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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Videoteca Básica: Forrest gump - O Contador de Hitórias




 O que há de tão especial na vida de Forrest Gump para que sua vida fosse contada em um dos filmes de maior sucesso de Hollywood na década de 1990 e ganhador de seis Oscars em 1995? Essa era a pergunta que fiz antes de assistir a esse filme que todos sempre comentavam. E confesso que sua história me impressionou muito. Desde o início acompanhamos a trajetória de Forrest Gump (Tom Hanks) contada por ele mesmo para qualquer pessoa que estivesse ao seu lado enquanto espera em um ponto de ônibus. Forrest se mostra um sujeito totalmente ingênuo e inocente, com uma capacidade intelectual muito abaixo do normal e por conta disso, sofre com diversos tipos de preconceito. Mas, mesmo desacreditado e usado por muitos para interesses alheios, Forrest supera todos os obstáculos e consegue ganhar na vida. Torna-se um jogador famoso de futebol americano, de pingue-pongue, luta na Guerra do Vietnã, monta uma empresa de pesca, se forma na faculdade e recebe diversas homenagens do governo americano. Enfim, de uma forma ou de outra, acaba envolvido em alguns dos fatos mais importantes dos Estados Unidos na década de 1940. E tudo isso mantendo sua visão idealista e bondosa do mundo. Ele faz questão de cumprir a promessa de que faz ao seu amigo Bubba durante a guerra e de salvar o maior número possível de soldados no conflito. Também nutre uma paixão por Jenny Curan (Robin Wright Penn), que conheceu logo quando criança.



Forrest Gump pode ser visto de duas formas. A primeira é enxergar o filme como uma crítica aos próprios americanos e a todos aqueles que estigmatizam os, digamos assim, “diferentes”. Afinal, Forrest sempre foi chamado de burro, excluído de todos os tipos de atividades por uma sociedade extremamente conservadora ou mesmo usado para o interesse particular de alguns. Logo, todos nós temos um pouco de Forrest Gump quando nos submetemos ao sistema (e quando somos excluídos por estar fora dele), mesmo que não percebamos isso. Mas, mesmo assim, Forrest supera tudo: participa de diversos acontecimentos, fica famoso e reconhecido pelo que fez e fatura muito dinheiro. A segunda maneira é interpretar o filme como uma propaganda americana. Forrest trabalhou muito, lutou, superou as dificuldades e conseguiu uma vida confortável, com tudo o que o american way of life oferece. Esse era o grande lema do capitalismo: com o trabalho de cada um, todos podem viver numa sociedade igual e feliz. Resumindo, Forrest também pode ser visto como um símbolo do capitalismo dos Estados Unidos. (O filme se passa em 1954, ou seja, era apropriado para a época). E é claro que um filme assim na década de 1990 é uma massagem no ego de todos os americanos. Isso com certeza pode explicar a vitória de Forrest Gump como melhor filme contra o excelente Pulp Fiction. Talvez a própria intenção do diretor tenha sido colocar o espectador em dúvida sobre o real sentido do filme. 



Tom Hanks é absolutamente brilhante em cena. Consegue trazer para o espectador a simpatia, graça e ingenuidade típicas que caracterizam seu personagem. Também é muito engraçado em diversos momentos, mesmo que seu objetivo não fosse esse. Por isso, traz uma personalidade única ao seu personagem. Bubba, personagem de Mykelti Williansom é a versão mal sucedida de Forrest Gump. Sempre alegre, divertido e sonhador ele vê em Forrest um amigo único e que o entende perfeitamente. Porém, sua morte na guerra ao lado do companheiro frustra seus sonhos de montar um barco de pesca para conseguir muitos camarões. Por ser negro, seu “fracasso” na vida também pode ser visto como uma crítica ao racismo por parte do diretor. Jenny, muito bem interpretada por Robin Wright Penn, é uma mulher que sofre com os traumas da infância e sempre se envolve em situações perigosas. Ela foge de Forrest, embora pareça realmente estar feliz quando está próxima a ele. O fato é que Forrest Gump é um filme para ser visto algumas vezes, até para que consigamos entender outros sentidos implícitos na produção. E claro, é uma ótima opção de entretenimento para pessoas de qualquer idade.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Taxi Driver


Taxi Driver é um grande clássico do cinema que popularizou grandes nomes do cinema como o do diretor Martin Scorsese, do ator Robert de Niro e da atriz Jodie Foster. O protagonista é o ex-fuzileiro naval Travis Bickle (Robert de Niro) que procura emprego como taxista em Nova York. Ele sofre de insônia e se diverte assistindo filmes pornográficos nas horas vagas. Ele também tenta conquistar o coração de Betsy (Cybill Sheperd) que trabalha numa campanha eleitoral.



                É notável o desprezo de Travis pelas prostitutas, bandidos e demais marginalizados com quem encontra e convive diariamente. Durante o filme, ele apenas os observa (em alguns momentos o filme se torna um pouco monótono por isso) e a partir do momento em que vê a prostituta Iris Steensma sendo maltratada passa a enfrentá-los (é aí que começa a ação do filme). A atrapalhada aproximação de Travis com Betsy que o despreza quando ele a leva para assistir a um filme pornô ilustra sua tentativa de compensar sua solidão e ao mesmo tempo exibe sua total alienação. Todas essas características compõem o frágil perfil emocional do personagem que se vê obrigado a voltar a lidar com armas a fim de enfrentar aqueles que ele detesta. Aparentemente tranqüilo, ele se mostra um misterioso assassino que não consegue lidar bem com frustrações e indignações com a sociedade e procura um bom motivo para justificar a sua existência.



                As atuações do filme são realmente fantásticas. Robert de Niro interpreta o conturbado Travis de maneira brilhante. Seu personagem adquire uma personalidade imprevisível através de diálogos memoráveis e ações impensadas que ganham força na pele de de de Niro. Jodie Foster com 12 anos interpreta uma prostituta de modo brilhante para alguém de sua idade. Outro destaque são os simbólicos planos de câmera utilizados por Scorsese sempre para acrescentar alguma informação à cena. Esse é o caso da cena em que Travis busca a reconciliação com Betsy por telefone e percebemos que está se constrangendo com o simples distanciamento da câmera da cena para um corredor vazio. O trabalho de fotografia também traz um belo clima mais sombrio à cena do assassinato e, para deixar o filme com aparência menos violenta, deixou o sangue mais escuro.



                Taxi Driver é aquele tipo de filme que te faz pensar mesmo após seu encerramento e que nos abala de alguma forma com uma história surpreendente que não poupa nada do espectador. Semana passada, surgiram rumores de que o filme pode ganhar uma refilmagem com de Niro e Scorses com a colaboração de Lars Von Trier (Dogville e Dançando no Escuro), mas que ainda não se confirmaram. É esperar para ver. 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Pulp Fiction - Tempos de Violência


Essa é mais uma polêmica e uma das melhores obras (senão a melhor) de Quentin Tarantino.  O filme traz quatro histórias que se interligam de alguma maneira e envolvem o mundo do tráfico de drogas e da bandidagem numa trama com perseguições, assassinatos e cenas memoráveis. Em uma delas, Vincent Vega (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) cobram os negócios de Marsellus Wallace, seu chefe. Em uma Vega tem que sair com a mulher de seu chefe. Na outra, um boxeador que deveria perder uma luta tem que escapar da vingança do gângster. Paralelamente, dois bandidos tentam assaltar uma lanchonete.



                A grande sacada do filme é o fato de ser contada de forma não linear, com todas as histórias sendo recuperadas e fazendo sentido de alguma forma, o que surpreende o espectador. Impressiona também a tranqüilidade e facilidade de matar, vender drogas ou simplesmente esconder um corpo. O diálogo memorável entre Vega e Jules antes de executarem um homem exprime bem isso, assim como na crença e nas conversas de Jules em Deus. Talvez o grande destaque do longa seja a vingança àqueles que o prejudicaram e a troca de favores entre os que devem algo um para o outro. Isso em meio  ótimos momentos de humor, de ação e de reviravoltas marcantes na trama.   



                Pulp Fiction tem um elenco recheado de estrelas. John Travolta, Samuel L. Jackson, Uma Thurman e Bruce Willis são grandes atrações que tem um desempenho impecável. Merecem destaque as engraçadas e irônicas conversas entre Travolta e Jackson, a passagem da Bíblia que Jules repete antes de matar alguém e os grandes momentos com Thurman e Travolta.  Também usa bons planos de câmera, deixando as cenas ainda mais originais. Há quem ache Pulp Fiction muito violento. Mas ela é apenas um elemento necessário para que se tenha uma produção genial. Com certeza, é uma ótima pedida. 

Confira algumas cenas inesquecíveis do filme:







domingo, 7 de fevereiro de 2010

Videoteca Básica - O Sexto Sentido


Esse é um dos melhores e mais conhecidos filmes de suspense dos últimos anos. A trama traz a tentativa do terapeuta Malcolm Crowe (Bruce Willis), que tenta se recuperar do trauma de um suicídio de um ex-paciente em sua própria casa, de curar o garoto Cole Sear (Haley Joel Osment) das dificuldades de convivência e das alucinações que ele vê. Seus problemas atormentam sua mãe, que não sabe o que fazer.

É comovente a bela aproximação entre o psicólogo e o garoto através de uma relação muito sincera. Ela acaba sendo até mais importante do que as próprias visões de Cole. O menino mostra, com cada atitude, uma personalidade intrigante que surpreende e faz com ele se torne ainda mais misterioso. Aliás, nesse filme cada detalhe é importante para o entendimento da história a fim de solucionar um quebra-cabeça que termina com um final completamente inesperado. Esse é o maior mérito do diretor M. Night Shyamalan. Ele consegue com enorme talento dar uma importância enorme a uma cena aparentemente despretensiosa. 
As atuações de Bruce Willis e Haley Joel Osment são impecáveis. Osment transmite através de suas ótimas expressões e olhares um medo incomum. Misturando a inocência da infância com uma grande maturidade, Osment é incrível. É uma das melhores atuações de uma criança no cinema. Bruce Willis também traz uma grande sensibilidade ao seu personagem, principalmente nos diálogos com Cole. A fotografia e os cenários contribuem para dar um clima de suspense e de degradação emocional, como nas cenas na casa de Cole e nas conversas entre Cole e Malcolm em diversos ambientes. Contribuem para isso as boas caracterizações dos espíritos vistos pelo garoto e também o desequilíbrio emocional de Lynn Sear (Toni Collette que também tem uma ótima interpretação), mãe de Cole que se mostra desesperada com os problemas do filho. O Sexto Sentido é um clássico que merece ser assistido algumas vezes pelos fãs de cinema.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Videoteca Básica - Festim Diabólico (1948)


“Festim Diabólico” é instigante, um dos maiores suspenses de todos os tempos. Gravado inteiramente em estúdio, Festim tem como fio condutor o assassinato de David (Dick Hogan) por Brandon (John Dall) e Phillip (Farley Granger) à luz do dia no apartamento dos dois. Os amigos são motivados pela vontade de cometer o “crime perfeito” e por se considerarem intelectualmente superiores à David, um antigo conhecido. Brandon e Phillip tratam a ação cometida com frieza e ar de superioridade, escondendo o corpo em um baú que seria posteriormente transformado em mesa para um jantar que ambos iriam realizar para os parentes e amigos da vítima. Porém Rupert Cadell (interpretado por James Stewart), antigo professor da dupla e convidado de ambos, estranha toda a ocasião e começa a achar pistas do acontecido.

Dirigido por Alfred Hitchcock em 1948, “Rope” (título original) foi baseada na peça teatral de Patrick Hamilton, que foi inspirada em um famoso crime chamado “caso Leopold e Loeb”, onde os respectivos adolescentes alegaram que foram influenciados pela obra de Nietzsche para cometer o assassinato do garoto Bobby Frank de 14 anos em 1924 na cidade de Chicago. Esse caso foi muito repercutido na época, sendo que foi até mesmo apelidado de “julgamento do século”.

Festim é uma espécie de teatro gravado. Toda a trama acontece no apartamento dos assassinos e a técnica de gravação nos dá a impressão de que tudo se passa em apenas um take, pois os cortes foram “escondidos”. Isso não compromete o filme, muito pelo contrário, o suspense se intensifica com essa forma de gravação. Foi o primeiro filme colorido de Alfred Hitchcock.

As atuações são outro ponto importante da obra. James Stewart, que viria anos depois a trabalhar em outros filmes dos cineasta como Janela Indiscreta (1954) e o Um Corpo que Cai (1958), interpreta Rupert Cadell com perfeição. Sua forma de agir e conduzir sua “investigação” de forma simples e calma faz com que seu papel se destaque. John Dall também faz a sua parte, mostrando superioridade sem mostrar indícios do crime cometido. Farley Granger faz com que seu nervosismo seja a chave para a história. De forma geral o filme tem um grande elenco, mas é indiscutível a maestria do trio.

O DVD nacional apresenta um documentário com algumas pessoas envolvidas no filme, mostrando curiosidades de produção, roteiro e trailer de divulgação. Sobre esse último, vale a pena citar que ele se diferencia dos demais. O trailer mostra David e sua noiva em um banco na praça conversando, ou seja, poderíamos dizer que é uma cena que antecede todo o filme (lembrando que o mesmo se passa inteiramente dentro do apartamento). Logo após surge a imagem de Rupert, dizendo que essa seria a última conversa entre os dois. Simples e fantástico tal como o filme. Já assistiu? Dê a sua opinião.
 

sábado, 30 de janeiro de 2010

Videoteca Básica - Doze Homens e uma Sentença


Doze homens completamente diferentes foram convocados para julgar um caso de homicídio. O réu, um jovem pobre e com histórico criminal, é acusado de matar o pai a facadas. Onze dos homens o consideram culpado e querem ir embora logo para casa e apenas um, o personagem de Henry Fonda, quer discutir o caso baseado nos pequenos detalhes deixando o preconceito de lado. O júri deve chegar a uma unanimidade e decidir se o réu deve ser condenado à morte ou não. 



O filme lembra uma grande peça de teatro, uma vez que se passa em um único ambiente. A sala onde discutem o caso traz exatamente o nervosismo e a tensão que os personagens vivem, uma vez que o grupo se divide entre os que querem averiguar os fatos e os que chegam a uma conclusão baseado em idéias precipitadas. Os elementos de cena contribuem para demonstrar essa tensão e até mesmo uma provocação aos que possuem idéias contrárias. A iluminação é excelente e contribui para a atmosfera do ambiente. A grande sacada do filme é remontar toda a cena do crime a partir dos testemunhos e das provas. Tudo acontece através dos diálogos. Através deles também ficamos íntimos de cada um dos jurados e de suas vidas. As palavras são as grandes estrelas da trama. Por isso, o filme também é uma ótima aula de argumentação e, consequentemente, de direito



Henry Fonda retrata muito bem seu personagem. Ele é o único que se importa pela vida do garoto e busca diversas contradições de maneira inteligente, mesmo que os aparentes fatos tentem provar o contrário. Os outros atores também se saem muito bem. Afinal, não é fácil que 12 atores contracenem durante 96 minutos em um mesmo ambiente. O diretor Sidney Lumet produz um filme excelente a partir de uma simples idéia e de um baixo orçamento. A produção custou 343 mil dólares e foi filmada em 19 dias. Uma grande lição para aqueles que pensam que um bom filme só pode ser feito a partir de uma superprodução cara com muita ação.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Videoteca Básica - Ensaio sobre a cegueira


             Após O Jardineiro Fiel e Cidade de Deus, Fernando Meirelles mais uma vez produz um ótimo filme, agora baseado na obra homônima do escritor português José Saramago. Na trama, um estranho tipo de cegueira branca vai afetando a população aos poucos. Os primeiros afetados são enviados para um local abandonado e tem que conviver com pessoas absolutamente desconhecidas. Entre elas, apenas uma mulher consegue enxergar.




            Toda essa hipotética situação serve como metáfora de toda a sociedade onde vivemos. Primeiro pela exclusão dos contaminados pela cegueira que é supostamente contagiosa, o que na verdade reflete a exclusão de milhares de pessoas consideradas nocivas por serem diferentes do que esperamos. A relação de poder que cada grupo estabelece no local abandonado também indica a inveja, a ganância e o egoísmo do ser humano que ao invés de se ajudar em uma situação difícil apenas tenta se prevalecer sobre o outro. O grupo não é capaz de socorrer um ao outro, mas sim de se importar apenas com si mesmo ou com aqueles mais próximos.




             O filme se passa em um local desconhecido e nenhum dos personagens tem nome definido, o que garante uma impessoalidade a eles. Acompanhamos a história da única mulher que pode ver (Juliane Moore) e as pessoas próximas a elas. Todos têm atuações destacadas e revelam todo o sofrimento daquele lugar. Outros elementos de grande importância é o cenário, que reflete a degradação da vida das pessoas com o passar do tempo, e principalmente a fotografia. A luz branca está presente em todo o filme e representa tanto a cegueira que os afeta quanto a própria cegueira do homem em situações de necessidade. É o elemento que dá grande personalidade ao filme. Ensaio sobre a Cegueira traz uma crítica e nos faz refletir sobre nossos atos e sobre a nossa existência de maneira magistral. Indicadíssimo.



segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Videoteca Básica - Gangues de Nova York (2002)






   “Gangues de Nova York” esta longe de ser o melhor filme de Martin Scorsese, mas existe algo que me fascina nessa película. O cineasta que se consagrou com filmes como Táxi Driver, Touro Indomável (veja os screenshots deste filme no nosso arquivo!) e anos depois com Os Infiltrados, não atingiu sua melhor forma com essa obra, mas que tem sim os seus créditos.
   Se existe um início que ficou marcado em minha mente por muito tempo foram os instantes que abrem “Gangues de Nova York”. Momento que é, aliás, de suma importância para compreensão do filme em si, pois mostra em pouco tempo o acontecimento no qual gira em torno a trama. É uma das poucas cenas que contém emoção, que por sinal é um grave problema do longa.


        
   O filme impressiona pela riqueza dos cenários. É impossível não ficar impressionado com a Nova York do século XIX, tomada pelo caos, domínio e disputa entre gangues (como o próprio nome sugere).  Mas ao contrário do se pensa, tais grupos não são formados por bárbaros que se divertem apenas com bebidas e destruição. Eu diria que um lado “mais humanizado” é destacado, como é visto na celebração anual da gangue dos “Nativistas”, que lembram sempre daquele que citam como “o último homem honrado”: o falecido Padre Vallon (ex líder do grupo rival “Coelhos Mortos”) e pai do protagonista. Mas não pense que as lutas, tiros e facas ficaram de lado. O grande destaque fica por conta das batalhas entre as gangues pelo controle de Nova York.
  Mas nem tudo é belo nesse filme. “Gangues” é instável e apresenta muita informação para o expectador (sobre os dados históricos e temporais na qual o longa se passa). O romance entre DiCaprio  e Cameron Diaz é quase que simplório, não é dado tanta importância na trama. Leonardo tem sim uma boa atuação, mas o grande personagem do filme é Daniel Day-Lewis, ou melhor, Bill “Açougueiro”. Infelizmente o ator não levou o Oscar de 2003 pela sua interpretação, que é fantástica.



     Os efeitos sonoros são sensacionais, sendo que o filme foi indicado na categoria de Melhor Som em 2003. A trilha sonora contém a banda irlandesa U2 com a belíssima canção "The Hands That Build America" (vide última cena). Termino esse post com o trailer e o videoclipe da música. Não deixe de conferir.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Videoteca Básica - Snatch - Porcos e diamantes



Guy Ritchie possui um estilo frenético em seus filmes. Cortes rápidos, flashbacks e uma boa dose de humor negro são marcas presentes em suas obras. Snatch – Porcos e Diamantes (2000) não é exceção, e leva essa fórmula ao extremo.
O filme já causa uma curiosidade pelo elenco, que tem nomes como Brad Pitt, Benicio del Toro, Rade Šerbedžija e o próprio Ritchie.  Destaque para Pitt, que apresenta um sotaque incompreensível durante o longa, incorporando o seu personagem cigano com perfeição. Benicio não tem muito destaque na trama.

A trilha sonora é outro ponto de destaque, com músicas que vão de Madonna (que por sinal é ex-mulher de Ritchie) até Oasis. O diretor leva a sério esse quesito, pois em “RocknRolla - A Grande Roubada” se existe algo que fica marcado na memória é a canção “Rock'n Roll Queen” do The Subways.
Um valioso diamante cai nas mãos de gângsteres e escroques que acabam se relacionando ao acaso. Assim se resume Snatch, que ainda trás um toque de altas apostas, ciganos, muito sangue e boxe. Quem gostou de Clube da Luta (onde Pitt também aparece) irá apreciar esse filme da mesma maneira.
O humor negro do longa é fantástico. Fazia tempo que eu não ria tanto de cenas com violência e acidentes. É impossível assistir Snatch sem cair nas gargalhadas, dar uma simples risada com o sotaque de Pitt ou com o assalto mal sucedido da trama. Talvez esse seja o grande segredo do cineasta, fazer com que as pessoas riam com situações imprevisíveis. Sente e aproveite, pois esse filme vale a pena.




quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Videtoteca Básica - Laranja Mecânica (1971)

              Stanley Kubrick mais uma vez inova com uma história sempre polêmica. No centro da trama está Alex DeLarge (Malcom Mcdowell), jovem excêntrico que se reúne com amigos para praticar atos de violência e estupro se mantém longe do convencional. Porém, quando assassina uma socialite ele é submetido a um processo de recuperação com métodos agressivos e incomuns que visam diminuir a criminalidade.




              O filme foi um choque para a sociedade da época, não acostumada à violência, ao sexo e a um humor negro sendo exibido de modo tão explícito no cinema, o que, aliás, é a marca registrada de Kubick. O diretor discute temas como a criminalidade juvenil, a impunidade e a vingança a partir de cenas fortes, mas inteligentes. Chama a atenção à relação de Alex com seus amigos e sua família e, principalmente após seus tratamento, o modo como é manipulado por razões políticas. Pode ser visto também como uma crítica a uma sociedade que desconfia e não aceita pessoas que já cometeram crimes. A desconfiança ou até mesmo a vingança parece ser maior do que qualquer tentativa de perdoar a pessoa. Ainda há o questionamento dos métodos utilizados para “recuperar” esses criminosos.



             A caracterização dos personagens é ótima e é um símbolo do grupo de Alex. A atuação de Malcom McDowell é excelente e traz ao personagem uma profundidade incrível, já que ao mesmo tempo em que mata alguém e tem a calma para ouvir a nona sinfonia de Beethoven ou para cantar “Singing in the rain”. O diretor também explora bem o cenário ao colocar objetos que retratem a sexualidade ou a violência. Além disso, a trilha sonora também é impecável. Laranja Mecânica mostra que mesmo com um orçamento barato (custou apenas US$ 2 milhões) é um grande clássico do cinema que merece ser assistido.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Videoteca Básica - Cidadão Kane

               Cidadão Kane é uma revolução no cinema. Um filme desacreditado e colocado nas mãos de Orson Welles, jovem diretor de 24 anos que nunca teve nenhum tipo de sucesso e que poderia criar o filme que quisesse, era visto com desconfiança. Mas deu muito certo. Cidadão Kane é uma verdadeira aula de cinema impecável em todos os aspectos. A trama começa com a morte do magnata das telecomunicações Charles Foster Kane e com a sua última palavra antes da morte: Rosebud. A partir disso, vemos uma pequena descrição de sua tumultuada vida e jornalistas passam a investigar o que significa a misteriosa palavra e saber mais de sua vida entrevistando amigos, conhecidos e ex-esposas. Na época, havia suspeitas de que o filme retratava a vida do magnata William Randolph Hearst. Ele tentou boicotar a exibição da produção, mas não conseguiu.



              A história é contada em flashback e com isso conhecemos sua infância pobre e a transformação em sua vida quando herda uma mina de ouro e tem que abandonar os pais. Ao assumir sua fortuna comanda um jornal falido, faz dele um sucesso, se candidata a governador, se coloca em diversos escândalos públicos e acaba perdendo tudo o que tem. Através de um roteiro magnífico, as histórias contadas pelas pessoas que conviveram com Kane garante uma visão mais profunda de quem era ele e deixa a cargo do espectador entender porque ele se tornou arrogante, prepotente e ficou sozinho. Clichês como “dinheiro não traz felicidade” não cabem para um enredo que se aprofunda na personalidade, no poder, no dinheiro e nos verdadeiros interesses de Kane. Interesses esses que parecem acabar com qualquer tipo de sentimento bom que o magnata tenha ao se aproximar das pessoas. Mesmo perto delas, o milionário parece estar sempre sozinho. Também nos questionamos se Kane realmente queria assumir toda essa fortuna. Mas mesmo assim, nem tudo fica claro. Ao fim do longa-metragem ficamos pensando um pouco mais sobre a vida de Kane e refletimos sobre o sentido da palavra “Rosebud”.



              Orson Welles encarna Kane com muita personalidade. Seu personagem é enigmático, surpreendente e muito interessante. Seu sarcasmo e seu cinismo o tornam inesquecível. Os outros também se saem muito bem, mas Joseph Cotten (o amigo Lelland) é destaque com um belo discurso sobre o antigo amigo. Mas o principal ponto está na parte técnica. Na fotografia, nos cenários e nos planos de câmera. Diferente de todos os filmes anteriores, Cidadão Kane inova e tudo o que traz é simbólico. Tudo o que há em cena quer acrescentar alguma informação à história. Isso apenas com um plano de câmera, um objeto ou um pela simples posição dos atores. A profundidade dos atores na cena, as sobreposições de imagem, o cenário que aparece inteiro em um só plano são alguns dos recursos utilizados.




           É muita coisa a ser dita. Cidadão Kane fez pouco sucesso em sua época, mas passou a ser reconhecido depois. Reconhecido por inovar e trazer uma nova capacidade ao cinema. Principalmente, para uma época em que os recursos ainda eram escassos e limitados e todos os seus realizadores desconhecidos. Essa é uma obra-prima necessária para qualquer fã de cinema.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Videoteca Básica

Menina de Ouro (2004)


             Menina de Ouro é uma história comovente. Tudo começa quando Frankie Dunn (Clint Eastwood), um professor de boxe com uma academia decadente, está próximo de formar um campeão mundial. Porém, seu lutador o abandona e escolhe outro empresário. A solução aparece na garçonete Margaret Fitzgerald (Hillary Swank). Contrariando seus princípios machistas de nunca treinar uma mulher, Frankie vê através da dedicação e da insistência de Maggie que ela pode ser a campeã tão desejada por ele.



            O filme é um verdadeiro relato de superação das dificuldades em busca de um sonho maior. Sem ter nenhum tipo de ajuda, ela passa por todas as dificuldades e desconfianças em busca da felicidade que tem por lutar boxe. Com isso, sua relação com Frankie passa a ser de pai e filha, já que ele praticamente não tem contato com a filha e ela vive afastada da família que nunca a ajudou.
           Swank e Eastwood estão muito bem no papel. Seus personagens demonstram uma relação de cumplicidade e um amor de uma forma muito tímida, mas ao mesmo tempo muito intensa. Destaque também para Morgan Freeman no papel de Scrap, parceiro de Frankie na academia. A fotografia também é ótima e retrata através das cores no cenário e da iluminação os sentimentos de cada momento em que os personagens estão vivendo, com destaque para as cenas no hospital.




             Menina de Ouro é um filme incomum. Está longe de ter grandes aventuras, romances e tramas mirabolantes, mas tem bons momentos de humor, uma história emocionante e aborda algumas questões polêmicas que servem de reflexão para o espectador ao fim do filme.
            Ganhou os Oscars de melhor filme, melhor diretor (Clint Eastwood), melhor atriz (Hillary Swank) e melhor ator coadjuvante (Morgan Freeman).


domingo, 10 de janeiro de 2010

Videoteca Básica - Fargo (1996)


Sexto filme dos irmãos Coen (Onde os Fracos Não Têm Vez, Queime Depois de Ler...), Fargo (1996) é a união perfeita da ironia, violência e humor negro. Famosos por conseguirem transformar pequenos acontecimentos em grandes atos que beiram o descontrole, os irmãos fazem com que essa fórmula atinja o seu ápice neste que talvez seja o melhor filme de suas carreiras.


A trama se desenvolve em Fargo, localizado em Dakota do Norte no ano de 1987. Estando com um grave problema financeiro, o revendedor de automóveis Jerry Lundegaard resolve contratar dois criminosos com a missão de seqüestrar sua própria esposa em troca de um carro novo e metade de US$80 mil que seria pago por seu sogro como resgate. Esta seria a solução de seus problemas, mas o que Lundegaard não esperava era que o plano que parecia bem arquitetado sairia do controle, e uma onda de assassinatos viria à tona.



O longa prende o expectador do início ao fim. Antes de surgir na tela a primeira cena, o letreiro que emerge já faz com que a curiosidade aumente: “Esta é uma história real”, aparece em letras brancas com um fundo negro. Não querendo acabar com a surpresa, sugiro que depois de ver o filme você assista os bônus do DVD, muito bem organizado e com alguns materiais extras. Fargo é um grande filme, daqueles para se ter em casa para assistir a qualquer momento.



sábado, 9 de janeiro de 2010

Videoteca Básica

O Poderoso Chefão

               O Poderoso Chefão é um dos grandes clássicos da história do cinema. A junção de um excelente roteiro, ótimas atuações e uma grande direção produziu uma obra-prima que recebeu outras duas continuações e diversas paródias. A trama retrata a vida de Vitor Corleone (Marlon Brando), chefe da máfia nos Estados Unidos que vai perdendo seu poder aos poucos e sofre as conseqüências por não se envolver no tráfico de drogas para preservar a instituição família. Sobra para o seu filho caçula Michael Corleone (Al Pacino), que não se envolvia nos negócios o pai, assumir seu lugar e restabelecer o nome da família.



             O filme trata da disputa entre cinco famílias pelo poder do crime organizado nos Estados Unidos. Ao não se envolver com as drogas e ser baleado, Vitor Corleone se afasta dos negócios e uma série de relações violentas buscam vingar as várias mortes ocorridas. Isso tudo é tratado às vezes com uma normalidade assustadora. Mas além de tudo isso, a família é descrita de uma forma especial. Dom Corleone diz: “Um homem que não se dedica à família nunca será um homem de verdade”. Pode-se perceber que muitos dos negócios são realizados para honrar o nome da família e protegê-la de qualquer forma. Por isso, assassinatos de parentes afetam demais e interfere muito nessa briga. Porém aí há uma diferença. Enquanto Vitor coloca sua família sempre em primeiro lugar, Michael privilegia sentimentos de ódio e vingança e passa a ficar muito mais focado em seus negócios. A cena final, com um de seus sócios o chamando de novo Dom Corleone e deixando sua mulher de lado, exemplifica bem que suas prioridades mudaram ao chegar ao comando da máfia americana. O filme retrata a transformação de Michael ao longo do filme.



             Marlon Brando tem um desempenho impressionante na pele de Vitor Corleone. O velho gângster impõe um grande respeito com uma naturalidade impressionante. Seu discurso para os chefes de cada família e a cena inicial comprovam que o mafioso parece mesmo real. Al Pacino é a outra grande estrela. Sua calma e seu olhar ao interpretar o filho caçula se misturam com a autoridade de Michael na hora de assumir os negócios de forma cativante. A cena do assassinato de Solozo no restaurante e sua vingança pelas mortes ocorridas não me deixam mentir. Merece destaque a ótima fotografia de Gordon Willis que traz uma escuridão assustadora como na cena do escritório de Corleone e no hospital. O diretor Francis Coppola também faz um trabalho incrível e trata muito bem a história que tem em mãos. A ambientação e o figurino das cenas também são muito adequados para o local e para a época. Isso sem falar na bela trilha sonora de Nino Rota. Destaco também a boa cena do batismo do sobrinho de Michael, intercalado a outras cenas.



             A realidade do crime organizado parece muito distante de nós, mas a genialidade do longa-metragem nos permite trazer muitas reflexões sobre poder, dinheiro, corrupção e vingança para o nosso dia-a-dia. Além disso, cabe também a discussão sobre a verdadeira importância da família e da grande lucratividade das atividades ilícitas. Afinal, nossa realidade pode ser muito mais cruel do que aquela dos gângsters. Por isso, o filme de Coppola pode ser visto e revisto como um retrato de nossa sociedade. É obrigatório para qualquer fã de cinema.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Videoteca Básica - Crash - No Limite


Caro leitor, antes de começar esse texto já vou logo dizendo que esse é meu filme favorito. Deixo isso claro para justificar que cada elogio em excesso contido neste artigo tem um pouco de culpa pelo fato deste ser o meu “filme de cabeceira”.


Vencedor inesperado do Oscar de melhor filme em 2006, Crash trata sobre o preconceito racial e social que ocorre na cidade de Los Angeles. Por mais que a trama se desenvolva em uma cidade norte-americana, as situações apresentadas no longa podem ser vistas em qualquer lugar do mundo pois, querendo ou não, o preconceito existe e ainda é grande em todos os lugares.


Além do preconceito o filme trata das vidas que se cruzam e do distanciamento que as pessoas mantém uma das outras. O próprio nome do filme já é uma ironia. O trailer já diz “Em Los Angeles ninguém toca você. Estamos sempre atrás de metal e vidro...É o sentido do tato, acho que sentimos muita falta do toque. Damos encontrões uns nos outros para sentirmos alguma coisa”.


Esse filme foi um choque, pelo menos pra mim. Você consegue ver que muito do que se passa pela tela você já presenciou ou viveu. Não precisa estar em Los Angeles para entender a mensagem de Crash. Este é um filme universal.



quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Videoteca Básica - Cães de Aluguel



Um grupo de criminosos bem trajados e uma joalheria a ser assaltada. Um crime perfeito, a não ser pela inesperada intervenção da polícia. Dessa forma, simples e direta, podemos resumir aquele que é um dos melhores filmes da década de 90. Cães de Aluguel tinha tudo para não dar certo, a começar pelo fato de Quentin Tarantino ser um completo desconhecido na época e ter no currículo apenas o inacabado “My Best Friend's Birthday” (1987), filme que ele fazia questão de não mostrar para outras pessoas.


Se tudo parecia conspirar contra, Tarantino convenceu através do roteiro que seu filme poderia dar certo. Cães de Aluguel surpreende pelos diálogos afiados, a agressividade (que viria tempos depois a ser uma das marcas dos filmes do diretor) e pela forma que Tarantino conseguiu produzir o longa com um orçamento baixo para os padrões da indústria. Em certa entrevista o diretor diz que poderia ter feito Cães de Aluguel com uma câmera 16mm e US$13 mil, sem problema algum. Anote ai, pois “Reservoir Dogs” é obrigatório.