domingo, 24 de outubro de 2010

Linha de Passe

Linha de Passe é um filme brasileiro de 2008 dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas. Assim como acontece em outras produções do diretor como Terra Estrangeira e Central do Brasil, em Linha de Passe é retratada novamente uma temática muito próxima da realidade do brasileiro comum. Não há qualquer tipo de tentativa de mitificação ou romantização, nem de uma dramatização exagerada de uma determinada situação ou personagem. Todos vivem as dificuldades que pessoas reais de uma classe social mais baixa poderiam viver. Talvez esse seja o maior encanto desse filme. Um filme focado mais do que tudo em seus personagens.





Acompanhamos durante a trama a história de uma família paulistana de classe baixa composta por uma mulher grávida e seus quatro filhos que buscam incessantemente correrem atrás de seus sonhos para poderem ter um futuro melhor. Do início ao fim acompanhamos suas trajetórias e torcemos para que todos tenham um final feliz. Não há a presença de uma pai ou de uma figura masculina, o que afeta especialmente o caçula da família, Reginaldo. O personagem que Kaíque Jesus Santos interpreta com grande intensidade, busca no sonho de se tornar motorista uma maneira de tentar reencontrar seu pai, já que não se sente completamente bem no convívio com a mãe e os meio-irmãos. Para isso não hesita em passar horas até mesmo de madrugada andando em ônibus pela cidade inteira sem a preocupação de agradar ninguém.




João Baldasseri é Dênis, filho mais velho que tem que cuidar de um filho gerado acidentalmente que vive com a mãe. Para sustentá-lo, o rapaz de caráter duvidoso faz de tudo para conseguir dinheiro, mesmo que com métodos não tão honestos assim. Dinho, vivido por José Geraldo Rodrigues, trabalha em um posto de gasolina e enxerga em sua fé uma oportunidade de se sentir melhor e de acreditar em um mundo mais justo. Para comprovar isso, ele dispensa até mesmo o dinheiro oferecido pelo pastor de sua igreja, apesar de seus problemas financeiros. José é autêntico e seu personagem não hesita em chamar a atenção e justificar na falta de fé da mãe a ocorrência de tantas “desgraças”. A religião é retratada no filme de maneira respeitosa (apesar do padre não se mostrar tão respeitoso assim em alguns momentos com seus fiéis) como uma manifestação popular que consegue aproximar os mais variados tipos de pessoas.



Nesse mesmo patamar está o futebol. Na montagem do filme, os diretores equiparam as duas atividades às mãos erguidas ao céu pelos personagens. Vinicius de Oliveira leva a seu personagem Dario grande naturalidade e insegurança típica de um adolescente, especialmente ao seu futuro: ele pretende ser um jogador de futebol, mas já está com 18 anos e sem clube. Para isso, ele participa constantemente de peneiras para selecionar jogadores, mas também sente falta de uma ajuda financeira (a falta de dinheiro é um problema recorrente para todos) para levá-lo a um time. Mas assim, como a inconstante carreira de jogador, ele também passa por maus bocados, como na ocasião em que chega drogado depois de uma festa.



Por fim, a mãe de todos eles, a empregada doméstica Cleuza, vivida por Sandra Corveloni que foi premiada por sua atuação no Festival de Cannes, é uma mulher guerreira, batalhadora, apaixonada pelos filhos e busca o tempo inteiro o melhor para eles (nem que para isso seja preciso bater em algum deles ou dar uma bronca pesada). Sandra expressa extremamente bem as dificuldades que Cleuza passa a ter que criar quatro filhos e esperar mais um na barriga. Por conta da gravidez também se torna freqüente as queixas e brigas com sua patroa. Mas ela também encontra no futebol sua válvula de escape. Enquanto assiste aos jogos do Corinthians no estádio, ela foge da sua dura realidade e pode finalmente ter um momento de prazer.




O filme em diversos momentos possui um tom bem documental e sabe entrelaçar as histórias de todos os personagens de maneira clara e inteligente. A narrativa retrata a vida de seus personagens de maneira incompleta, não há um final e nem uma grande realização de algum deles durante a produção. Mas sim há a luta incessante em busca de um sonho e de uma vida mais digna, com os mesmos elementos presentes na vida real de qualquer pessoa. E é essa espontaneidade e essa simplicidade que faz com que Linha de Passe seja um filme belíssimo de ser assistido.

Confira o trailer:

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O Segredo de seus Olhos


O Segredo de Seus Olhos é um filme argentino de 2009, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro. E não é pra menos. O longa não possui grandes momentos complexos e cheios de ação, mas impressiona pela simplicidade e intensidade dos sentimentos que envolvem os personagens. A trama conta a história de Benjamin Esposito (Ricardo Darin), oficial de justiça que decide escrever um romance sobre um estupro seguido de assassinato ocorrido há 25 anos. Esposito atuou na solução do crime, mas não conseguiu prender o acusado e agora busca reviver o passado para solucionar o crime. Ao mesmo tempo, ele descobre estar apaixonado por Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), que atuou com ele no caso, mas que já é casada e com filhos.




O grande tema da produção é mostrar as relações e arrependimentos que envolvem os atos e memórias do passado. A aposentadoria e a solidão dominam a vida de Esposito que sente incompleto e também percebe que deixou seus sentimentos mais verdadeiros para trás passando a conviver com um arrependimento perturbador e continuamente. Assim, ele procura reviver o passado, por mais que seja doloroso e impossível de ser modificado, como a única forma de enxergar algum tipo de futuro. Para isso, ele volta a se relacionar com os antigos personagens de sua vida como Ricardo Morales (Pablo Rago), ex-marido da mulher assassinada, e Irene, em busca de seu amor. O que torna a produção ainda mais interessante é o fato de se alternar momentos de seu presente com todas as mágoas mais marcantes que explicam seu passado até que consigamos entender Esposito por completo. E como seu amigo Sandoval (Guilhermo Francella) diz em certo momento do filme: “um homem pode mudar de tudo, de família, de mulher, de religião, de Deus. Só não pode mudar de paixão”. A frase, que na verdade remete à paixão do assassino pelo time de futebol do Racing (momento com grande ligação com os brasileiros também), é o grande resumo dos sonhos e anseios de Esposito.


                                         Equipe do filme na cerimônia de entrega do Oscar


Ganha destaque no filme as excelentes atuações de todos os atores. Com grande expressão verbal, especialmente focado no que os olhos podem transmitir. Além das lamentações e arrependimentos, o diretor Juan José Campanella também consegue trazer momentos de romance e até mesmo humor e descontração. Seu trabalho é fortemente baseado na força dos diálogos e das atuações. Mas isso não impede que ocorram situações de ação com uma acirrada perseguição ao assassino dentro do estádio de futebol. Aliás é com essa sequência que Campanella mostra enorme talento com um planos de câmera ágeis e eficientes. Também é comum que haja o foco em uma determinada expressão de um personagem com o fundo desfocado. E isso sem que exista necessariamente aproximação da câmera com o rosto do ator. Além de uma bela montagem com alternância entre o presente e o passado, também merece elogios a boa produção que envelhece de forma convincente o personagem de Darin. Em outras palavras, O Segredo de Seus Olhos é um filme imperdível, capaz de emocionar e mexer fortemente com os espectadores.

Confira o trailer:


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CINECLUBE01 Comenta: Tropa de Elite 2

Tropa de Elite 2 já era um sucesso antes mesmo de estrear. Um dos filmes mais esperados do ano, a produção está sendo exibida em mais de 700 salas em todo o país e em menos de uma semana de exibição já foi assistido por mais de 2,7 milhões de espectadores. Apenas no fim de semana de estréia, o longa já teve cerca de 1,5 milhão de espectadores, recorde histórico no cinema nacional. E todo esse êxito não é para menos. O longa é extremamente perturbador e ao mesmo tempo simbólico por dizer respeito a uma realidade próxima de todos nós, seja dentro ou fora da polícia ou da política. Isso por conta das grandes discussões que estabelecem a respeito de várias temas. Tropa de Elite 2 é para mim um dos melhores filmes nacionais já realizados ao lado de Cidade de Deus e Central do Brasil.




Nessa continuação acompanhamos novamente a trajetória de Capitão Nascimento, 15 anos mais velho e, que após comandar uma operação do BOPE dentro do presídio de Segurança Máxima de Bangu I que acaba com o massacre de vários prisioneiros, acaba sendo exonerado de seu cargo pelo Governador do Rio de Janeiro para agradar aqueles que defendem os direitos humanos. Por outro lado, ele é promovido a subsecretário de Segurança Pública do Estado para agradar a população, que aprovou o massacre dos bandidos. Assim, Nascimento começa a combater o tráfico de maneira mais incisiva, mas não percebe que a corrupção e a ação livre dos bandidos continuam acontecendo de outra forma: um grupo de policiais militares começa a extorquir os habitantes comuns das favelas, em troca da sua “colaboração” e do apoio a políticos que começam a surgir dentro dos próprios órgãos responsáveis pela Segurança. Quando Nascimento descobre a verdade tem que bater de frente com o governo, a PM e pessoas de alto escalão.



O longa começa a partir da velha discussão do primeiro Tropa de Elite: vale a pena combater o tráfico e a violência com mais violência ainda? Desta vez entra no jogo os direitos humanos que tentam modificar a forma com que os policiais do BOPE agem ao enfrentar os bandidos. Nascimento continua com sua posição de que a guerra é a única forma de luta, embora ele não goste de utilizá-la o tempo inteiro. Ao mesmo tempo, vemos o protagonista da vez de uma maneira muito mais humana que anteriormente, reforçada principalmente pelas narrações em off que fortalecem suas convicções. Wagner Moura encarna novamente o Capitão Nascimento com grande intensidade e consegue transmitir uma maturidade muito maior ao seu personagem. Seu personagem é muito melhor explorado e portanto passa a ter nesse filme uma profundidade muito maior. Ao mesmo tempo em que exibe ser um sujeito durão e autoritário, também se mostra atrapalhado no contato com o seu filho, que o vê com desconfiança, e tem grandes dificuldades para exprimir seus sentimentos.



Com o decorrer do filme, o diretor José Padilha e o roteirista Bráulio Mantovani nos trazem uma situação onde o combate ao tráfico de drogas não é a principal ação para acabar com a violência. Agora a corrupção atinge os cidadãos diretamente em troca de um voto nas eleições ou através de farsas que possam comprovar as boas ações dos políticos que tentam se reeleger. Ou também de qualquer outra forma de favorecimento individual aos policiais que participam do “sistema”, expressão típica do filme. Nascimento percebe que não é a violência que resolverá todos esses problemas. É algo muito mais profundo sustentado pelos grandes detentores do poder e não por simples traficantes armados. O interesse individual de cada um é tudo o que conta aqui. Os políticos, claro, são os primeiros a serem lembrados nesse aspecto. Nenhum deles se importa com as mortes ou os absurdos que ocorrem embaixo de seus narizes desde que possam continuar com o poder e dinheiro e navegar de iate pelo belo mar carioca. Muitas vezes se omitem ou até mesmo estimulam situações de violência, ditas necessárias por eles para acabar com a violência. Mas com qualquer sinal de mérito são os primeiros a assumir o sucesso e com isso, ganhar o prestígio e a confiança do público. Nem que para isso seja necessário estar numa roda de pagode no meio da favela. Mas eles não são os únicos “vilões” da história. Se agem assim, é porque a população os alimenta. Se uma pessoa se via beneficiada por determinado político, mesmo que com métodos absolutamente desonestos, é nele em quem ela vai votar e o que menos importa é o interesse da sociedade.



Além disso, o filme também critica fortemente a atuação da mídia. Se Fortunato faz um belo discurso teatral contra a violência em seu programa de televisão, fora das câmeras ele é um dos principais articuladores da milícia que corrompe os moradores e colabora para a corrupção. Com os supostos bons resultados da atuação da polícia dentro das favelas, ele se torna um símbolo da luta contra os bandidos e aproveita para se eleger deputado estadual. Em certo momento, também vemos que uma jornalista descobre um grande esquema fraudulento em prol da reeleição do atual governador e acaba sendo assassinada. Seu chefe simplesmente se recusa a publicar qualquer informação sobre o assunto, já que é parceiro do atual governo. Porém, se temos a impressão de que todos estão envolvidos nessa sujeirada toda, Nascimento e também o deputado Fraga aparecem para nos desmentir. Eles se tornam os maiores símbolos de uma briga do bem contra o mal, mesmo que com diferentes métodos. Os dois representam a luta de uma minoria honesta contra uma maioria esmagadora absolutamente interesseira, embora estivessem de diferentes lados no começo da produção. Uma perspectiva pessimista dentro de uma luta desleal. Afinal como disse Nascimento em pronunciamento para os deputados da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro: “Metade dos que estão aqui deveriam estar na cadeia. Ou melhor, metade não. Deve ter aqui no máximo uns 6 ou 7 ficha-limpas”.



Com um roteiro extremamente dinâmico, intenso e focado em um personagem específico, Mantovani e Padilha criticam com grande inteligência e coragem diversos setores da sociedade. Todos os atores estão muito bem em seus papéis com destaques para Irandhir Santos, que interpreta o Deputado Fraga e André Mattos, que vive o deputado Fortunato, extremamente hipócrita, mau-caráter e manipulador. A direção de Padilha também é excelente. Sem a mesma preocupação de mostrar o tempo inteiro os conflitos entre policiais e bandidos, o diretor consegue transmitir grande tensão, mesmo com momentos descontraídos com a preocupação de estimular a reflexão e provocar o espectador.



Afinal, como acabar com o “sistema”? Também somos responsáveis por ele, embora não acreditemos nisso. Infelizmente, todos esses políticos corruptos representam a realidade da população brasileira. Muitos podem ficar indignados, mas fariam exatamente o mesmo que eles fazem se estivessem no poder, o que é extremamente fácil de comprovar em simples ações do dia-a-dia. Mas se tentar uma conscientização da população para um voto pautado nos interesses da sociedade é algo difícil de ser realizado, outra solução, muito mais pontual, é dada pelo próprio Nascimento no mesmo discurso para os deputados: “A PM do Rio tem que acabar”. Uma frase que pode provocar ainda muitas discussões, assim como outras tantas do filme. No começo do longa, é exibida a mensagem: “Apesar das semelhanças com a realidade, esta é apenas uma obra de ficção”. Mas uma ficção muito mais próxima da realidade do que podemos imaginar.

Confira o trailer do filme:

domingo, 10 de outubro de 2010

Boa Noite e Boa Sorte

Boa Noite e Boa Sorte é um filme americano de 2005 que produz uma grande reflexão a respeito do papel da imprensa na época do filme (década de 1950) e também nos dias atuais. O longa conta a história das discussões entre Edward Murrow, o âncora de um programa de grande audiência da CBS, e o senador Joseph McCarthy, responsável pelo macarthismo a conhecida caça aos comunistas durante o contexto da Guerra Fria. A briga começa quando Murrow resolve questionar a demissão de um militar que trabalhava na Aeronáutica acusado de ser um comunista infiltrado nos Estados Unidos. Porém, não há provas que comprovem essa tese e a atitude passa a ser fortemente criticada por Murrow.




O grande trunfo do âncora e de seu programa é abrir os olhos dos telespectadores americanos a um problema grave que poderia acontecer com qualquer pessoas que não concordasse com os métodos utilizados pelo senador. Esse jornalismo passou a exigir um pensamento crítico mais apurado e não simplesmente aceitar o macarthismo de maneira passiva. Outro grande mérito foi o fato de ter sido feita uma acusação a partir de questionamentos e provas concretas, sem que fossem necessárias armações por parte dos jornalistas. Também não havia por parte da CBS nenhuma forma de rabo preso. Seus funcionários não estavam ligados a um determinado partido de oposição ou a um determinado grupo político. Ou seja, foi um trabalho feito com ética e sem que a ideologia de um ou de outro se sobrepusesse ao objetivo maior que era a busca pela verdade e pela justiça. Ao contrário do que acontecia com praticamente todos os veículos de comunicação da época, que viviam com medo de represálias a qualquer tipo de oposição que pudessem fazer ao macarthismo. Obviamente, o trabalho da CBS foi extremamente arriscado. Houve um direito de resposta do senador dentro da própria programação (o que também se mostrou uma atitude louvável da produção) e diversas reclamações e tentativas de desmoralizar o programa. Mas mesmo assim, a postura de Murrow não mudou, o que ocasionou em uma pressão cada vez maior até que McCarthy fosse finalmente obrigado a entregar o seu cargo. A participação dos espectadores também era um ponto muito marcante. As pessoas se envolviam com a discussão e forneciam elementos para a investigação do caso. Parece que havia uma vontade maior de participar das atividades da imprensa.




Quanto a parte técnica do filme, também podemos fazer fortes elogios. A fotografia preta e branca traz um clima mais charmoso e até mais nostálgico da época. Quanto aos cenários não há nenhuma locação externa, tudo se passa dentro dos próprios estúdios da televisão (retratados de modo muito real), o que por um lado nos traz uma familiaridade grande com o local e pelo outro até um certo aprisionamento por na estarmos em nenhum local diferente. David Strathairn está exclente no papel de Murrow, trazendo uma segurança incomum quando é filmado, mas ao mesmo tempo mostrando uma parcela de insegurança fora das câmeras quanto ao resultado de suas falas. O roteiro de George Clooney também é muito eficiente já que outras questões além dos programas também são abordadas para acalmar a tensão existente com o senador. Porém parece faltar um pouco mais da vida pessoal dos personagens fora dos estúdios.




Boa Noite e Boa Sorte pode ser muito bem transferido para a realidade atual. A ausência de vários elementos daquele jornalismo da rede CBS transformaram o jornalismo brasileiro atual em algo muito longe do ideal. Falta ética, comprometimento, inovação, coragem e autonomia para criticar o que esteja acontecendo de errado no país. O envolvimento dos meios de comunicação com os grandes problemas se deve muitas vezes a uma filiação partidária, uma ajuda financeira ou qualquer outro tipo de interesse sujo. A produção é ótima para que essas e outras questões atormentem nossas mentes por um bom tempo.

Confira o trailer:

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2

Estreia hoje nos cinemas do Brasil o tão esperado Tropa de Elite 2. O filme já chega com grande repercussão devido ao sucesso do seu antecessor. Porém, diferentemente do primeiro, que se popularizou devido às cópias piratas e alcançou a premiação máxima com o Urso de Ouro no Festival de Berlim, nessa nova sequência ocorreu um forte esquema de segurança em torno das gravações para que nada vazasse ao público antes da hora. A produção, que teve uma premiere exclusiva no Festival de Paulínia, traz novamente o Capitão Nascimento (Wagner Moura) como protagonista mas que agora não trabalha mais no BOPE e sim como subsecretário na Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro.



 Se antes, o longa mostrava diretamente as ações do tráfico, agora é desmascarada uma corrupção extremamente séria e poderosa tanto na polícia como nos órgãos políticos do rio que faz com que a violência continue viva em nossa realidade. Agora, também mais focado apenas em Nascimento, o filme também apresenta dilemas pessoais como a relação entre o policial e seu filho. Claro que também não falta muita ação, tiroteio e os velhos bordões. Agora também parece haver a intenção de trazer Nascimento como vítima ou pelo menos em não se tornar um herói com métodos absolutamente desumanos e cruéis (como aconteceu no primeiro). Mas a grande tônica de Tropa de Elite 2 deve ser mesmo a forte crítica aos grandes políticos brasileiros, o que não é comum de ser visto na sétima arte. Em outras palavaras é um programa imperdível para o feriadão.




Números de Tropa de Elite:

- Será exibido em 661 salas em todo o país, número maior do que algumas superproduções americanas

- 11 milhões de brasileiros assistiram à cópia pirata do primeiro longa

- 2,5 milhões prestigiaram a produção nas salas de cinema

- Teve público de 177 mil pessoas apenas no primeiro fim de semana e recebeu mais 321 salas de exibição após isso

Confira o trailer oficial do filme:

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ganhadores Fetival do Rio 2010

Retirado do site Uol Cinema: http://cinemaemcena.com.br/Premiacao_Detalhe.aspx?ID_PREMIO=18&ID_PREMIACAO=1578

Marcelo Rocha, golpista que usou mais de 15 identidades falsas para enganar o alto escalão brasileiro, se fez passar por herdeiro de uma companhia aérea e coroou seu sucesso de ludibriador no programa de televisão de Amaury Jr. Esse é VIPs, longa-metragem de Toniko Melo, o grande vencedor do Festival do Rio 2010.




Além de levar para casa o Troféu Redentor de Melhor Longa-Metragem de Ficção, arrematou ainda os prêmios de Melhor Ator para Wagner Moura, Melhor Ator Coadjuvante para Jorge D''Elia e Melhor Atriz Coadjuvante para Gisele Fróes, contabilizando três dos quatro prêmios da categoria. Mas VIPs, que estréia no circuito comercial em 25 de março do próximo ano, não foi o único filme a levar para casa mais de um prêmio.



O documentário Diário de Uma Busca, longa de estreia de Flavia Castro, foi homenageado duplamente: além do Troféu Redentor de Melhor Longa-Metragem Documentário, foi eleito como melhor filme pelo júri da Fipresci, composto pelos críticos Wolfgang Hamdorf, Neusa Barbosa e Patricia Rebello. Diário de Uma Busca trata de um tema muito pessoal para a diretora, que decidiu desvendar o desaparecimento de seu pai, militante e exilado político morto em circunstâncias suspeitas na década de 80. Flávia também resgatou registros e memórias do período vivido com a família no exílio para compor a obra premiada.



Um filme sobre outro tipo de desaparecimento também foi premiado no festival. O Troféu Redentor de Melhor Curta-Metragem foi para Vento, de Marcio Salem, que fala sobre uma pequena cidadezinha isolada no Brasil que fica sem vento.



Confira a lista completa dos premiados abaixo:
Juri Oficial

Gustavo Dahl, Bruna Lombardi, Jorge Sanchez e Léo Monteiro de Barros

Curta-metragem
Curta-metragem - voto popular

Um outro ensaio, de Natara Ney
Curta-metragem - júri

Vento, de Marcio Salem

Prêmio especial do júri
Geral, de Anna Azevedo

Longa-metragem

Melhor atriz coadjuvante
Gisele Fróes, Vips
Melhor ator coadjuvante
Jorge D´Elia, Vips
Melhor roteiro
Marcelo Laffitte, Elvis & Madonna
Melhor montagem (edição)
Boca do lixo, por Vânia Debs
Melhor fotografia
Boca do lixo, por Adrian Terrido
Melhor documentário - voto popular
Positivas, de Susanna Lira
Melhor documentário - júri
Diário de uma busca, de Flávia Castro
Melhor atriz
Karine Teles, por Riscado
Melhor ator
Wagner Moura, por Vips
Melhor direção
Charly Braun, por Além da estrada
Melhor ficção - voto popular
O senhor do labirinto, de Geraldo Motta e Gisella de Mello
Melhor ficção - júri
Vips, de Toniko Melo