segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Injustiça do Oscar


Todos sabem dos vencedores do Oscar ontem. E todos sabem que o Oscar tem um grande histórico de injustiças cometidas a alguns dos maiores gênios que marcaram a sétima arte. Alfred Hitchcook, Stanley Kubrick, Quentin Tarantino, Martin Scorsese e Francis Ford Coppola já realizaram obras-primas e perderam Oscars para produções extremamente inferiores. Confira algumas delas nesse levantamento da Veja: http://veja.abril.com.br/blog/10-mais/cinema/as-10-maiores-injusticas-em-toda-historia-do-oscar/#ancoratopo. É claro que nesse ano não podemos comparar os nomes que disputavam a estatueta a nenhum desses que eu citei acima. Mas o que aconteceu ontem foi novamente mais uma injustiça cometida por Hollywood a filmes extremamente competentes que saíram de mãos abanando.




A direção mediana de Tom Hooper para um filme com roteiro mediano como “O Discurso do Rei” foi o maior premiado na noite de ontem com os Oscars de melhor filme, melhor ator (esse foi o único prêmio merecido), melhor roteiro original e melhor diretor. A decisão de Hollywood prova aquilo que todos já suspeitavam. Para ser premiado no Oscar deve-se fazer uma história agradável a todos, de preferência com algumas risadas e uma bela história de superação, principalmente se o povo americano puder se identificar nele como um belo exemplo de vida. Deve ser uma história com alguns conflitos, mas tudo deve acabar bem no fim. Esse é o roteiro de um Oscar de Hollywood. Não que “O Discurso do Rei” seja ruim. Tem suas qualidades, mas é irregular em alguns aspectos (confira a crítica sobre o filme na quarta). “Cisne Negro” (o meu preferido), “A Origem” e até “A Rede Social” são filmes muito mais competentes do que o vencedor. O que acontece é que esses filmes não passam a mesma história agradável. “Cisne Negro” perturba e incomoda muita gente. “A Origem” é uma bela viagem pelo mundo dos sonhos que pode ser relacionada até mesmo com a própria manipulação do cinema. A “Rede Social” trata de uma boa reflexão a respeito de como os jovens se relacionam nos dias atuais. Como roteiro são todos muito mais completos, mas são críticos e nem sempre tão otimistas, o que incomoda a Academia.



Outro ponto a ser criticado é o prêmio de melhor diretor para Tom Hooper, para mim a maior aberração de todas. O diretor é previsível e utiliza os mesmos planos até a exaustão, sem mostrar a menor criatividade. Além do mais, diretores competentíssimos como David Fincher (Clube da Luta e Se7en), Christopher Nolan (Amnésia e Batman – O Cavaleiro das Trevas) e Darren Aronofsky (Requiem para um sonho e O Lutador) são alguns dos diretores mais competentes da atual geração, mas nunca tiveram seus trabalhos reconhecidos por produzirem filmes profundos, incômodos e que trazem a reflexão que é aquela que traz graça ao cinema. Os três filmes seguem a mesma linha e ficaram para trás para um cineasta que mostra não ter experiência e habilidade para produzir um filme merecedor de um Oscar. O que ainda compensa é que não é uma premiação que faz com que os grandes nomes do cinema sejam realmente conhecidos e admirados por todos. Nada melhor do que o reconhecimento do público e da crítica para fazer justiça aos que merecem.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Expectativas para a cerimônia do Oscar

Retirado do site: http://cinema.uol.com.br/ultnot/efe/2011/02/26/octogenario-oscar-aposta-em-nova-safra-para-se-revitalizar.jhtm


Octogenário Oscar aposta em nova safra para se revitalizar

Antonio Martín Guirado.
Los Angeles (EUA), 26 fev (EFE).- O Oscar completa 83 anos e, longe de dar sinais de fraqueza, aposta na presença dos rostos jovens para manter os altos índices de audiência, fator imprescindível na recente renovação do contrato de transmissão nos Estados Unidos até 2020.

O canal "ABC" renovou por seis anos o atual acordo com a Academia de Hollywood, que terminava em 2014, após o ótimo resultado obtido na transmissão do ano passado, com 41,3 milhões de espectadores nos EUA, o melhor número dos últimos cinco anos.

"Este contrato garante que a cerimônia do Oscar será mantida como uma tradição no canal "ABC" durante 45 anos consecutivos", disse em comunicado Tom Sherak, presidente da entidade.

A Academia atribui o êxito da edição anterior à proliferação de artistas da nova safra no palco do Kodak Theatre, e este domingo não será uma exceção.

Se no ano passado desfilaram estrelas juvenis da Disney (Miley Cyrus, Zac Efron) e da saga "Crespúsculo" (Taylor Lautner, Kristen Stewart), agora a entidade dá um passo adiante e aposta, pela primeira vez na história, em um casal unissex e de grandes atributos físicos como mestres de cerimônias: James Franco e Anne Hathaway.

No caso do ator se tratará de uma noite muito especial, já que ele pode se transformar no primeiro apresentador do Oscar que ganha a estatueta dourada no mesmo ano, visto que concorre por sua atuação em "127 Horas".

Ambos cantarão e dançarão, e em seu repertório deve estar uma nova versão do famoso número musical interpretado por John Travolta e Olivia Newton-John em "Grease" (1978), como Franco sugeriu em seu perfil do Twitter com um pequeno videoclipe.
Essa é a linha almejada pelos produtores do evento, Don Mischer e Bruce Cohen, já que revelaram que a cerimônia prestará homenagem à história do Oscar com pequenos tributos a filmes clássicos e momentos inesquecíveis de cerimônias passadas.

Grande parte dos artistas que entregarão as estatuetas douradas já foi anunciada, e entre eles se destaca a presença de Scarlett Johansson, Mila Kunis, Amy Adams, Reese Witherspoon, Russell Brand, Matthew McConaughey, Tom Hanks, Nicole Kidman, Jude Law, Annette Bening, Cate Blanchett, Hugh Jackman, Robert Downey Jr. e Javier Bardem.

A Academia, no entanto, guarda alguns segredos, embora muitos prevejam a presença de Robert Pattinson, o vampiro adolescente de "Crepúsculo".

A imprensa especializada ressalta ainda que um dos pontos altos da cerimônia será a apresentação do coral P.S.22 (Public School 22), de Staten Island (Nova York), composto por estudantes de 10 e 11 anos.
Segundo o jornal "Los Angeles Times", as crianças cantarão "Somewhere Over the Rainbow", a música principal de "O Mágico de Oz", ganhador do Oscar de 1939.
"O Discurso do Rei" é o favorito para ser o grande vencedor da 83ª edição do prêmio, após receber 12 indicações, incluindo a de Melhor Filme.
Nessa categoria também competirão "A Rede Social", "Cisne Negro", "O Vencedor", "Toy Story 3", "Bravura Indômita", "127 Horas", "A Origem", "Minhas Mães e Meu Pai" e "Inverno da Alma".
A 83ª edição do Oscar será realizada neste domingo no Kodak Theatre, em Hollywood, e será transmitida ao vivo para mais de 200 países.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Publicidade no cinema

A publicidade sempre esteve envolvida direta e indiretamente com os filmes. No vídeo abaixo são exibidas algumas curiosidades sobre este mundo que pode se tornar extremamente lucrativo dentro da sétima arte. O anúncio de produtos pode sim aparecer escandalosamente e diminuir a credibilidade de um filme. Mas por outro lado, filmes muito importantes e competentes também se renderam aos frutos dessa exposição de maneira discreta. Confira alguns desses momentos:

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

As 50 animações da Disney

Os filmes da Disney com certeza fizeram história e marcaram gerações de adultos e crianças de todo o mundo. A capacidade de encantar e força dessa empresa se tornou algo assustador. Nesse ano, o estúdio chegou a sua animação de número 50 com o filme Enrolados. A história do estúdio começou lá em 1937 com Branca de Neve e Sete anões, que revolucionou o mundo da animação e do cinema. Desde então cada vez mais novas inovações vem sendo realizadas em filmes ainda mais surpreendentes e emocionantes. No site abaixo você encontrará todas os 50 filmes realizados pela Disney. Para mais detalhes sobre cada um deles é só clicar na figura correspondente.

http://cinemaemcena.com.br/Noticia_Detalhe.aspx?id_noticia=35644&id_tipo_noticia=3

sábado, 12 de fevereiro de 2011

E o Vento Levou (1939)

“E o vento levou” é inegavelmente um dos melhores filmes da história do cinema. Para mim o terceiro melhor, perdendo apenas para “O Poderoso Chefão” e “Cidadão Kane”. Seja tecnicamente, visualmente ou no roteiro é um filme impecável do começo ao fim. O filme foi realizado com U$ 5 milhões de dólares e foi projetado para ser a maior de todas as produções hollywoodianas já produzidas e foi o filme que mais faturou nas bilheterias em toda a história do cinema (com os valores já ajustados). Também foi dirigido por quatro diretores diferentes além de Victor Fleming, o único que recebeu o crédito por seu trabalho. Mas o grande nome ficou por conta de David O. Selznick, produtor que fez com que o longa fosse realizado. Também foi o mais famoso filme a ser desenvolvido com a tecnologia Technicolor, que trazia cores e um visual belíssimo que contribuiu ainda mais para a força do filme.



Baseado no romance homônimo de Margaret Mitchell, a trama conta a história de Scarlett O’Hara, filha de um imigrante irlandês que enriqueceu no sul dos Estados Unidos. Seu verdadeiro amor Ashley Wilkes, se casará com Melanie Hamilton. Para fazer ciúmes ao seu amado, ela se casa com Charles Hamilton. Porém, a Guerra Civil Americana começa, Charles acaba morrendo e Ashley sobrevive. A guerra acaba devastando todo o território conquistado por sua família, o que a faz passar por sérias dificuldades financeiras. Mas ela promete que fará tudo o que for possível para reverter essa situação. Ao longo do filme, ela conta com a ajuda de Rhett Butler, capitão que se apaixona por ela e faz o possível para conquistá-la.

Primeiramente há de se destacar que o filme traz uma visão idealizada dos Estados Confederados na luta contra os Estados Unidos (do sul latifundiário e escravista contra o Norte industrializado). Todos os soldados que se envolvem na guerra são colocados como heróis que defendem a família através uma causa justa, enquanto os americanos são meros selvagens. Quando Butler fala que o Sul não tem condições de enfrentar o adversário e deveria não se envolver com a guerra, é visto como um covarde. A visão racista e de superioridade com os negros também é atenuada e até mesmo vista de maneira digna, podemos assim dizer. Por outro lado, também explicita o triste panorama da guerra, através do sofrimento de milhares de famílias, com seus conhecidos voltando mortos, doentes ou com mínimas condições de sobrevivência. A própria Scarlett esclarece que não entende o motivo de tanto entusiasmo com uma guerra que parece mais satisfazer apenas os desejos masculinos de enfrentar um inimigo, mesmo sem um motivo real. A guerra é retratada de maneira desoladora através da cena em que ela procura por um médico para ajudar no parto de Melanie, mas tudo o que ela encontra são mortos e doentes a céu aberto e ninguém para atendê-la.



Scarlett O’Hara, a protagonista, é uma personagem incrível. De uma dimensão enorme, ela revela ser uma personagem imprevisível e de uma complexidade enorme. Tida no começo como uma moça sonhadora e apaixonada por um amor impossível, tentava despertar os ciúmes em Ashley estando sempre cercada de homens e convivia com o luxo obtido por sua família. Com os prejuízos e mortes causadas pela guerra, ela vê a necessidade de reconstruir a sua vida e enfrentar todas as dificuldades. Para não perder as terras onde vive para os americanos, ela se mostra uma pessoa destemida e extremamente corajosa. Mas aos poucos, também se mostra capaz de passar por cima de qualquer um, casar novamente com um homem que não ama, matar e negociar com seus antigos inimigos para enriquecer. Porém, quando ela percebe que isso não é o mais importante volta a sofrer um conflito de emoções que a faz pensar se tudo isso valeu realmente a pena. Viven Leigh no papel de Scarlett está maravilhosa. Transmite toda a emoção, coragem e bravura a sua personagem e mostrou que foi a melhor escolha entre as mais de 100 atrizes que participaram da seleção para viver a personagem. Sua atuação é pra mim a melhor atuação feminina do cinema.



Já Rhett Butler é um sujeito que tenta a todo custo esconder o que sente e tenta se mostrar maduro a qualquer situação que apareça. Porém, não resiste ao charme de Scarlett e acaba se mostrando um verdadeiro romântico, apaixonado de maneira absurda pela mulher e pela filha Bonnie. Já Ashley, por quem Scarlett se derrete se revela um mero coadjuvante, que pouco faz para ajudar Scarlett e sua mulher em momentos de necessidade. Já sua esposa Melanie é a mulher doce e delicada, que mostra sensatez durante os momentos insensatos de bravura da protagonista.



O filme ainda é comparado a estrutura das novelas com suas milhares de emoções, tramas e reviravoltas. O único porém é a duração de 4 horas do filme que estende cada uma de suas situações. Porém, isso não diminui o brilho de cada uma das cenas e traz uma carga dramática ainda maior. Cada diálogo ou cena de drama ou romance foi colocado na medida exata para emocionar o espectador. A produção de “E o vento levou” é extremamente avançada para os padrões da época. A direção de arte faz um trabalho maravilhoso, com a reconstituição de cada figurino e cenário adaptado de maneira correta para os padrões da época e extremamente realista, seja nos luxos das mansões dos latifundiários seja nas cenas de pobreza e morte dos hospitais a céu aberto. A fotografia também é maravilhosa.. As cenas contra a luz de Scarlett jurando que nunca mais passaria fome na vida é uma das mais marcantes da sétima arte. Assim como a cena do incêndio que destrói a cidade por onde ela passa. A escuridão de sua mansão ao se ver triste ou abandonada resume o espírito de sua personagem. Também não se pode deixar de falar da bela trilha sonora composta por Max Steiner, que completa o espetáculo.

Confira o trailer:

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Cisne Negro

Cisne Negro é um filme que, com certeza,impressionará os espectadores que o assistem. É justamente com esse objetivo que pretende mostrar através do balé um forte choque sobre a realidade humana e seus reflexos psicológicos. A trama conta a história de Nina, uma bailarina dedicada ao extremo que busca o papel da Rainha Cisne no balé clássico “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky, vago com a aposentadoria de Beth, a primeira bailarina da compania. Ao ser selecionada para o papel ela busca lidar com a pressão por uma maior espontaneidade em seu personagem e vencer a concorrência da bailarina nova Lily, que começa a ganhar a preferência de Thomas, o diretor da montagem.


Nina é uma garota que busca a perfeição de todas as formas. Tem toda a técnica necessária, mas isso não basta. Ela não mostra prazer e vivacidade em seus gestos e com isso, começa a sofrer pressões cada vez maiores por parte de Thomas para mudar. A garota busca um sonho que vem muito mais sobre a forma de uma obrigação por uma vida inteira dedicada a dança. O diretor da dança utiliza a situação para se aproveitar, no sentido sexual, de Nina, que confusa e ingênua, começa a ceder às suas investidas.
Aliás a ingenuidade e a fragilidade de Nina são marcantes. Ela se deixa ser influenciada por todos aqueles que possivelmente podem ajudá-la e por isso exibe uma personalidade muito infantil, reforçada pelos acessórios de seu quarto e pela constante vigilância de sua mãe. Ela é dominada por Erica, sua mãe, uma ex-bailarina que abdicou de seu sonho para ter a filha e por isso não esconde que ainda guarda mágoas dela. Apesar de mostrar que tenta ajudá-la, Erica, contribui ainda mais para o estado de paranóia e loucura que a garota enfrentará.


A partir das pressões para melhorar, Nina começa a ter delírios, já que não consegue atingir o que Thomas exige dela. E o diretor Darren Aronofsky exibe isso de maneira brilhante, tanto na forma de alucinações e vozes que ela vê e ouve quanto nas atitudes de revolta e afronta a mãe. A cena final e aquela cena dentro de seu camarim com um espelho ilustram totalmente a que ponto chega seu esforço.

Enquanto as lesões em seus pés e o sangue em suas costas e dedos representam todo seu sofrimento, a sua ida à balada, suas masturbações e a influência de Lily exibem a sua libertação, mesmo que momentaneamente, da influência de sua mãe e das pressões que vem sofrendo. Nina vai mudando ao longo do filme até que uma pessoa totalmente diferente chegue à dança final. E é fascinante perceber isso simplesmente através de seus passos como o Cisne Negro. E ainda mais fascinante quando vai percebendo que seu único obstáculo era ela mesma.


Aliás, Lily, se mostra uma personagem exatamente inversa de Nina. Segura e confiante com o que faz, ela mostra grande segurança e muito mais vivacidade em seus passos, o que logo chama a atenção de todos. Ao se aproximar da protagonista, fica claro com as alucinações de Nina que Lily mostra interesse em disputar a vaga conquistada por Nina. Porém, neste ponto já não sabemos o quanto de real há nisso.

Tecnicamente falando, o filme também é perfeito. Empregando, closes nas sapatilhas, nas lesões de Nina e em pequenos detalhes estabelecem uma dramaticidade ainda maior a cada uma das cenas. A rapidez de cortes e movimentos bruscos de câmera também possuem essa mesma função. Utilizando planos de câmera próximos às dançarinas para exaltar seus movimentos, o diretor Aronofsky não hesita em empregar planos que dêem uma importância maior à expressão de seus atores. Isso enaltece ainda mais as atuações belíssimas de Natalie Portman, Mila Kunis e todos os demais. Mas o grande destaque é mesmo Natalie Portman, já que seu personagem exigiu uma carga psicológica muito grande, mas que ela interpreta de maneira incrível. A atuação de Natalie Portman está entre algumas das melhores atuações femininas que já vi no cinema. Além disso, a fotografia também é impecável representando toda a imensidão da bailarina frente a uma platéia ou a solidão e a degradação que a personagem vem sofrendo. Outros quesitos como maquiagem, figurino e direção de arte também se destacam.


Cisne Negro traz diversas questões a tona, mas a principal delas talvez seja o questionamento da verdadeira felicidade de Nina. Vale a pena abdicar a tudo, se torturar e sofrer de uma forma degradante em busca de um objetivo? E esse objetivo parecia mesmo ser algo tão doloroso ou era apenas uma dificuldade imposta pela própria Nina? São perguntas que nos fazem refletir e que incomodam tanto quanto assistir à tortura física e psicológica da protagonista.

Também é importante destacar que o filme não tenta trazer ao balé uma analogia de atividade sacrificadora e degradante. Quem traz isso à atividade são as próprias pessoas envolvidas e pelas atitudes que exigem dos outros. O longa, afinal, traz uma bela homenagem ao balé, que mesmo contrastando com a situação de Nina, não deixa de perder sua beleza e delicadeza. Cisne Negro é um filme maravilhoso, um dos melhores desse ano, senão o melhor. Já virou também meu filme preferido na corrida pelo Oscar pelo menos nas categorias de melhor filme, melhor direção com Daren Aronofsky e melhor atriz com Natalie Portman. Também concorre como melhor fotografia, melhor roteiro original e melhor edição. Se for vencedor nessas categorias, também serão prêmios mais que merecidos.

Confira o trailer:

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Grandes Transformações

No cinema, maquiagem, figurino e diversos recursos técnicos têm um poder impressionante de transformar atores em personagens que nunca imaginaríamos que eles seriam. Confira no vídeo abaixo alguma grandes transformções nesse sentido:



Consegue lembrar de mais alguma grande transformação que marcou a história do cinema?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A Fita Branca

A Fita Branca é um daqueles poucos filmes que conseguem traçar de forma eficaz um panorama das verdadeiras características e temperamentos das pessoas da forma mais pessimista possível. Por isso, possui grandes semelhanças com Dogville. O filme conta a história de um pequenos vilarejo na Alemanha, em 1913, as vésperas da Primeira Guerra Mundial. O vilarejo é um lugar completamente isolado e vive sem qualquer tipo de governo, exceto pela autoridade de um barão poderoso do local responsável por várias plantações, resultando praticamente numa espécie de feudalismo parado no tempo. Ou seja, é um retrato da sociedade alemã que viria a criar e apoiar o nazismo, especialmente no temperamento dos mais jovens e com o que herdaram das gerações passadas. Porém, as pessoas e todas as situações ali presentes podem ter acontecido a qualquer época e em qualquer sociedade.




Os conflitos passam a ser desvendados a partir do momento em que vão crimes na região começam a ser realizados. Primeiro, um arame é colocado para que o médico da cidade caia do cavalo e se machuque seriamente. Depois, uma mulher morre ao trabalhar com uma das máquinas da fazenda e outras formas de torturas são realizadas ao filho do barão e a um garoto com necessidades especiais. O que se mostrava ser uma aldeia pacata, agora convive com uma série de atentados e a cidade tenta encontrar os responsáveis pelos crimes. Com isso, a verdadeira natureza dos moradores passa a ser desvendada. A primeira relação é entre os pais e filhos. O pastor utiliza métodos absolutamente desnecessários e extremamente rígidos para tentar “colocar seus filhos na linha” e educá-los da forma mais repressiva possível em nome dos valores tradicionais da família e da religião. Os filhos, por sua vez, se revoltam internamente e por isso são considerados os maiores culpados pelos crimes pelo professor do local. A fita branca, que dá o título ao longa, é utilizada pelo pastor como símbolo de inocência e pureza e acaba representando apenas mais uma forma de controle e repressão por adultos que não sabem, educar seus filhos de outra maneira.




O médico da região também utiliza métodos agressivos na convivência com a parteira da região, mulher com quem vive e que cuida de seu filho. Ele não hesita em humilhá-la e agredi-la a troco de nada, apenas de se mostrar superior. Já a relação que o barão do local também vive com a baronesa também possui muitas semelhanças. Ao mesmo tempo, os filhos de uma família simples da região questiona os métodos utilizados pelo Barão ao ver sua mãe morta em uma de sua máquinas. Porém, são reprimidos pelo pai ao protestarem uma vez que dependem desse mesmo barão para o sustento de sua família. Ao mesmo tempo, o professor da escola vive uma paixão com uma simples trabalhadora do local.



A direção de Michael Haneke é talvez o maior trunfo da produção. Com uma fotografia preta e branca, que varia para tons mais sombrios ou mais claros dependendo da cena, o diretor também opta por uma narrativa mais lenta, mas que não deixa de ser atraente. Muitas vezes, utiliza apenas o som para ilustrar o que acontece em uma determinada cena. Os cenários de absoluta calmaria e tranqüilidade contrastam com uma rigidez e tensão presente principalmente dentro das casas dos moradores. As atuações também merecem destaque, especialmente as das crianças. A Fita Branca acaba se tornando um ótimo retrato da natureza humana, vista de forma pessimista mas extremamente real.

Confira o trailer: