador. Porém parece faltar um pouco mais da vida pessoal dos personagens fora dos estúdios.
Boa Noite e Boa Sorte pode ser muito bem transferido para a realidade atual. A ausência de vários elementos daquele jornalismo da rede CBS transformaram o jornalismo brasileiro atual em algo muito longe do ideal. Falta ética, comprometimento, inovação, coragem e autonomia para criticar o que esteja acontecendo de errado no país. O envolvimento dos meios de comunicação com os grandes problemas se deve muitas vezes a uma filiação partidária, uma ajuda financeira ou qualquer outro tipo de interesse sujo. A produção é ótima para que essas e outras questões atormentem nossas mentes por um bom tempo.
Confira o trailer:
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Tropa de Elite 2
Estreia hoje nos cinemas do Brasil o tão esperado Tropa de Elite 2. O filme já chega com grande repercussão devido ao sucesso do seu antecessor. Porém, diferentemente do primeiro, que se popularizou devido às cópias piratas e alcançou a premiação máxima com o Urso de Ouro no Festival de Berlim, nessa nova sequência ocorreu um forte esquema de segurança em torno das gravações para que nada vazasse ao público antes da hora. A produção, que teve uma premiere exclusiva no Festival de Paulínia, traz novamente o Capitão Nascimento (Wagner Moura) como protagonista mas que agora não trabalha mais no BOPE e sim como subsecretário na Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro.
Se antes, o longa mostrava diretamente as ações do tráfico, agora é desmascarada uma corrupção extremamente séria e poderosa tanto na polícia como nos órgãos políticos do rio que faz com que a violência continue viva em nossa realidade. Agora, também mais focado apenas em Nascimento, o filme também apresenta dilemas pessoais como a relação entre o policial e seu filho. Claro que também não falta muita ação, tiroteio e os velhos bordões. Agora também parece haver a intenção de trazer Nascimento como vítima ou pelo menos em não se tornar um herói com métodos absolutamente desumanos e cruéis (como aconteceu no primeiro). Mas a grande tônica de Tropa de Elite 2 deve ser mesmo a forte crítica aos grandes políticos brasileiros, o que não é comum de ser visto na sétima arte. Em outras palavaras é um programa imperdível para o feriadão.
Números de Tropa de Elite:
- Será exibido em 661 salas em todo o país, número maior do que algumas superproduções americanas
- 11 milhões de brasileiros assistiram à cópia pirata do primeiro longa
- 2,5 milhões prestigiaram a produção nas salas de cinema
- Teve público de 177 mil pessoas apenas no primeiro fim de semana e recebeu mais 321 salas de exibição após isso
Confira o trailer oficial do filme:
Se antes, o longa mostrava diretamente as ações do tráfico, agora é desmascarada uma corrupção extremamente séria e poderosa tanto na polícia como nos órgãos políticos do rio que faz com que a violência continue viva em nossa realidade. Agora, também mais focado apenas em Nascimento, o filme também apresenta dilemas pessoais como a relação entre o policial e seu filho. Claro que também não falta muita ação, tiroteio e os velhos bordões. Agora também parece haver a intenção de trazer Nascimento como vítima ou pelo menos em não se tornar um herói com métodos absolutamente desumanos e cruéis (como aconteceu no primeiro). Mas a grande tônica de Tropa de Elite 2 deve ser mesmo a forte crítica aos grandes políticos brasileiros, o que não é comum de ser visto na sétima arte. Em outras palavaras é um programa imperdível para o feriadão.
Números de Tropa de Elite:
- Será exibido em 661 salas em todo o país, número maior do que algumas superproduções americanas
- 11 milhões de brasileiros assistiram à cópia pirata do primeiro longa
- 2,5 milhões prestigiaram a produção nas salas de cinema
- Teve público de 177 mil pessoas apenas no primeiro fim de semana e recebeu mais 321 salas de exibição após isso
Confira o trailer oficial do filme:
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Ganhadores Fetival do Rio 2010
Retirado do site Uol Cinema: http://cinemaemcena.com.br/Premiacao_Detalhe.aspx?ID_PREMIO=18&ID_PREMIACAO=1578
Marcelo Rocha, golpista que usou mais de 15 identidades falsas para enganar o alto escalão brasileiro, se fez passar por herdeiro de uma companhia aérea e coroou seu sucesso de ludibriador no programa de televisão de Amaury Jr. Esse é VIPs, longa-metragem de Toniko Melo, o grande vencedor do Festival do Rio 2010.
Além de levar para casa o Troféu Redentor de Melhor Longa-Metragem de Ficção, arrematou ainda os prêmios de Melhor Ator para Wagner Moura, Melhor Ator Coadjuvante para Jorge D''Elia e Melhor Atriz Coadjuvante para Gisele Fróes, contabilizando três dos quatro prêmios da categoria. Mas VIPs, que estréia no circuito comercial em 25 de março do próximo ano, não foi o único filme a levar para casa mais de um prêmio.
O documentário Diário de Uma Busca, longa de estreia de Flavia Castro, foi homenageado duplamente: além do Troféu Redentor de Melhor Longa-Metragem Documentário, foi eleito como melhor filme pelo júri da Fipresci, composto pelos críticos Wolfgang Hamdorf, Neusa Barbosa e Patricia Rebello. Diário de Uma Busca trata de um tema muito pessoal para a diretora, que decidiu desvendar o desaparecimento de seu pai, militante e exilado político morto em circunstâncias suspeitas na década de 80. Flávia também resgatou registros e memórias do período vivido com a família no exílio para compor a obra premiada.
Um filme sobre outro tipo de desaparecimento também foi premiado no festival. O Troféu Redentor de Melhor Curta-Metragem foi para Vento, de Marcio Salem, que fala sobre uma pequena cidadezinha isolada no Brasil que fica sem vento.
Confira a lista completa dos premiados abaixo:
Juri Oficial
Gustavo Dahl, Bruna Lombardi, Jorge Sanchez e Léo Monteiro de Barros
Curta-metragem
Curta-metragem - voto popular
Um outro ensaio, de Natara Ney
Curta-metragem - júri
Vento, de Marcio Salem
Prêmio especial do júri
Geral, de Anna Azevedo
Longa-metragem
Melhor atriz coadjuvante
Gisele Fróes, Vips
Melhor ator coadjuvante
Jorge D´Elia, Vips
Melhor roteiro
Marcelo Laffitte, Elvis & Madonna
Melhor montagem (edição)
Boca do lixo, por Vânia Debs
Melhor fotografia
Boca do lixo, por Adrian Terrido
Melhor documentário - voto popular
Positivas, de Susanna Lira
Melhor documentário - júri
Diário de uma busca, de Flávia Castro
Melhor atriz
Karine Teles, por Riscado
Melhor ator
Wagner Moura, por Vips
Melhor direção
Charly Braun, por Além da estrada
Melhor ficção - voto popular
O senhor do labirinto, de Geraldo Motta e Gisella de Mello
Melhor ficção - júri
Vips, de Toniko Melo
Marcelo Rocha, golpista que usou mais de 15 identidades falsas para enganar o alto escalão brasileiro, se fez passar por herdeiro de uma companhia aérea e coroou seu sucesso de ludibriador no programa de televisão de Amaury Jr. Esse é VIPs, longa-metragem de Toniko Melo, o grande vencedor do Festival do Rio 2010.
Além de levar para casa o Troféu Redentor de Melhor Longa-Metragem de Ficção, arrematou ainda os prêmios de Melhor Ator para Wagner Moura, Melhor Ator Coadjuvante para Jorge D''Elia e Melhor Atriz Coadjuvante para Gisele Fróes, contabilizando três dos quatro prêmios da categoria. Mas VIPs, que estréia no circuito comercial em 25 de março do próximo ano, não foi o único filme a levar para casa mais de um prêmio.
O documentário Diário de Uma Busca, longa de estreia de Flavia Castro, foi homenageado duplamente: além do Troféu Redentor de Melhor Longa-Metragem Documentário, foi eleito como melhor filme pelo júri da Fipresci, composto pelos críticos Wolfgang Hamdorf, Neusa Barbosa e Patricia Rebello. Diário de Uma Busca trata de um tema muito pessoal para a diretora, que decidiu desvendar o desaparecimento de seu pai, militante e exilado político morto em circunstâncias suspeitas na década de 80. Flávia também resgatou registros e memórias do período vivido com a família no exílio para compor a obra premiada.
Um filme sobre outro tipo de desaparecimento também foi premiado no festival. O Troféu Redentor de Melhor Curta-Metragem foi para Vento, de Marcio Salem, que fala sobre uma pequena cidadezinha isolada no Brasil que fica sem vento.
Confira a lista completa dos premiados abaixo:
Juri Oficial
Gustavo Dahl, Bruna Lombardi, Jorge Sanchez e Léo Monteiro de Barros
Curta-metragem
Curta-metragem - voto popular
Um outro ensaio, de Natara Ney
Curta-metragem - júri
Vento, de Marcio Salem
Prêmio especial do júri
Geral, de Anna Azevedo
Longa-metragem
Melhor atriz coadjuvante
Gisele Fróes, Vips
Melhor ator coadjuvante
Jorge D´Elia, Vips
Melhor roteiro
Marcelo Laffitte, Elvis & Madonna
Melhor montagem (edição)
Boca do lixo, por Vânia Debs
Melhor fotografia
Boca do lixo, por Adrian Terrido
Melhor documentário - voto popular
Positivas, de Susanna Lira
Melhor documentário - júri
Diário de uma busca, de Flávia Castro
Melhor atriz
Karine Teles, por Riscado
Melhor ator
Wagner Moura, por Vips
Melhor direção
Charly Braun, por Além da estrada
Melhor ficção - voto popular
O senhor do labirinto, de Geraldo Motta e Gisella de Mello
Melhor ficção - júri
Vips, de Toniko Melo
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Danny Boyle recebe prêmio, James Cameron é o mais influente do cinema e Star Wars está de volta
Danny Boyle, diretor de filmes como “A Praia” e o premiado “Quem Quer ser um Milionário?” receberá o prêmio máximo do BFI (Instituto Britânico de Cinema) por sua contribuição à cultura cinematográfica. Outros grandes nomes como Martin Scorsese, Elisabeth Taylor e Clint Eastwood também já receberam o prêmio. A mais recente produção de Boyle, “127 Horas” encerrará o Festival do BFI, que acontecerá entre os dias 13 e 28 de outubro.
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O jornal britânico The Guardian publicou uma lista com as 100 pessoas mais influentes do cinema mundial atual. O primeiro lugar foi para o diretor de Avatar e Titanic, James Cameron. Atrás dele, aparecem nomes de peso como Steven Spielberg, Leonardo DiCaprio e Quentin Tarantino. Também aparecem nomes desconhecidos do grande público, entre eles produtores e executivos de estúdio.
Confira os 20 primeiros da lista:
1. James Cameron (diretor)
2. Steven Spielberg (diretor)
3. Leonardo DiCaprio (ator)
4. John Lasseter (diretor)
5. Brad Pitt (ator e produtor)
6. Christopher Nolan (diretor)
7. Scott Rudin (produtor)
8. Quentin Tarantino (diretor)
9. George Clooney (ator e diretor)
10. Ed Vaizey (ministro britânico)
11. Johnny Depp (ator e produtor)
12. Tim Bevan e Eric Fellner (produtores)
13. J.J. Abrams (diretor e produtor)
14. Alan F. Horn e Jeff Robinov (executivos de estúdio)
15. Ridley Scott (diretor)
16. Tom Rothman e Jim Gianopulos (executivos de estúdio)
17. Tim Burton (diretor)
18. Angelina Jolie (atriz)
19. Brad Grey (executivo de estúdio)
20. Martin Scorsese (diretor)
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A moda dos lançamentos em filme 3D vem crescendo muito e vem atingindo até mesmo filmes que já não estão mais em cartaz. Após a confirmação da volta de Avatar, foi confirmado o relançamento da série Star Wars na nova tecnologia. O primeiro episódio da saga está previsto para voltar as telonas em 2012
E você o que acha das notícias? Concorda? Comente!
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O jornal britânico The Guardian publicou uma lista com as 100 pessoas mais influentes do cinema mundial atual. O primeiro lugar foi para o diretor de Avatar e Titanic, James Cameron. Atrás dele, aparecem nomes de peso como Steven Spielberg, Leonardo DiCaprio e Quentin Tarantino. Também aparecem nomes desconhecidos do grande público, entre eles produtores e executivos de estúdio.
Confira os 20 primeiros da lista:
1. James Cameron (diretor)
2. Steven Spielberg (diretor)
3. Leonardo DiCaprio (ator)
4. John Lasseter (diretor)
5. Brad Pitt (ator e produtor)
6. Christopher Nolan (diretor)
7. Scott Rudin (produtor)
8. Quentin Tarantino (diretor)
9. George Clooney (ator e diretor)
10. Ed Vaizey (ministro britânico)
11. Johnny Depp (ator e produtor)
12. Tim Bevan e Eric Fellner (produtores)
13. J.J. Abrams (diretor e produtor)
14. Alan F. Horn e Jeff Robinov (executivos de estúdio)
15. Ridley Scott (diretor)
16. Tom Rothman e Jim Gianopulos (executivos de estúdio)
17. Tim Burton (diretor)
18. Angelina Jolie (atriz)
19. Brad Grey (executivo de estúdio)
20. Martin Scorsese (diretor)
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A moda dos lançamentos em filme 3D vem crescendo muito e vem atingindo até mesmo filmes que já não estão mais em cartaz. Após a confirmação da volta de Avatar, foi confirmado o relançamento da série Star Wars na nova tecnologia. O primeiro episódio da saga está previsto para voltar as telonas em 2012
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domingo, 26 de setembro de 2010
Estreia da Semana e Grandes Lançamentos futuros
Hoje postarei aqui alguns filmes muito esperados pelos espectadores. O Último Exorcismo é a principal estreia dessa última sexta-feira, enquanto Jogos Mortais estreia dia 29 de outubro e Harry Potter fica para o dia 19 de novembro.
O Último Exorcismo:
Jogos Mortais: O Final:
Harry Potter e as Relíquias da Morte:
O Último Exorcismo:
Jogos Mortais: O Final:
Harry Potter e as Relíquias da Morte:
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Festival de Cinema do Rio e Lula, o Filho do Brasil
Festival do Rio começa hoje a 12ª edição do Festival de Cinema do Rio de Janeiro, talvez o mais reconhecido festival brasileiro do gênero, começa nesta quinta-feira dia 23. Serão exibidos mais de 300 filmes de 60 países em 18 mostras diferentes durante 15 dias. 17 filmes concorrem na mostra principal ao Troféu Redentor. Entre os nomes mais conhecidos internacionalmente estão Sofia Coppola com “Somewhere”, vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza, Woody Allen com “Você vai conhecer o homem de seus sonhos” e o vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes com Apichatpong Weerasethakul, que apresenta “Tio Boonmee que Pode Recordar Suas Vidas Passadas”. Outro grande atrativo para o público será a volta de Arnaldo Jabor ao cinema após 24 anos sem atividades na telona: “Suprema Felicidade” será o filme de abertura do Festival. Também haverá uma sessão especial para os filmes brasileiros (Premiere Brasil) e uma para os argentinos. A grande decepção será a ausência de Tropa de Elite 2, que estreará um dia após o fim do festival.
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Lula, o Filho do Brasil foi o filme escolhido por unanimidade por um júri formado por especialistas do cinema para representar o Brasil na disputa por um Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011. O filme deixa para trás outros 22 concorrentes que também disputavam uma indicação para o prêmio máximo do cinema que acontecerá dia 27 de fevereiro em Los Angeles. Os 5 indicados para concorrer ao prêmio de melhor filme estrangeiro serão divulgados dia 27 de janeiro. Além de Lula, a produção espanhola Lope também representará nosso país, já que seu diretor Andrucha Waddington é brasileiro. A escolha de Lula, o Filho do Brasil me surpreendeu, já que havia outros fortes concorrentes e também por ser exibido em ano de eleições.
E você o que achou da indicação?
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Lula, o Filho do Brasil foi o filme escolhido por unanimidade por um júri formado por especialistas do cinema para representar o Brasil na disputa por um Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011. O filme deixa para trás outros 22 concorrentes que também disputavam uma indicação para o prêmio máximo do cinema que acontecerá dia 27 de fevereiro em Los Angeles. Os 5 indicados para concorrer ao prêmio de melhor filme estrangeiro serão divulgados dia 27 de janeiro. Além de Lula, a produção espanhola Lope também representará nosso país, já que seu diretor Andrucha Waddington é brasileiro. A escolha de Lula, o Filho do Brasil me surpreendeu, já que havia outros fortes concorrentes e também por ser exibido em ano de eleições.
E você o que achou da indicação?
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Cidade de Deus
Cidade de Deus é um filme de 2002, que consagrou Fernando Meirelles como um dos melhores diretores brasileiros. A produção é um triste e realista retrato da sociedade brasileira dentro da favela Cidade de Deus, uma das mais perigosas do Rio de Janeiro. Depois de Cidade de Deus o gênero retratando as favelas passou a ser muito copiado no cinema brasileiro, porém sem o mesmo êxito. A trama conta a história da disputa pelo tráfico de drogas na favela entre Zé Pequeno e Mané Galinha a partir da narração de Buscapé, menino que sonha em ser fotógrafo profissional e sair da vida na favela.
A partir do filme podemos extrair diversas questões que refletem uma realidade escondida de todos nós ou que muitas vezes não queremos enxergar. Nem mesmo, o governo que, em vez de fazer algo para solucionar o problema dos desabrigados, resolve mandar cada vez mais gente para a favela, sem qualquer tipo de melhoria de vida para elas. É assim que Buscapé chega a Cidade de Deus. Seu irmão começa a praticar roubos e a participar do tráfico de drogas. Mas ele acaba morrendo, mesmo destino da maioria que estão nesse meio. Assim, a disputa pelas bocas de fumo da favela começa a se acirrar quando o temido Zé Pequeno resolve tomar o controle do tráfico local. Com a morte de Bené, parceiro de Zé Pequeno e único capaz de controlar as disputas entre as gangues, a guerra dentro de Cidade de Deus entre Cenoura e Mané Galinha contra Zé Pequeno se torna extremamente violenta e não poupa ninguém. Inocentes são executados sem nenhuma forma de piedade e os moradores passam a se dividir por vingança ou proteção ao grupo oposto. As relações construídas entre os traficantes e seus subordinados é baseada no medo, na vingança e na ameaça, onde apenas um olhar torto é capaz de desencadear uma briga feia. Seja na guerra ou na paz, o tráfico governa uma favela onde é impossível a entrada de alguém de fora. Mas que muitas vezes é sustentado pela classe média e rica da zona Sul, que deseja apenas fumar um baseado inocente.
Meirelles também não hesita em mostrar como é realizada a venda de drogas e armas e de falar sobre a corrupção policial, que permite com que os bandidos continuem agindo livremente e impede um combate efetivo aos traficantes. A imprensa também continua tratando o assunto de longe, sem grandes envolvimentos ou com uma postura sempre sensacionalista de chocar o seu público. Buscapé é uma exceção no meio em que vive. Sem querer se envolver no meio que matou o seu irmão e sem coragem para praticar assaltos, Buscapé sonha em se tornar fotógrafo, apesar de todas as dificuldades impostas pelo local onde vive, como o próprio preconceito que sofre por ser um morador de favela. Mas ao contrário dele, milhares de outras crianças vivem sem perspectiva de vida. Essas fumam, roubam, matam, convivem e participam constantemente do tráfico e da bandidagem, possuindo um poder muito maior do que os grandes traficantes. E, com isso, garantirão o fortalecimento do tráfico e a certeza de que essa é uma guerra ainda muito longe do fim.
A estrutura da narrativa também é muito interessante. O filme é contado através da narração de Buscapé e dividido entre as histórias dos principais personagens, como se fossem capítulos. Assim, podemos acompanhar os diferentes pontos de vistas dos personagens em um mesmo acontecimento. Com essa estrutura não-linear, o excelente roteiro de Bráulio Mantovani permite traçar um perfil detalhado e entender cada um dos personagens. A direção de Fernando Meirelles e a edição são extremamente dinâmicas e não cansativas, já que são utilizados cortes rápidos, congelamento de cenas e planos de câmera eficientes para sinalizar uma passagem de tempo, um combate entre duas gangues ou com a polícia ou para simplesmente aumentar a tensão em uma cena. Também merecem destaque as ótimas atuações dos atores estreantes no cinema e originários da própria favela. Alexandre Rodrigues, como Buscapé, Leandro Firmino da Hora, como Zé Pequeno e Phellipe Haagensen, como Bené interpretam seus personagens com grande naturalidade, o que confere um aspecto de veracidade ainda maior à produção. A trilha sonora e adequada a cada um dos momentos do filme e bem variada como “Metamorfose Ambulante” de Raul Seixas, “Nem Vem que Não Tem” de Carlos Imperial e “Kung Fu Fighting” de Carl Douglas.
Muitas pessoas podem alegar que Cidade de Deus é muito violento. Mas por trás da violência e de tantos assassinatos, existe uma verdadeira discussão sobre os diversos problemas sociais que nosso país enfrenta até hoje e fornece um retrato da nossa sociedade. É um filme extremamente inteligente, perfeito do começo ao fim e passível de uma longa reflexão após sua exibição.
Confira o trailer:
A partir do filme podemos extrair diversas questões que refletem uma realidade escondida de todos nós ou que muitas vezes não queremos enxergar. Nem mesmo, o governo que, em vez de fazer algo para solucionar o problema dos desabrigados, resolve mandar cada vez mais gente para a favela, sem qualquer tipo de melhoria de vida para elas. É assim que Buscapé chega a Cidade de Deus. Seu irmão começa a praticar roubos e a participar do tráfico de drogas. Mas ele acaba morrendo, mesmo destino da maioria que estão nesse meio. Assim, a disputa pelas bocas de fumo da favela começa a se acirrar quando o temido Zé Pequeno resolve tomar o controle do tráfico local. Com a morte de Bené, parceiro de Zé Pequeno e único capaz de controlar as disputas entre as gangues, a guerra dentro de Cidade de Deus entre Cenoura e Mané Galinha contra Zé Pequeno se torna extremamente violenta e não poupa ninguém. Inocentes são executados sem nenhuma forma de piedade e os moradores passam a se dividir por vingança ou proteção ao grupo oposto. As relações construídas entre os traficantes e seus subordinados é baseada no medo, na vingança e na ameaça, onde apenas um olhar torto é capaz de desencadear uma briga feia. Seja na guerra ou na paz, o tráfico governa uma favela onde é impossível a entrada de alguém de fora. Mas que muitas vezes é sustentado pela classe média e rica da zona Sul, que deseja apenas fumar um baseado inocente.
Meirelles também não hesita em mostrar como é realizada a venda de drogas e armas e de falar sobre a corrupção policial, que permite com que os bandidos continuem agindo livremente e impede um combate efetivo aos traficantes. A imprensa também continua tratando o assunto de longe, sem grandes envolvimentos ou com uma postura sempre sensacionalista de chocar o seu público. Buscapé é uma exceção no meio em que vive. Sem querer se envolver no meio que matou o seu irmão e sem coragem para praticar assaltos, Buscapé sonha em se tornar fotógrafo, apesar de todas as dificuldades impostas pelo local onde vive, como o próprio preconceito que sofre por ser um morador de favela. Mas ao contrário dele, milhares de outras crianças vivem sem perspectiva de vida. Essas fumam, roubam, matam, convivem e participam constantemente do tráfico e da bandidagem, possuindo um poder muito maior do que os grandes traficantes. E, com isso, garantirão o fortalecimento do tráfico e a certeza de que essa é uma guerra ainda muito longe do fim.
A estrutura da narrativa também é muito interessante. O filme é contado através da narração de Buscapé e dividido entre as histórias dos principais personagens, como se fossem capítulos. Assim, podemos acompanhar os diferentes pontos de vistas dos personagens em um mesmo acontecimento. Com essa estrutura não-linear, o excelente roteiro de Bráulio Mantovani permite traçar um perfil detalhado e entender cada um dos personagens. A direção de Fernando Meirelles e a edição são extremamente dinâmicas e não cansativas, já que são utilizados cortes rápidos, congelamento de cenas e planos de câmera eficientes para sinalizar uma passagem de tempo, um combate entre duas gangues ou com a polícia ou para simplesmente aumentar a tensão em uma cena. Também merecem destaque as ótimas atuações dos atores estreantes no cinema e originários da própria favela. Alexandre Rodrigues, como Buscapé, Leandro Firmino da Hora, como Zé Pequeno e Phellipe Haagensen, como Bené interpretam seus personagens com grande naturalidade, o que confere um aspecto de veracidade ainda maior à produção. A trilha sonora e adequada a cada um dos momentos do filme e bem variada como “Metamorfose Ambulante” de Raul Seixas, “Nem Vem que Não Tem” de Carlos Imperial e “Kung Fu Fighting” de Carl Douglas.
Muitas pessoas podem alegar que Cidade de Deus é muito violento. Mas por trás da violência e de tantos assassinatos, existe uma verdadeira discussão sobre os diversos problemas sociais que nosso país enfrenta até hoje e fornece um retrato da nossa sociedade. É um filme extremamente inteligente, perfeito do começo ao fim e passível de uma longa reflexão após sua exibição.
Confira o trailer:
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
A Fita Branca e O Segredo de Seus Olhos
Hoje darei duas boas sugestões de filmes estrangeiros aqui no blog, já que é sempre bom procurar novas opções de produções fora do país do Tio Sam. O primeiro é o indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2010, Fita Branca, de Michael Haneke e o segundo é o filme vencedor do mesmo prêmio, O Segredo de Seus Olhos, de Juan José Campanella,
Confira os trailers:
Confira os trailers:
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Todos os Homens do Presidente
Todos os Homens do Presidente, filme de 1976 ganhador de quatro Oscars, conta em detalhes os bastidores da cobertura do caso Watergate, que resultou na renúncia do presidente Richard Nixon. Os repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward, do Washington Post ainda não se conhecem quando estoura o escândalo da prisão de cinco invasores na sede do Partido Democrata com câmeras e microfones. Primeiramente, o acontecimento não apresenta ligações com a eleição de Nixon, mas os dois não se convencem disso e começam a investigar o caso.
Com isso, os jornalistas elaboram uma lista com todas as fontes prováveis de terem algum tipo de ligação com o caso e passam diversas noites em claro visitando e questionando diversas fontes prováveis de terem algum tipo de ligação com a invasão. Eles também descobrem uma fonte misteriosa, o Garganta Profunda, que garante que o caso é ainda mais grave do que imaginam, mas que não revela tudo o que sabe. Os dois não mostram medo de fazer perguntas muito diretas até obter as respostas sinceras de seus entrevistados. Se algumas entrevistas exigem calma e possuem a duração de horas, dentro da redação o trabalho se mostra diferente. Tudo acontece muito rápido e há pouco espaço para hesitações ou erros. Ao mesmo tempo, Carl e Bob tentam convencer seu editor-chefe, um homem exigente e que não acredita em tudo o que vê e ouve, a conseguir espaço para suas reportagens. Isso faz com que o trabalho dos dois jornalistas se torne ainda mais intenso e sacrificante: afinal seu editor não admite fatos sem provas concretas e nem espaço para qualquer tipo de erro. Uma reportagem que os dois imaginavam boa para a capa da edição acaba nas páginas internas, já que seu editor exige “mais fatos”.
É possível perceber também que os perfis de Carl e Bob se completam: a experiência do primeiro compensa a falta de prática do segundo. Por outro lado, Bob mostra uma organização e uma preocupação com os fatos muito maior do que Carl. Talvez esse tenha sido o grande motivo pelo qual os repórteres tiveram tanto mérito na cobertura do caso. Afinal, ambos praticavam o jornalismo mais honesto possível, com uma grande preocupação em checar as fontes e a veracidade do que elas diziam para não incorrerem em mentiras. Ou seja, um jornalismo raro de ser realizado hoje. O caso Watergate também representa um tipo de reportagem que está praticamente em extinção nos jornais, resultado da superficialidade e imediatismo exigido pelos veículos: A grande-reportagem, em que repórteres passavam meses se dedicando a um único assunto e assim podiam se aprofundar na cobertura de um caso que podia render vários dias de matérias. Enfim, o filme, que também conta com as ótimas atuações Robert Redford e Dustin Hoffman, é mais que indicado para todos que se interessam pela comunicação ou mesmo que tenham curiosidade de saber mais sobre os bastidores de um jornal.
Confira o trailer:
Com isso, os jornalistas elaboram uma lista com todas as fontes prováveis de terem algum tipo de ligação com o caso e passam diversas noites em claro visitando e questionando diversas fontes prováveis de terem algum tipo de ligação com a invasão. Eles também descobrem uma fonte misteriosa, o Garganta Profunda, que garante que o caso é ainda mais grave do que imaginam, mas que não revela tudo o que sabe. Os dois não mostram medo de fazer perguntas muito diretas até obter as respostas sinceras de seus entrevistados. Se algumas entrevistas exigem calma e possuem a duração de horas, dentro da redação o trabalho se mostra diferente. Tudo acontece muito rápido e há pouco espaço para hesitações ou erros. Ao mesmo tempo, Carl e Bob tentam convencer seu editor-chefe, um homem exigente e que não acredita em tudo o que vê e ouve, a conseguir espaço para suas reportagens. Isso faz com que o trabalho dos dois jornalistas se torne ainda mais intenso e sacrificante: afinal seu editor não admite fatos sem provas concretas e nem espaço para qualquer tipo de erro. Uma reportagem que os dois imaginavam boa para a capa da edição acaba nas páginas internas, já que seu editor exige “mais fatos”.
É possível perceber também que os perfis de Carl e Bob se completam: a experiência do primeiro compensa a falta de prática do segundo. Por outro lado, Bob mostra uma organização e uma preocupação com os fatos muito maior do que Carl. Talvez esse tenha sido o grande motivo pelo qual os repórteres tiveram tanto mérito na cobertura do caso. Afinal, ambos praticavam o jornalismo mais honesto possível, com uma grande preocupação em checar as fontes e a veracidade do que elas diziam para não incorrerem em mentiras. Ou seja, um jornalismo raro de ser realizado hoje. O caso Watergate também representa um tipo de reportagem que está praticamente em extinção nos jornais, resultado da superficialidade e imediatismo exigido pelos veículos: A grande-reportagem, em que repórteres passavam meses se dedicando a um único assunto e assim podiam se aprofundar na cobertura de um caso que podia render vários dias de matérias. Enfim, o filme, que também conta com as ótimas atuações Robert Redford e Dustin Hoffman, é mais que indicado para todos que se interessam pela comunicação ou mesmo que tenham curiosidade de saber mais sobre os bastidores de um jornal.
Confira o trailer:
domingo, 12 de setembro de 2010
Ganhadores Festival de Veneza de 2010
Retirado do site Uol Cinema: http://cinema.uol.com.br/veneza/ultimas-noticias/2010/09/11/veneza-premia-o-cinema-independente-dos-eua-e-da-o-leao-de-ouro-a-sofia-coppola.jhtm
Sofia Coppola é premiada com o Leão de Ouro pelo filme "Somewhere", no Festival de Veneza
PREMIAÇÃO DO FESTIVAL DE VENEZA 2010 Afinal, foi uma grande operação entre amigos e que beneficiou os norte-americanos que predominavam na competição do Festival em Veneza, com seis concorrentes. O júri presidido pelo diretor Quentin Tarantino premiou Sofia Coppola, vencedora do Leão de Ouro pelo drama “Somewhere” e até inventou um segundo Leão de Ouro especial, este pelo conjunto de sua obra, para outro norte-americano, o veterano Monte Hellman, que aqui concorreu com o experimental “Road to Nowhere”- um filme tão inventivo e complexo que mesmo seus atores confessaram não tê-lo entendido na coletiva de imprensa.
A premiação para estes dois, amigos de Tarantino e, certamente, representantes da vertente mais independente do cinema dos EUA, desmentiu os boatos que circularam insistentemente hoje no Lido, sede do festival, que davam conta de que as principais premiações iriam na direção do espanhol Álex de la Iglesia – que no final, venceu mesmo dois prêmios importantes, os de melhor direção e roteiro, com sua frenética tragicomédia política “Balada Triste de Trompeta” – e do russo “Silent Souls”, de Aleksei Fedorchenko, que afinal teve que contentar-se com o troféu de melhor contribuição técnica, atribuída à fotografia, assinada por Mikhail Krichman.
Outro boato que afinal se confirmou foi a premiação como melhor ator para mais um norte-americano, Vincent Gallo, como protagonista do drama polonês (mas também com dinheiro norueguês, húngaro e irlandês) “Essential Killing”, do veterano Jerzy Skolimowski. O cineasta polonês arrebatou também outro prêmio importantíssimo, o Especial do Júri.
Como Gallo, alegadamente, não frequenta tapetes vermelhos, foi Skolimowski quem subiu ao palco da Sala Grande, no Palazzo del Cinema, para fazer o agradecimento, que foi bem irônico: “Tenho a certeza de que Vincent vai agradecer a seu diretor, roteirista e ao produtor que foi procurar o dinheiro para pagar seu salário”. O diretor falava, claro, de si mesmo, já que desempenhou todas essas funções para concretizar o drama, que retrata a situação-limite de um afegão (Gallo), fugitivo de uma prisão militar clandestina em plena Europa.
Novas atrizes
Foi uma grande surpresa também a premiação da jovem atriz francesa Ariane Labed com a Copa Volpi de melhor interpretação feminina, pelo filme grego “Attenberg”, de Athina Rachel Tsangari. Muita gente apostava na cubana Yahima Torres, protagonista do forte drama francês “Venus Noire”, de Abdellatif Kechiche, ou mesmo em Alba Rohrwacher, do concorrente italiano “La solitudine dei numeri primi”, de Saverio Costanzo. Nada disso. O júri preferiu a jovem Ariane que, segundo o jurado Gabriele Salvatores, “carrega nas costas boa parte do peso do filme”. Na história, Ariane interpreta uma jovem de 23 anos que se divide entre assumir a própria sexualidade (ela ainda é virgem) e a doença fatal de seu pai, numa Grécia contemporânea e cética em relação ao seu passado histórico.
Outra jovem atriz premiada foi Mila Kunis, coadjuvante do drama norte-americano “Black Swan”, de Darren Aronofsky, que abriu o festival, no último dia 1º. Foi dado a Mila o Prêmio Marcello Mastroianni, dedicado a um intérprete novato (não necessariamente estreante, como é o caso de Mila, uma ucraniana de 27 anos que tem feito sucesso no cinema dos EUA, em filmes como a aventura de ação “O Livro de Eli”, ao lado de Denzel Washington). Ela mandou seu agradecimento por um filmete, que foi exibido na premiação.
Muita gente, portanto, saiu da festa do Lido de mãos vazias. Apesar das apostas de parte da crítica, isto aconteceu com os concorrentes orientais, como os até aqui bem-cotados chineses “Detective Dee and the Mystery of Phantom Flame”, de Tsui Hark, e o político “The Ditch”, de Wang Bing. Os franceses (como o citado “Venus Noire” e a elogiada comédia “Potiche”, de François Ozon), e os quatro concorrentes italianos (“La Pecora Nera”, “Noi Credevamo”, “La Passione” e o citado drama de Saverio Costanzo) foram solenemente esnobados. O mesmo aconteceu com o único latino-americano da seleção principal, o sólido drama político chileno “Post Mortem”, de Pablo Larraín (diretor de “Tony Manero”).
Confira o trailer de "Somewhere":
Sofia Coppola é premiada com o Leão de Ouro pelo filme "Somewhere", no Festival de Veneza
PREMIAÇÃO DO FESTIVAL DE VENEZA 2010 Afinal, foi uma grande operação entre amigos e que beneficiou os norte-americanos que predominavam na competição do Festival em Veneza, com seis concorrentes. O júri presidido pelo diretor Quentin Tarantino premiou Sofia Coppola, vencedora do Leão de Ouro pelo drama “Somewhere” e até inventou um segundo Leão de Ouro especial, este pelo conjunto de sua obra, para outro norte-americano, o veterano Monte Hellman, que aqui concorreu com o experimental “Road to Nowhere”- um filme tão inventivo e complexo que mesmo seus atores confessaram não tê-lo entendido na coletiva de imprensa.
A premiação para estes dois, amigos de Tarantino e, certamente, representantes da vertente mais independente do cinema dos EUA, desmentiu os boatos que circularam insistentemente hoje no Lido, sede do festival, que davam conta de que as principais premiações iriam na direção do espanhol Álex de la Iglesia – que no final, venceu mesmo dois prêmios importantes, os de melhor direção e roteiro, com sua frenética tragicomédia política “Balada Triste de Trompeta” – e do russo “Silent Souls”, de Aleksei Fedorchenko, que afinal teve que contentar-se com o troféu de melhor contribuição técnica, atribuída à fotografia, assinada por Mikhail Krichman.
Outro boato que afinal se confirmou foi a premiação como melhor ator para mais um norte-americano, Vincent Gallo, como protagonista do drama polonês (mas também com dinheiro norueguês, húngaro e irlandês) “Essential Killing”, do veterano Jerzy Skolimowski. O cineasta polonês arrebatou também outro prêmio importantíssimo, o Especial do Júri.
Como Gallo, alegadamente, não frequenta tapetes vermelhos, foi Skolimowski quem subiu ao palco da Sala Grande, no Palazzo del Cinema, para fazer o agradecimento, que foi bem irônico: “Tenho a certeza de que Vincent vai agradecer a seu diretor, roteirista e ao produtor que foi procurar o dinheiro para pagar seu salário”. O diretor falava, claro, de si mesmo, já que desempenhou todas essas funções para concretizar o drama, que retrata a situação-limite de um afegão (Gallo), fugitivo de uma prisão militar clandestina em plena Europa.
Novas atrizes
Foi uma grande surpresa também a premiação da jovem atriz francesa Ariane Labed com a Copa Volpi de melhor interpretação feminina, pelo filme grego “Attenberg”, de Athina Rachel Tsangari. Muita gente apostava na cubana Yahima Torres, protagonista do forte drama francês “Venus Noire”, de Abdellatif Kechiche, ou mesmo em Alba Rohrwacher, do concorrente italiano “La solitudine dei numeri primi”, de Saverio Costanzo. Nada disso. O júri preferiu a jovem Ariane que, segundo o jurado Gabriele Salvatores, “carrega nas costas boa parte do peso do filme”. Na história, Ariane interpreta uma jovem de 23 anos que se divide entre assumir a própria sexualidade (ela ainda é virgem) e a doença fatal de seu pai, numa Grécia contemporânea e cética em relação ao seu passado histórico.
Outra jovem atriz premiada foi Mila Kunis, coadjuvante do drama norte-americano “Black Swan”, de Darren Aronofsky, que abriu o festival, no último dia 1º. Foi dado a Mila o Prêmio Marcello Mastroianni, dedicado a um intérprete novato (não necessariamente estreante, como é o caso de Mila, uma ucraniana de 27 anos que tem feito sucesso no cinema dos EUA, em filmes como a aventura de ação “O Livro de Eli”, ao lado de Denzel Washington). Ela mandou seu agradecimento por um filmete, que foi exibido na premiação.
Muita gente, portanto, saiu da festa do Lido de mãos vazias. Apesar das apostas de parte da crítica, isto aconteceu com os concorrentes orientais, como os até aqui bem-cotados chineses “Detective Dee and the Mystery of Phantom Flame”, de Tsui Hark, e o político “The Ditch”, de Wang Bing. Os franceses (como o citado “Venus Noire” e a elogiada comédia “Potiche”, de François Ozon), e os quatro concorrentes italianos (“La Pecora Nera”, “Noi Credevamo”, “La Passione” e o citado drama de Saverio Costanzo) foram solenemente esnobados. O mesmo aconteceu com o único latino-americano da seleção principal, o sólido drama político chileno “Post Mortem”, de Pablo Larraín (diretor de “Tony Manero”).
Confira o trailer de "Somewhere":
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Gen Pés Descalços
Gen, Pés Descalços é uma animação japonesa, baseado na autobiografia de Keiji Nakasawa que virou mangá e depois um filme de animação em 1983. O filme conta o drama do menino Gen que vê todos os seus parentes e amigos serem mortos com a explosão da bomba atômica em Nagazaki, que decretou o fim da Segunda Guerra Mundial. A produção é chocante mesmo. Assista abaixo a um trecho do filme:
Retirado do blog Diário de Bordo do site Cinema em Cena: http://www.cinemaemcena.com.br/pv/BlogPablo/
Retirado do blog Diário de Bordo do site Cinema em Cena: http://www.cinemaemcena.com.br/pv/BlogPablo/
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Filmes Brasileiros inscritos para o Oscar 2011
Retirado so site Cineclick do Portal Uol Cinema ( http://cinema.cineclick.uol.com.br/noticia/carregar/titulo/oscar-2011-conheca-os-filmes-brasileiros-inscritos-para-selecao/id/27875/ )
OSCAR 2011:Conheça os filmes brasileiros inscritos para seleção
Da Redação
Nesta quarta-feira (8/9), o Ministério da Cultura divulgou os 23 filmes de longa-metragem inscritos para concorrer a uma vaga na categoria Melhor Filme de Língua Estrangeira na 83ª edição do Oscar, cerimônia que será realizada em 2011.
Os interessados mandaram material até o dia 30 de agosto de 2010 para Brasília, onde a Comissão Especial de Seleção analisou as produções. O anúncio do filme escolhido para representar o Brasil será feito no dia 23 de setembro.
A Comissão de Seleção será composta por membros indicados pelo Gabinete do Ministério da Cultura, pela Agência Nacional de Cinema do Brasil, pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e pela Sociedade Civil Organizada, representada pela Academia Brasileira de Cinema.
As cinco produções selecionadas para concorrer ao Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira deverão ser anunciadas somente em 25 de janeiro do próximo ano.
Confira abaixo a lista dos selecionados:
1.As Melhores Coisas do Mundo
2.A Suprema Felicidade
3.Antes que o Mundo Acabe
4.Bróder
5.Carregadoras de Sonhos
6.Cabeça a Prêmio
7.5X Favela - Agora Por Nós Mesmos
8.Chico Xavier
9.É Proibido Fumar
10.Em Teu Nome
11.Hotel Atlântico
12.Lula, o Filho do Brasil
13.Nosso Lar
14.Olhos Azuis
15.Ouro Negro
16.O Bem Amado
17.O Grão
18.Os Inquilinos
19.Os Famosos e os Duendes da Morte
20.Quincas Berro D’água
21.Reflexões de um Liquidificador
22.Sonhos Roubados
23.Utopia e Barbárie
Minha aposta de filme brasileiro para concorrer ao Oscar vai para "Broder" de Jeferson De, exibido no festival Panorama do Festival de Berlim e que foi destaque nos Festivais de Cinema de Gramado e de Paulínia, além de receber grandes elogios por parte da crítica. Em qual dessas produções você apostaria?
OSCAR 2011:Conheça os filmes brasileiros inscritos para seleção
Da Redação
Nesta quarta-feira (8/9), o Ministério da Cultura divulgou os 23 filmes de longa-metragem inscritos para concorrer a uma vaga na categoria Melhor Filme de Língua Estrangeira na 83ª edição do Oscar, cerimônia que será realizada em 2011.
Os interessados mandaram material até o dia 30 de agosto de 2010 para Brasília, onde a Comissão Especial de Seleção analisou as produções. O anúncio do filme escolhido para representar o Brasil será feito no dia 23 de setembro.
A Comissão de Seleção será composta por membros indicados pelo Gabinete do Ministério da Cultura, pela Agência Nacional de Cinema do Brasil, pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e pela Sociedade Civil Organizada, representada pela Academia Brasileira de Cinema.
As cinco produções selecionadas para concorrer ao Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira deverão ser anunciadas somente em 25 de janeiro do próximo ano.
Confira abaixo a lista dos selecionados:
1.As Melhores Coisas do Mundo
2.A Suprema Felicidade
3.Antes que o Mundo Acabe
4.Bróder
5.Carregadoras de Sonhos
6.Cabeça a Prêmio
7.5X Favela - Agora Por Nós Mesmos
8.Chico Xavier
9.É Proibido Fumar
10.Em Teu Nome
11.Hotel Atlântico
12.Lula, o Filho do Brasil
13.Nosso Lar
14.Olhos Azuis
15.Ouro Negro
16.O Bem Amado
17.O Grão
18.Os Inquilinos
19.Os Famosos e os Duendes da Morte
20.Quincas Berro D’água
21.Reflexões de um Liquidificador
22.Sonhos Roubados
23.Utopia e Barbárie
Minha aposta de filme brasileiro para concorrer ao Oscar vai para "Broder" de Jeferson De, exibido no festival Panorama do Festival de Berlim e que foi destaque nos Festivais de Cinema de Gramado e de Paulínia, além de receber grandes elogios por parte da crítica. Em qual dessas produções você apostaria?
domingo, 5 de setembro de 2010
Festival de Cinema de Veneza de 2010
Começou dia primeiro de setembro, a 67ª edição do Festival de Cinema de Veneza que acontece desde 1932, e é o mais antigo e um dos mais importantes da sétima arte. 24 filmes de 11 países do mundo concorrem ao prêmio principal Leão de Ouro na mostra competitiva. O melhor diretor recebe o Leão de Prata e o ainda há o Leão de Prata – Grande Prêmio do Júri. Também são exibidos filmes fora da mostra competitiva, na seção Horizontes (com prêmios próprios e filmes de diferentes formatos) e no Contracampo Italiano, destinada a produções do próprio país.
Nesta edição o filme de abertura foi Black Swan do americano Barren Aronofsky com Natalie Portman, Mila Kunis e Vincent Cassel. Nomes consagrados como Dustin Hoffman, Benicio Del Toro e Winona Ryder são alguns famosos que passarão pelo tapete vermelho do festival e outros como Martin Scorsese (com um documentário sobre o ótimo diretor Elia Kasan) e Robert Rodriguez exibirão seus filmes fora da mostra oficial. O Festival abre espaço para diversos diretores estreantes, dando destaque dessa vez a produção latino-americana. O Brasil estará representado na seção horizontes com o curta “O Mundo é Belo” de Luis Pretti e “Lope” de Andrucha Waddington.
O júri do festival que elegerá os melhores da mostra oficial conta com cineastas como o americano Quentin Tarantino como presidente do júri (e que recebeu um jantar em sua homenagem antes da estréia da cerimônia), o mexicano Guillermo Arriaga e o italiano Gabriele Salvatores. A grande polêmica do júri esteve na ausência do diretor iraniano Jafar Pahani, impedido de comparecer ao Festival por determinação do governo iraniano. No total, serão exibidas 83 produções, sendo que 79 estrearão oficialmente na cidade italiana. O orçamento do Festival é de 12 milhões de euros.
Mais sobre o Festival no Uol Cinema: http://cinema.uol.com.br/veneza/2010/
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Casablanca (1942)
Pedimos desculpas a todos os leitores pela falta de postagens por mais de um mês por conta de diversos problemas e principalmente falta de tempo. Pedimos a compreensão de todos e esperamos que voltem a acompanhar os posts que agora voltarão normalmente.
Casablanca, filme do diretor Michael Curtiz de 1942, é um dos grandes clássicos do cinema, sempre sendo citado entre os melhores filmes da história. O filme conta a história de Rick, dono de um conhecido bar em Casablanca no Marrocos, local que recebe inúmeros refugiados da Europa como rota de fuga da Segunda Guerra Mundial com destino aos EUA. Rick tem diversos problemas com a venda de passes livres para os Estados Unidos, mas sua dor de cabeça começa mesmo quando seu grande amor do passado, Ilsa, visita seu local de trabalho.
O grande mérito da produção é retratar uma história de conspirações, mentiras, disputas em um cenário conturbado e uma história de amor de modo muito sutil e particular. Sem grandes cenas de ação e de forte impacto visual, a competência do longa é movida pela intensidade dos diálogos e das interpretações dos atores. A construção de Rick, um homem aparentemente descrente de toda forma de relacionamentos afetivos, extremamente sarcástico e objetivo, é modificada lentamente com a chegada de Ilsa, que junto com seu marido também mostra ser durona, mas não se mantém assim durante a história. Por mais que os dois tentem esconder seus passados e sentimentos não conseguem ao se encontrarem. A produção é montada de forma muito inteligente: todo o cenário e a vida de Rick são apresentados para que enfim a trama principal se desenvolva. O flashback que retoma toda a história de amor dos personagens principais é muito eficaz e emocionante. E as atuações de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman são excelentes. Os dois estão muito a vontade em cena. É claro que outros temas como a afirmação do poder americano durante a Guerra e da ilusão de terra perfeita para todos também estão fortemente presentes.
É difícil imaginar que Casablanca teve tamanho êxito sabendo o que ocorreu em seus bastidores. A produção foi projetada para ser secundária e teve seu roteiro reformulado diversas vezes durante as filmagens. Os atores também se preocuparam em finalizar rapidamente seus trabalhos para poderem se dedicar a outras produções e Michael Curtiz dividiu a direção com diversos outros realizadores e teve um orçamento reduzido. Mas nada foi capaz de derrubar esse maravilhoso filme que ainda será lembrado por muito tempo.
Casablanca, filme do diretor Michael Curtiz de 1942, é um dos grandes clássicos do cinema, sempre sendo citado entre os melhores filmes da história. O filme conta a história de Rick, dono de um conhecido bar em Casablanca no Marrocos, local que recebe inúmeros refugiados da Europa como rota de fuga da Segunda Guerra Mundial com destino aos EUA. Rick tem diversos problemas com a venda de passes livres para os Estados Unidos, mas sua dor de cabeça começa mesmo quando seu grande amor do passado, Ilsa, visita seu local de trabalho.
O grande mérito da produção é retratar uma história de conspirações, mentiras, disputas em um cenário conturbado e uma história de amor de modo muito sutil e particular. Sem grandes cenas de ação e de forte impacto visual, a competência do longa é movida pela intensidade dos diálogos e das interpretações dos atores. A construção de Rick, um homem aparentemente descrente de toda forma de relacionamentos afetivos, extremamente sarcástico e objetivo, é modificada lentamente com a chegada de Ilsa, que junto com seu marido também mostra ser durona, mas não se mantém assim durante a história. Por mais que os dois tentem esconder seus passados e sentimentos não conseguem ao se encontrarem. A produção é montada de forma muito inteligente: todo o cenário e a vida de Rick são apresentados para que enfim a trama principal se desenvolva. O flashback que retoma toda a história de amor dos personagens principais é muito eficaz e emocionante. E as atuações de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman são excelentes. Os dois estão muito a vontade em cena. É claro que outros temas como a afirmação do poder americano durante a Guerra e da ilusão de terra perfeita para todos também estão fortemente presentes.
É difícil imaginar que Casablanca teve tamanho êxito sabendo o que ocorreu em seus bastidores. A produção foi projetada para ser secundária e teve seu roteiro reformulado diversas vezes durante as filmagens. Os atores também se preocuparam em finalizar rapidamente seus trabalhos para poderem se dedicar a outras produções e Michael Curtiz dividiu a direção com diversos outros realizadores e teve um orçamento reduzido. Mas nada foi capaz de derrubar esse maravilhoso filme que ainda será lembrado por muito tempo.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Jack Nicholson em "O Iluminado"
É muito difícil fazermos isso, mas hoje destacarei uma atuação de um único filme. Para mim a atuação de Jack Nicholson em O Iluminado é uma das melhores representações que eu já vi de um ator no cinema. O personagem de Nicholson, Jack Torrance encarna um escritor fracassado encarregado de cuidar de um hotel abandonado em pleno inverno junto com sua mulher e seu filho. Porém, a medida que o tempo passa, a fama de que o hotel abriga assombrações começa a se tornar real e começa a enlouquecer Jack. E é aí que começa a brilhar a estrela de Nicholson. O ator exibe um terror psicológico incrível. Suas expressões de loucura são totalmente espontâneas e convincentes, suficientes para dar ao filme a tensão esperada por Stanley Kubick. Apenas sua atuação já é um filme de terror a parte, especialmente quando tenta matar sua mulher e seu filho. Porém, ele também consegue ser incrivelmente sarcástico chegando a cantar a música do Três Porquinhos num dos momentos mais nervosos do filme. Tamanha naturalidade que nos dá a impressão de que ele se torna maior do que seus companheiros, apesar de Danny Boyle também ter um ótimo desempenho. Essa perfeição foi alcançada pela repetição incessante da mesma cena, marca característica do diretor. O fato é que Nicholson nos dá medo de uma maneira que poucos (ou nenhum) conseguem fazer e faz com que o filme de Kubrick seja ainda melhor.
Confira alguns vídeos da performance do ator em "O Iluminado":
quarta-feira, 21 de julho de 2010
O Trabalho de um crítico de cinema
O trabalho de um crítico de cinema não é fácil. Analisar e sintetizar os principais aspectos do filme é uma tarefa demorada e que depende de muitos fatores. No vídeo abaixo o crítico de cinema Pablo Villaça analisa sob um olhar crítico uma cena do filme de Martin Scorsese, Os Bons Companheiros. Confira:
terça-feira, 20 de julho de 2010
35mm
Ótima animação. O curta mostra 35 filmes em 2 minutos da forma mais simplificada possível. Consegue identificar todos?
35mm from Pascal Monaco on Vimeo.
35mm from Pascal Monaco on Vimeo.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
A Onda
A Onda é um filme original de 1981 lançado em formato de média-metragem para um programa de televisão. A história é baseada em fatos reais de uma escola na Califórnia, Estados Unidos, em 1967 e virou livro anos depois. Ano passado a produção foi relançada na Alemanha sob a direção de Dennis Gansel numa versão, para mim, muito mais completa e interessante que a anterior.
Acompanhamos a história do professor Rainer Wenger, responsável por ensinar a seus alunos sobre o tema autocracia. Como forma de explicar de maneira mais convincente sua idéia de que atualmente ainda é possível a imposição de uma ditadura na Alemanha, Wenger propõe um exercício prático aos seus alunos: ele passa a exigir mais disciplina em sala de aula e a partir disso seus alunos criam um movimento (chamado “A Onda”) organizado que com o tempo passa a ter símbolos, roupas e até uma saudação próprias. Mas, com o tempo, o grupo cresce e se une de tal forma que essa situação sai completamente do controle do professor. Os alunos passam a pichar o símbolo do movimento nas ruas, se envolvem em brigas e outras formas de violência, estigmatizam e excluem todos aqueles que não participam do “A Onda”. Porém, todos os envolvidos com o movimento se sentem muito melhores do que antes. A sensação de união, de solidariedade e respeito as diferenças, onde ninguém é superior a ninguém são os sentimentos mais ressaltados por eles. Tudo o que realmente importa passa a ser o grupo, com cada um perdendo suas individualidades e ainda por cima com a sensação de superioridade sobre aqueles que não fazem parte do grupo.
Diversas relações entre amigos e familiares começam a se distanciar com o comprometimento cada vez maior com “A Onda”. Tudo isso é comprovado com muita calma através de um roteiro que procura explorar e valorizar cada uma dessas ações de degradação humana. Com isso, diversos perfis começam a se destacar, garantindo ainda mais força a mensagem final do filme. O perturbado Tim ameaça com armas pessoas que não fazem parte do “A Onda”, foge de casa e vai pedir ajuda na casa de seu professor e grande “chefe” do grupo. O professor Wenger briga com sua mulher uma vez que ela não entende o porquê do movimento, e passa a sentir que é melhor que os outros professores, já que suas aulas fazem muito mais sucesso. Marco acaba seu namoro e até bate em Karo, aluna que critica e procura acabar com o movimento. Ela, inclusive, é vista por nós como uma vilã. Afinal, também ficamos comovidos com tamanha união e dedicação das pessoas a um grupo. Por outro lado, também nos assustamos com que cada membro é capaz de fazer pelo movimento. Ninguém tem a consciência dos danos que o movimento causa aos outros e a si mesmo e de qual o seu verdadeiro objetivo.
Tudo isso nos faz pensar em outra questão a ser explorada: a facilidade de manipulação com os jovens. Hoje podemos perceber que grupos como os skinheads e neo-nazistas se mantém especialmente devido a participação dos jovens. Diversos movimentos como esses e até manifestações populares como as “Diretas Já” ganharam força com os mais jovens por conta da sua capacidade de união, organização em grupo e crença em uma ideologia. E talvez mais recorrente entre pela indefinição comum de seus objetivos na vida e tentativas de se sentir incluído em algum grupo. Apesar de não haver uma ideologia pré definida no “A Onda”, a mesma coisa acontece com seus participantes. O personagem Tim é o grande exemplo e chega a dizer: “A Onda” é minha vida. Afinal, um grupo é sempre mais forte do que a individualidade.
Com um elenco repleto de ótimas atuações e uma ótima direção “A Onda” é um filme que traz longas reflexões que, mesmo após o filme, podem produzir boas discussões históricas (e entendemos o porquê algo como o nazismo e o fascismo obteve êxito durante tanto tempo), sociológias e psicológicas, especialmente com um chocante e perturbador final que nos faz compreender o quanto um movimento desses pode ser tão perigoso.
Confira o trailer:
Renan Araújo
Acompanhamos a história do professor Rainer Wenger, responsável por ensinar a seus alunos sobre o tema autocracia. Como forma de explicar de maneira mais convincente sua idéia de que atualmente ainda é possível a imposição de uma ditadura na Alemanha, Wenger propõe um exercício prático aos seus alunos: ele passa a exigir mais disciplina em sala de aula e a partir disso seus alunos criam um movimento (chamado “A Onda”) organizado que com o tempo passa a ter símbolos, roupas e até uma saudação próprias. Mas, com o tempo, o grupo cresce e se une de tal forma que essa situação sai completamente do controle do professor. Os alunos passam a pichar o símbolo do movimento nas ruas, se envolvem em brigas e outras formas de violência, estigmatizam e excluem todos aqueles que não participam do “A Onda”. Porém, todos os envolvidos com o movimento se sentem muito melhores do que antes. A sensação de união, de solidariedade e respeito as diferenças, onde ninguém é superior a ninguém são os sentimentos mais ressaltados por eles. Tudo o que realmente importa passa a ser o grupo, com cada um perdendo suas individualidades e ainda por cima com a sensação de superioridade sobre aqueles que não fazem parte do grupo.
Diversas relações entre amigos e familiares começam a se distanciar com o comprometimento cada vez maior com “A Onda”. Tudo isso é comprovado com muita calma através de um roteiro que procura explorar e valorizar cada uma dessas ações de degradação humana. Com isso, diversos perfis começam a se destacar, garantindo ainda mais força a mensagem final do filme. O perturbado Tim ameaça com armas pessoas que não fazem parte do “A Onda”, foge de casa e vai pedir ajuda na casa de seu professor e grande “chefe” do grupo. O professor Wenger briga com sua mulher uma vez que ela não entende o porquê do movimento, e passa a sentir que é melhor que os outros professores, já que suas aulas fazem muito mais sucesso. Marco acaba seu namoro e até bate em Karo, aluna que critica e procura acabar com o movimento. Ela, inclusive, é vista por nós como uma vilã. Afinal, também ficamos comovidos com tamanha união e dedicação das pessoas a um grupo. Por outro lado, também nos assustamos com que cada membro é capaz de fazer pelo movimento. Ninguém tem a consciência dos danos que o movimento causa aos outros e a si mesmo e de qual o seu verdadeiro objetivo.
Tudo isso nos faz pensar em outra questão a ser explorada: a facilidade de manipulação com os jovens. Hoje podemos perceber que grupos como os skinheads e neo-nazistas se mantém especialmente devido a participação dos jovens. Diversos movimentos como esses e até manifestações populares como as “Diretas Já” ganharam força com os mais jovens por conta da sua capacidade de união, organização em grupo e crença em uma ideologia. E talvez mais recorrente entre pela indefinição comum de seus objetivos na vida e tentativas de se sentir incluído em algum grupo. Apesar de não haver uma ideologia pré definida no “A Onda”, a mesma coisa acontece com seus participantes. O personagem Tim é o grande exemplo e chega a dizer: “A Onda” é minha vida. Afinal, um grupo é sempre mais forte do que a individualidade.
Com um elenco repleto de ótimas atuações e uma ótima direção “A Onda” é um filme que traz longas reflexões que, mesmo após o filme, podem produzir boas discussões históricas (e entendemos o porquê algo como o nazismo e o fascismo obteve êxito durante tanto tempo), sociológias e psicológicas, especialmente com um chocante e perturbador final que nos faz compreender o quanto um movimento desses pode ser tão perigoso.
Confira o trailer:
Renan Araújo
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