quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A Fita Branca

A Fita Branca é um daqueles poucos filmes que conseguem traçar de forma eficaz um panorama das verdadeiras características e temperamentos das pessoas da forma mais pessimista possível. Por isso, possui grandes semelhanças com Dogville. O filme conta a história de um pequenos vilarejo na Alemanha, em 1913, as vésperas da Primeira Guerra Mundial. O vilarejo é um lugar completamente isolado e vive sem qualquer tipo de governo, exceto pela autoridade de um barão poderoso do local responsável por várias plantações, resultando praticamente numa espécie de feudalismo parado no tempo. Ou seja, é um retrato da sociedade alemã que viria a criar e apoiar o nazismo, especialmente no temperamento dos mais jovens e com o que herdaram das gerações passadas. Porém, as pessoas e todas as situações ali presentes podem ter acontecido a qualquer época e em qualquer sociedade.




Os conflitos passam a ser desvendados a partir do momento em que vão crimes na região começam a ser realizados. Primeiro, um arame é colocado para que o médico da cidade caia do cavalo e se machuque seriamente. Depois, uma mulher morre ao trabalhar com uma das máquinas da fazenda e outras formas de torturas são realizadas ao filho do barão e a um garoto com necessidades especiais. O que se mostrava ser uma aldeia pacata, agora convive com uma série de atentados e a cidade tenta encontrar os responsáveis pelos crimes. Com isso, a verdadeira natureza dos moradores passa a ser desvendada. A primeira relação é entre os pais e filhos. O pastor utiliza métodos absolutamente desnecessários e extremamente rígidos para tentar “colocar seus filhos na linha” e educá-los da forma mais repressiva possível em nome dos valores tradicionais da família e da religião. Os filhos, por sua vez, se revoltam internamente e por isso são considerados os maiores culpados pelos crimes pelo professor do local. A fita branca, que dá o título ao longa, é utilizada pelo pastor como símbolo de inocência e pureza e acaba representando apenas mais uma forma de controle e repressão por adultos que não sabem, educar seus filhos de outra maneira.




O médico da região também utiliza métodos agressivos na convivência com a parteira da região, mulher com quem vive e que cuida de seu filho. Ele não hesita em humilhá-la e agredi-la a troco de nada, apenas de se mostrar superior. Já a relação que o barão do local também vive com a baronesa também possui muitas semelhanças. Ao mesmo tempo, os filhos de uma família simples da região questiona os métodos utilizados pelo Barão ao ver sua mãe morta em uma de sua máquinas. Porém, são reprimidos pelo pai ao protestarem uma vez que dependem desse mesmo barão para o sustento de sua família. Ao mesmo tempo, o professor da escola vive uma paixão com uma simples trabalhadora do local.



A direção de Michael Haneke é talvez o maior trunfo da produção. Com uma fotografia preta e branca, que varia para tons mais sombrios ou mais claros dependendo da cena, o diretor também opta por uma narrativa mais lenta, mas que não deixa de ser atraente. Muitas vezes, utiliza apenas o som para ilustrar o que acontece em uma determinada cena. Os cenários de absoluta calmaria e tranqüilidade contrastam com uma rigidez e tensão presente principalmente dentro das casas dos moradores. As atuações também merecem destaque, especialmente as das crianças. A Fita Branca acaba se tornando um ótimo retrato da natureza humana, vista de forma pessimista mas extremamente real.

Confira o trailer:
 

1 comentários:

Hugo disse...

Gosto do cinema perturbador de Haneke e estou com este filme em casa para conferir.

Até mais

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