segunda-feira, 31 de maio de 2010

CINECLUBE01 Comenta: Vanilla Sky


Vanilla Sky é um filme que pode dividir opiniões, mas é feito principalmente para agradar o público de maneira geral. A produção é uma refilmagem do filme Abre los Ojos de Alejandro Amenábar de 1997, considerado pelos críticos um filme muito mais completo e profundo do que a versão considerada superficial do diretor Cameron Crowe. Acompanhamos ao longo da trama a história de David Aames, um ricaço que herdou dos pais uma enorme fortuna e controla grandes empresas. Ocasionalmente ele se relaciona com sua amiga Jullie Gianni (Cameron Diaz), que morre de ciúmes ao perceber a aproximação entre David e Sofia (Penélope Cruz). Em um ataque de loucura, Jullie provoca um grave acidente (com David ao seu lado) que lhe tira a vida e faz com que David tenha dúvidas do que é real ou sonho em sua vida.



                O filme possui um bom enredo. Isso é fato. Mas a forma como a história é contada ao longo do filme provoca diversas dúvidas no espectador. O diretor Cameron Crowe opta por contar uma história de forma não linear a partir do que David conta a seu psicólogo. Porém, ficamos confusos sobre a ordem em que as coisas acontecem e principalmente sobre o que é sonho e o que é realidade, uma vez que isso é revelado de forma antecipada ao espectador. Outra coisa que particularmente me decepcionou muito foi o final (é claro que não vou contá-lo). Tudo o que acontece como forma de explicar o filme parece absurdo demais. Parece que foi feito apenas para esclarecer o que não ficou claro ao longo da história. 



                Mas também há pontos positivos no filme. A relação entre perdas e ganhos entre David e Sofia, arrependimentos e a reflexão sobre o que é real ou sonho em nossas vidas (ou o que queremos que seja real ou não) nos emociona em vários momentos. Paramos para pensar no que um verdadeiro amor representa e no quanto sua ausência faz falta. Se por um lado, o diretor opta por uma narração um pouco confusa, ele também escolhe planos de câmera que valorizam os sentimentos dos atores e conseguem passar ao espectador toda a confusão mental presente na mente de David. A fotografia e a trilha sonora também são espetaculares. Já no quesito atuação o filme também deixa um pouco a desejar. Tom Cruise parece exagerar em certos momentos com suas expressões principalmente em momentos de dor e sofrimento. Penélope Cruz chama mais atenção por conta de sua beleza do que pela atuação que pouco convence. Já Cameron Diaz está muito bem e transmite todo o descontrole de sua personagem, característica que desenrola toda a história. 



                Vanilla Sky agrada muita gente porque engloba diversos aspectos típicos de um filme hollywodiano, como um final impressionante, belos efeitos e com uma produção elaborada de modo geral. Porém, isso não parece compensar todos os problemas existentes durante a produção. Tinha tudo para se produzir um filme muito mais interessante do que foi realizado.

Texto de Renan Araújo
PS: Como eu e o Guilherme temos opiniões diferentes a respeito desse filme, resolvemos identificar o autor do texto



domingo, 30 de maio de 2010

O retorno de Polanski com "O Escritor Fantasma"

Polanski retorna com suspense hitchcockiano

O escritor sem nome interpretado por Ewan McGregor

O destaque dessa semana marca o retorno do diretor Roman Polanski ao cinema. O título “O Escritor Fantasma” resume bem o protagonista, que por sinal não tem seu nome citado no desenvolver da narrativa e cujo trabalho é escrever uma obra sem receber os créditos pela mesma. O tal escritor (Ewan McGregor) fora contratado para concluir uma autobiografia do ex primeiro ministro do Reino Unido Adam Lang (Pierce Brosnan), tentando limpar a sua imagem com o objetivo de mostrá-lo como uma boa pessoa.

O ghostwriter não possui família, amigos e tem apenas uma obra em seu currículo e algo que ele não esperava era descobrir que o antigo encarregado por esse trabalho havia sido encontrado morto sob circunstancias misteriosas. Conforme suas investigações progridem suas descobertas acabam deixando-o em perigo.


Adam Lang, personagem que pode ser relacionado com Polanski e até
mesmo com o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair


O longa intitulado “O Escritor Fantasma” trata-se de uma ficção que flerta, de uma forma ou de outra, com a realidade. Adam Lang seria a versão cinematográfica de Polanski, que ao invés de estar envolvido com escândalos sexuais vem sendo acusado por crimes de guerra. O ex ministro que supostamente entregava criminosos para serem torturados pela CIA, tem os EUA como aliado, pois não o entregam para que seja julgado pela corte européia. Já Polanski vive uma situação parecida, já que a Europa está lhe ajudando enquanto a corte americana prepara seu julgamento.
O personagem de Brosnan poderia ser comparado com outro individuo, mas esse também envolvido com a política: o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair, que recentemente testemunhou em um inquérito sobre a participação do seu governo na guerra do Iraque. Coincidência ou não, todos esses elementos estão ali presentes, deixando o suspense ainda mais eletrizante.


Roman Polanski: cineasta, nos últimos tempos, vem ganhando
mais destaque devido os escândalos sexuais

“O Escritor Fantasma” foi gravado e concluído em um período conturbado para Polanski. O cineasta que estava envolvido com a justiça por crimes sexuais ocorridos no passado, acabou não participando do final da filmagem devido a sua prisão pela Justiça Suíça. Em coletiva realizada no Festival de Berlim (onde Polanski não compareceu mas acabou ganhando o Urso de Prata de melhor diretor) o produtor Robert Benmussa falou um pouco sobre as dificuldades na conclusão das gravações. “Continuamos rodando o filme com ele na prisão. Mandávamos o material através do seu advogado”, disse. Mesmo com toda essa situação, Polanski merece o reconhecimento por mais uma obra dentro da sua já conceituada filmografia. Talvez este não seja um dos seus melhores filmes, mas o clima de suspense que envolve essa obra torna-a uma boa pedida.









segunda-feira, 24 de maio de 2010

Vencedores Festival de Cannes 2010

 
Texto retirado do site Cinema em Cena: http://www.cinemaemcena.com.br/Premiacao_Detalhe.aspx?ID_PREMIO=7&ID_PREMIACAO=1482

As honras foram feitas: já são conhecidos os vencedores do Festival de Cannes de 2010, que aconteceu entre os dias 12 e 23 de maio na cidade francesa.
O destaque da premiação foi o cinema asiático. Lung Boonmee Raluek Chat, do diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul, arrematou a Palma de Ouro principal. O filme foi inspirado em uma fábula budista que conta a história de um homem que toma a decisão de passar os últimos dias de sua vida na selva. Lá, ele vê o fantasma de sua esposa morta e de seu filho desaparecido. Já o sul-coreano Lee Chang-Dong levou para casa o prêmio de melhor roteiro, por Poetry.
Nas categorias de atuação, venceram europeus. A francesa Juliette Binoche foi a vencedora por seu trabalho em Copie Conforme, dirigido por Abbas Kiarostami. Já o prêmio de melhor ator foi dividido entre o espanhol Javier Bardem, por Biutiful, e o italiano Elio Germano, por sua atuação em La Nostra Vita.
Deu Europa também no prêmio de melhor direção. Quem levou foi o francês Mathieu Amalric, por Tournée. Também da França, Xavier Beauvois arrematou o Grande Prêmio pelo longa Des Hommes Et Des Dieux.
Uma surpresa agradável foi a categoria Prêmio do Júri que honrou o filme Um Homem que Chora, de Mahamat-Saleh Haroun, primeira produção africana na competição em 13 anos. Dá nome ao filme o poema de Martinica Aimé Cesaire, que diz que "um homem que grita não é um urso que dança", e conta a tragédia do Chade e sua guerra civil através de uma pequena história familiar.
Confira abaixo a lista completa:

Palma de Ouro
Lung Boonmee Raluek Chat (Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives), de Apichatpong Weerasethakul

Melhor Ator
Javier Bardem, por Biutiful
Elio Germano, por La Nostra Vita

Melhor Atriz
Juliette Binoche, por Copie Conforme (Certified Copy)

Melhor Direção

Mathieu Amalric, por Tournée (On Tour)

Melhor Roteiro
Lee Chang-Dong, por Poetry

Curta-metragem
Un Chienne d´Histoire, de Serge Avedikian

Câmera de Ouro
Año Bisiesto

Prêmio do Júri
Um Homem que Chora (Un Homme qui Crie), de Mahamat-Saleh Haroun

Grande Prêmio
Des Hommes et des Dieux (Of Gods and Men), de Xavier Beauvois
(J.S.)

sábado, 22 de maio de 2010

Veja o que acontece quando um filme trash ganha uma refilmagem


"Fúria de Titãs" é um amontoado de clichês para enganar os fãs do original de 1981

“Fúria de Titãs” nada mais é do que um remake de um filme que já não era bom em sua versão original. Se você acompanha o blog já deve ter reparado que nos últimos tempos a moda é repaginar ou regravar totalmente (vide “A hora do pesadelo”) algum longa antigo. E muitas vezes (na sua maioria) isso não acaba dando certo e “Fúria de Titãs” não é uma exceção. Para os saudosistas da década de 80 que esperavam ver na telona a relação do semideus Perseu e a princesa Andrômeda sairão do cinema um pouco decepcionados. A nova versão se preocupa mais em mostrar a vingança de Perseu contra os deuses que mataram seus pais adotivos, deixando o romance que era a essência do primeiro filme de fora da trama.

Cena do "clássico" trash de 1981

O enredo do filme é um problema sério, pois é cheio de buracos e subtramas que terminam em aberto. Talvez o único elemento que ajude mesmo dentro da obra são os efeitos especiais, caso contrário o expectador poderia muito bem levantar e ir embora da sala de cinema sem nenhum peso na consciência. Indo mais além, ousaria em dizer que os efeitos especiais estão ali para compensar a falta de qualidade da narrativa.

Como disse Rodrigo Zavala do Cineweb, “Quando se trata de refilmagens, nem sempre é bom comparar o resultado final das produções”. Isso se encaixa perfeitamente nesse longa repleto de clichês e que nada tem a ver com o original trash de 1981. E que me perdoem os fãs.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Videoteca Básica - Dogville


Dogville é um filme fantástico. O diretor Lars Von Trier realiza com grande simplicidade e pouquíssimos recursos um retrato fiel que desmascara todas as verdades sobre as relações entre os seres humanos. A história se passa durante a Grande Depressão nos Estados Unidos em uma pequena cidade chamada Dogville, isolada do mundo inteiro. Grace é uma jovem que foge de mafiosos e acaba parando na cidade. A polícia procura por ela, mas os habitantes de Dogville aceitam a proposta de Tom para ajudá-la escondendo-a no local em troca de diversos serviços para os moradores. Aos poucos a polícia vai intensificando a busca e com isso, os habitantes se vêem obrigados a exigir ainda mais de Grace em troca do perigo constante que estão correndo ao protegê-la.


A partir do momento em que começam a se sentir prejudicados, os moradores de Dogville vão abandonando as aparências de boas pessoas e mostrando quem elas realmente são. A exploração de Grace se mostra necessária para o próprio bem-estar das pessoas que lá moram. Mesmo quando tem a opção de deixá-la ir embora, todos preferem continuar tendo Grace como uma escrava. Sob a condição e explorada, ela é vítima de uma série de mentiras que a colocam como fonte de todos os problemas que envolvem os habitantes do local sem ter o direito de protestar ou reclamar.  Esse enredo já constituiria uma história e tanto, mas o grande diferencial da produção é a ausência de cenários. É a primeira coisa que nos chama a atenção quando vemos qualquer cena. Tudo o que há são riscos no chão para marcar as casas, ruas e demais objetos e algumas mesas e camas. É esse vazio que nos dá a impressão de falta de privacidade e de que nenhum tipo de segredo entre qualquer pessoa pode ser guardado. Ao mesmo tempo, tudo parece acontecer embaixo dos narizes de todos sem que ninguém perceba nenhuma atitude suspeita. 



Dogville traz ao cinema a união dos mais diversos tipos de arte. Durante o longa, temos um grande estudo psicológico dos personagens marcado por uma narração objetiva, que nos deixa claro cada inquietação ou pensamento que cada misterioso personagem possui, o que é uma marca característica da literatura. A falta de cenários e o fundo branco de dia e preto de noite, que dão à cidade uma grande sensação de solidão em relação ao resto do mundo, trazem elementos do teatro. E a nervosa movimentação da câmera, que traz um sentimento de desconforto, é típica de um cinema até mesmo mais documental ou amador. O desempenho dos atores também é fenomenal especialmente Nicole Kidman. A atriz traz a Grace um ar de mistério por conta de seu passado. Sua ingenuidade que lhe permitiu acreditar que os moradores daquela simpática cidade fossem pessoas melhores do que as que ela conhecia e com isso vem a tona o sentimento natural de decepção, apesar de ela se mostrar muitas vezes acostumada ao sofrimento. Essa decepção é ainda maior em relação a Tom, que se mostrava sempre tão carinhoso e prestativo, mas que mostrou ser humano demais. Grace revela em diversas condições a verdade sobre muitos de seus moradores. E é isso afinal que tanto os incomoda. A mentira é para eles parece muito mais confortável. 



Tudo isso é mais próximo do que imaginamos. Afinal, Dogville pode ser qualquer outro lugar do mundo. O retrato do diretor Lars Von Trier nada mais é do que um panorama perfeito sobre um ser humano completamente individualista e oportunista, e que, em muitas vezes parece ser um retrato de nós mesmos.

sábado, 15 de maio de 2010

Um herói decadente

Russel Crowe: não agrada no papel de Robin Hood

Ontem não foi um bom dia para estréias. Talvez o mais relevante (não por sua importância e sim pelos nomes envolvidos na produção) é a adaptação para a telona do lendário personagem “Robin Hood” pelas mãos do diretor Ridley Scott. O filme, de forma bem direta, é fraco. A narrativa parece não engrenar nas duas horas e vinte minutos de exibição, e Russell Crowe não representa muito bem o imaginário de Robin Hood. No alto de seus 45 anos, Crowe que ganhou o Oscar em 2001 como melhor ator pelo filme “Gladiador” (sendo a direção também de Scott) não anima. O longa não é envolvente e a esperada jornada emocionante do protagonista não acontece da forma que era esperada. E você, tem uma opinião diferente? Gostou do filme? Comente!

Assista o trailler da produção:

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Festival de Cinema de Cannes 2010


O Festival de Cinema de Cannes, cidade ao sul da França, é um dos mais importantes e reconhecidos festivais do mundo. A premiação foi criada por Jean Zay e a primeira edição ocorreu em 1946 e a partir de 1955 foi introduzido a Palma de Ouro, como prêmio máximo do evento. Desde o início o grande diferencial da cerimônia é abrir espaço não apenas para os grandes blockbusters, mas também para produções alternativas de diversos países do mundo. Desde o início além dos grandes mestres do cinema, estudantes e iniciantes na sétima arte também já foram premiados. O festival é dividido em quatro mostras principais: Filmes em competição, filmes fora de competição, Mostra Um Certo Olhar, Semana da Crítica. Também há mais duas paralelas: Quinzena dos diretores e o Cinde-Fundação. Entre os filmes em competição existe uma seção para curtas e uma para longas-metragens. Além da Palma de Ouro, são premiados o melhor ator, atriz, diretor e cenarista. O Gran Prix é o troféu para o filme de maior originalidade e um júri especializado, que conta com oito pessoas ligadas ao cinema como Tim Burton e Benicio Del Toro, ainda premia um filme separadamente. 


O Festival desse ano começou ontem e vai até o dia 23 de maio. A mostra competitiva recebe atenção menor em relação aos últimos anos e a mostra alternativa com produções mais independentes começa a ganhar seu espaço. Essa é a aposta do diretor do Festival Thierry Frémaux. Na competição há apenas um filme americano concorrente, o que não acontecia desde 1987, porém as produções norte-americanas causam grande alvoroço. Foi o que aconteceu no primeiro dia com a exibição de Robin Hood, de Ridley Scott com as presenças de Cate Blanchett e Russel Crowe. O Brasil está representado apenas nas mostras altenativas com o curta “Estação”, de Márcia Faria e “Cinco Vezes Favela – Por Nós Mesmos”, projeto de Cacá Diegues, que está fora de competição. 

                                                                                     Robin Hood de Ridley Scott
Fontes:
http://cinema.uol.com.br/cannes/ultnot/2010/05/12/em-cannes-2010-o-cinema-em-crise-pode-render-boas-surpresas.jhtm
http://br.cinema.yahoo.com/promo/cannes/sobreofestival.html
Saiba mais sobre o festival:
Filmes fora de competição:
http://cinema.uol.com.br/cannes/ultnot/2010/05/11/brasil-presente-em-varias-secoes-do-festival-de-cannes.jhtm
Todos os vencedores:
http://cinema.uol.com.br/cannes/ultnot/2010/05/11/as-palmas-de-ouro-do-festival-de-cannes.jhtm
Acompanhe as notícias do evento no Uol Cinema: http://cinema.uol.com.br/