sábado, 12 de fevereiro de 2011

E o Vento Levou (1939)

“E o vento levou” é inegavelmente um dos melhores filmes da história do cinema. Para mim o terceiro melhor, perdendo apenas para “O Poderoso Chefão” e “Cidadão Kane”. Seja tecnicamente, visualmente ou no roteiro é um filme impecável do começo ao fim. O filme foi realizado com U$ 5 milhões de dólares e foi projetado para ser a maior de todas as produções hollywoodianas já produzidas e foi o filme que mais faturou nas bilheterias em toda a história do cinema (com os valores já ajustados). Também foi dirigido por quatro diretores diferentes além de Victor Fleming, o único que recebeu o crédito por seu trabalho. Mas o grande nome ficou por conta de David O. Selznick, produtor que fez com que o longa fosse realizado. Também foi o mais famoso filme a ser desenvolvido com a tecnologia Technicolor, que trazia cores e um visual belíssimo que contribuiu ainda mais para a força do filme.



Baseado no romance homônimo de Margaret Mitchell, a trama conta a história de Scarlett O’Hara, filha de um imigrante irlandês que enriqueceu no sul dos Estados Unidos. Seu verdadeiro amor Ashley Wilkes, se casará com Melanie Hamilton. Para fazer ciúmes ao seu amado, ela se casa com Charles Hamilton. Porém, a Guerra Civil Americana começa, Charles acaba morrendo e Ashley sobrevive. A guerra acaba devastando todo o território conquistado por sua família, o que a faz passar por sérias dificuldades financeiras. Mas ela promete que fará tudo o que for possível para reverter essa situação. Ao longo do filme, ela conta com a ajuda de Rhett Butler, capitão que se apaixona por ela e faz o possível para conquistá-la.

Primeiramente há de se destacar que o filme traz uma visão idealizada dos Estados Confederados na luta contra os Estados Unidos (do sul latifundiário e escravista contra o Norte industrializado). Todos os soldados que se envolvem na guerra são colocados como heróis que defendem a família através uma causa justa, enquanto os americanos são meros selvagens. Quando Butler fala que o Sul não tem condições de enfrentar o adversário e deveria não se envolver com a guerra, é visto como um covarde. A visão racista e de superioridade com os negros também é atenuada e até mesmo vista de maneira digna, podemos assim dizer. Por outro lado, também explicita o triste panorama da guerra, através do sofrimento de milhares de famílias, com seus conhecidos voltando mortos, doentes ou com mínimas condições de sobrevivência. A própria Scarlett esclarece que não entende o motivo de tanto entusiasmo com uma guerra que parece mais satisfazer apenas os desejos masculinos de enfrentar um inimigo, mesmo sem um motivo real. A guerra é retratada de maneira desoladora através da cena em que ela procura por um médico para ajudar no parto de Melanie, mas tudo o que ela encontra são mortos e doentes a céu aberto e ninguém para atendê-la.



Scarlett O’Hara, a protagonista, é uma personagem incrível. De uma dimensão enorme, ela revela ser uma personagem imprevisível e de uma complexidade enorme. Tida no começo como uma moça sonhadora e apaixonada por um amor impossível, tentava despertar os ciúmes em Ashley estando sempre cercada de homens e convivia com o luxo obtido por sua família. Com os prejuízos e mortes causadas pela guerra, ela vê a necessidade de reconstruir a sua vida e enfrentar todas as dificuldades. Para não perder as terras onde vive para os americanos, ela se mostra uma pessoa destemida e extremamente corajosa. Mas aos poucos, também se mostra capaz de passar por cima de qualquer um, casar novamente com um homem que não ama, matar e negociar com seus antigos inimigos para enriquecer. Porém, quando ela percebe que isso não é o mais importante volta a sofrer um conflito de emoções que a faz pensar se tudo isso valeu realmente a pena. Viven Leigh no papel de Scarlett está maravilhosa. Transmite toda a emoção, coragem e bravura a sua personagem e mostrou que foi a melhor escolha entre as mais de 100 atrizes que participaram da seleção para viver a personagem. Sua atuação é pra mim a melhor atuação feminina do cinema.



Já Rhett Butler é um sujeito que tenta a todo custo esconder o que sente e tenta se mostrar maduro a qualquer situação que apareça. Porém, não resiste ao charme de Scarlett e acaba se mostrando um verdadeiro romântico, apaixonado de maneira absurda pela mulher e pela filha Bonnie. Já Ashley, por quem Scarlett se derrete se revela um mero coadjuvante, que pouco faz para ajudar Scarlett e sua mulher em momentos de necessidade. Já sua esposa Melanie é a mulher doce e delicada, que mostra sensatez durante os momentos insensatos de bravura da protagonista.



O filme ainda é comparado a estrutura das novelas com suas milhares de emoções, tramas e reviravoltas. O único porém é a duração de 4 horas do filme que estende cada uma de suas situações. Porém, isso não diminui o brilho de cada uma das cenas e traz uma carga dramática ainda maior. Cada diálogo ou cena de drama ou romance foi colocado na medida exata para emocionar o espectador. A produção de “E o vento levou” é extremamente avançada para os padrões da época. A direção de arte faz um trabalho maravilhoso, com a reconstituição de cada figurino e cenário adaptado de maneira correta para os padrões da época e extremamente realista, seja nos luxos das mansões dos latifundiários seja nas cenas de pobreza e morte dos hospitais a céu aberto. A fotografia também é maravilhosa.. As cenas contra a luz de Scarlett jurando que nunca mais passaria fome na vida é uma das mais marcantes da sétima arte. Assim como a cena do incêndio que destrói a cidade por onde ela passa. A escuridão de sua mansão ao se ver triste ou abandonada resume o espírito de sua personagem. Também não se pode deixar de falar da bela trilha sonora composta por Max Steiner, que completa o espetáculo.

Confira o trailer:

2 comentários:

Claudineide Maria da Silva disse...

Nunca, vou me cansar de assistir E o Vento Levou! Filme belíssimo! Tenho o livro e o DVD original. O final fica por conta da imaginação de quem assiste!

Blog do João Victor disse...

É o melhor filme de todos os tempos,um dos poucos que conseguem marcar várias gerações, incansáveis de um bom roteiro e um excelentíssimo filme,nota 10.
João Victor Tocantins

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