segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Cisne Negro

Cisne Negro é um filme que, com certeza,impressionará os espectadores que o assistem. É justamente com esse objetivo que pretende mostrar através do balé um forte choque sobre a realidade humana e seus reflexos psicológicos. A trama conta a história de Nina, uma bailarina dedicada ao extremo que busca o papel da Rainha Cisne no balé clássico “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky, vago com a aposentadoria de Beth, a primeira bailarina da compania. Ao ser selecionada para o papel ela busca lidar com a pressão por uma maior espontaneidade em seu personagem e vencer a concorrência da bailarina nova Lily, que começa a ganhar a preferência de Thomas, o diretor da montagem.


Nina é uma garota que busca a perfeição de todas as formas. Tem toda a técnica necessária, mas isso não basta. Ela não mostra prazer e vivacidade em seus gestos e com isso, começa a sofrer pressões cada vez maiores por parte de Thomas para mudar. A garota busca um sonho que vem muito mais sobre a forma de uma obrigação por uma vida inteira dedicada a dança. O diretor da dança utiliza a situação para se aproveitar, no sentido sexual, de Nina, que confusa e ingênua, começa a ceder às suas investidas.
Aliás a ingenuidade e a fragilidade de Nina são marcantes. Ela se deixa ser influenciada por todos aqueles que possivelmente podem ajudá-la e por isso exibe uma personalidade muito infantil, reforçada pelos acessórios de seu quarto e pela constante vigilância de sua mãe. Ela é dominada por Erica, sua mãe, uma ex-bailarina que abdicou de seu sonho para ter a filha e por isso não esconde que ainda guarda mágoas dela. Apesar de mostrar que tenta ajudá-la, Erica, contribui ainda mais para o estado de paranóia e loucura que a garota enfrentará.


A partir das pressões para melhorar, Nina começa a ter delírios, já que não consegue atingir o que Thomas exige dela. E o diretor Darren Aronofsky exibe isso de maneira brilhante, tanto na forma de alucinações e vozes que ela vê e ouve quanto nas atitudes de revolta e afronta a mãe. A cena final e aquela cena dentro de seu camarim com um espelho ilustram totalmente a que ponto chega seu esforço.

Enquanto as lesões em seus pés e o sangue em suas costas e dedos representam todo seu sofrimento, a sua ida à balada, suas masturbações e a influência de Lily exibem a sua libertação, mesmo que momentaneamente, da influência de sua mãe e das pressões que vem sofrendo. Nina vai mudando ao longo do filme até que uma pessoa totalmente diferente chegue à dança final. E é fascinante perceber isso simplesmente através de seus passos como o Cisne Negro. E ainda mais fascinante quando vai percebendo que seu único obstáculo era ela mesma.


Aliás, Lily, se mostra uma personagem exatamente inversa de Nina. Segura e confiante com o que faz, ela mostra grande segurança e muito mais vivacidade em seus passos, o que logo chama a atenção de todos. Ao se aproximar da protagonista, fica claro com as alucinações de Nina que Lily mostra interesse em disputar a vaga conquistada por Nina. Porém, neste ponto já não sabemos o quanto de real há nisso.

Tecnicamente falando, o filme também é perfeito. Empregando, closes nas sapatilhas, nas lesões de Nina e em pequenos detalhes estabelecem uma dramaticidade ainda maior a cada uma das cenas. A rapidez de cortes e movimentos bruscos de câmera também possuem essa mesma função. Utilizando planos de câmera próximos às dançarinas para exaltar seus movimentos, o diretor Aronofsky não hesita em empregar planos que dêem uma importância maior à expressão de seus atores. Isso enaltece ainda mais as atuações belíssimas de Natalie Portman, Mila Kunis e todos os demais. Mas o grande destaque é mesmo Natalie Portman, já que seu personagem exigiu uma carga psicológica muito grande, mas que ela interpreta de maneira incrível. A atuação de Natalie Portman está entre algumas das melhores atuações femininas que já vi no cinema. Além disso, a fotografia também é impecável representando toda a imensidão da bailarina frente a uma platéia ou a solidão e a degradação que a personagem vem sofrendo. Outros quesitos como maquiagem, figurino e direção de arte também se destacam.


Cisne Negro traz diversas questões a tona, mas a principal delas talvez seja o questionamento da verdadeira felicidade de Nina. Vale a pena abdicar a tudo, se torturar e sofrer de uma forma degradante em busca de um objetivo? E esse objetivo parecia mesmo ser algo tão doloroso ou era apenas uma dificuldade imposta pela própria Nina? São perguntas que nos fazem refletir e que incomodam tanto quanto assistir à tortura física e psicológica da protagonista.

Também é importante destacar que o filme não tenta trazer ao balé uma analogia de atividade sacrificadora e degradante. Quem traz isso à atividade são as próprias pessoas envolvidas e pelas atitudes que exigem dos outros. O longa, afinal, traz uma bela homenagem ao balé, que mesmo contrastando com a situação de Nina, não deixa de perder sua beleza e delicadeza. Cisne Negro é um filme maravilhoso, um dos melhores desse ano, senão o melhor. Já virou também meu filme preferido na corrida pelo Oscar pelo menos nas categorias de melhor filme, melhor direção com Daren Aronofsky e melhor atriz com Natalie Portman. Também concorre como melhor fotografia, melhor roteiro original e melhor edição. Se for vencedor nessas categorias, também serão prêmios mais que merecidos.

Confira o trailer:

1 comentários:

Victor Nassar disse...

Filmaço!!!!!

Natalie Portman entrega uma atuação perturbadora e sensacional! Merece o Oscar!

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