segunda-feira, 26 de julho de 2010

Jack Nicholson em "O Iluminado"



É muito difícil fazermos isso, mas hoje destacarei uma atuação de um único filme. Para mim a atuação de Jack Nicholson em O Iluminado é uma das melhores representações que eu já vi de um ator no cinema. O personagem de Nicholson, Jack Torrance encarna um escritor fracassado encarregado de cuidar de um hotel abandonado em pleno inverno junto com sua mulher e seu filho. Porém, a medida que o tempo passa, a fama de que o hotel abriga assombrações começa a se tornar real e começa a enlouquecer Jack. E é aí que começa a brilhar a estrela de Nicholson. O ator exibe um terror psicológico incrível. Suas expressões de loucura são totalmente espontâneas e convincentes, suficientes para dar ao filme a tensão esperada por Stanley Kubick. Apenas sua atuação já é um filme de terror a parte, especialmente quando tenta matar sua mulher e seu filho. Porém, ele também consegue ser incrivelmente sarcástico chegando a cantar a música do Três Porquinhos num dos momentos mais nervosos do filme. Tamanha naturalidade que nos dá a impressão de que ele se torna maior do que seus companheiros, apesar de Danny Boyle também ter um ótimo desempenho. Essa perfeição foi alcançada pela repetição incessante da mesma cena, marca característica do diretor. O fato é que Nicholson nos dá medo de uma maneira que poucos (ou nenhum) conseguem fazer e faz com que o filme de Kubrick seja ainda melhor.

Confira alguns vídeos da performance do ator em "O Iluminado":
 

 
 

 
 

 
 

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O Trabalho de um crítico de cinema

O trabalho de um crítico de cinema não é fácil. Analisar e sintetizar os principais aspectos do filme é uma tarefa demorada e que depende de muitos fatores. No vídeo abaixo o crítico de cinema Pablo Villaça analisa sob um olhar crítico uma cena do filme de Martin Scorsese, Os Bons Companheiros. Confira:


terça-feira, 20 de julho de 2010

35mm

Ótima animação. O curta mostra 35 filmes em 2 minutos da forma mais simplificada possível. Consegue identificar todos?


35mm from Pascal Monaco on Vimeo.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A Onda

A Onda é um filme original de 1981 lançado em formato de média-metragem para um programa de televisão. A história é baseada em fatos reais de uma escola na Califórnia, Estados Unidos, em 1967 e virou livro anos depois. Ano passado a produção foi relançada na Alemanha sob a direção de Dennis Gansel numa versão, para mim, muito mais completa e interessante que a anterior.




Acompanhamos a história do professor Rainer Wenger, responsável por ensinar a seus alunos sobre o tema autocracia. Como forma de explicar de maneira mais convincente sua idéia de que atualmente ainda é possível a imposição de uma ditadura na Alemanha, Wenger propõe um exercício prático aos seus alunos: ele passa a exigir mais disciplina em sala de aula e a partir disso seus alunos criam um movimento (chamado “A Onda”) organizado que com o tempo passa a ter símbolos, roupas e até uma saudação próprias. Mas, com o tempo, o grupo cresce e se une de tal forma que essa situação sai completamente do controle do professor. Os alunos passam a pichar o símbolo do movimento nas ruas, se envolvem em brigas e outras formas de violência, estigmatizam e excluem todos aqueles que não participam do “A Onda”. Porém, todos os envolvidos com o movimento se sentem muito melhores do que antes. A sensação de união, de solidariedade e respeito as diferenças, onde ninguém é superior a ninguém são os sentimentos mais ressaltados por eles. Tudo o que realmente importa passa a ser o grupo, com cada um perdendo suas individualidades e ainda por cima com a sensação de superioridade sobre aqueles que não fazem parte do grupo.



Diversas relações entre amigos e familiares começam a se distanciar com o comprometimento cada vez maior com “A Onda”. Tudo isso é comprovado com muita calma através de um roteiro que procura explorar e valorizar cada uma dessas ações de degradação humana. Com isso, diversos perfis começam a se destacar, garantindo ainda mais força a mensagem final do filme. O perturbado Tim ameaça com armas pessoas que não fazem parte do “A Onda”, foge de casa e vai pedir ajuda na casa de seu professor e grande “chefe” do grupo. O professor Wenger briga com sua mulher uma vez que ela não entende o porquê do movimento, e passa a sentir que é melhor que os outros professores, já que suas aulas fazem muito mais sucesso. Marco acaba seu namoro e até bate em Karo, aluna que critica e procura acabar com o movimento. Ela, inclusive, é vista por nós como uma vilã. Afinal, também ficamos comovidos com tamanha união e dedicação das pessoas a um grupo. Por outro lado, também nos assustamos com que cada membro é capaz de fazer pelo movimento. Ninguém tem a consciência dos danos que o movimento causa aos outros e a si mesmo e de qual o seu verdadeiro objetivo.



Tudo isso nos faz pensar em outra questão a ser explorada: a facilidade de manipulação com os jovens. Hoje podemos perceber que grupos como os skinheads e neo-nazistas se mantém especialmente devido a participação dos jovens. Diversos movimentos como esses e até manifestações populares como as “Diretas Já” ganharam força com os mais jovens por conta da sua capacidade de união, organização em grupo e crença em uma ideologia. E talvez mais recorrente entre pela indefinição comum de seus objetivos na vida e tentativas de se sentir incluído em algum grupo. Apesar de não haver uma ideologia pré definida no “A Onda”, a mesma coisa acontece com seus participantes. O personagem Tim é o grande exemplo e chega a dizer: “A Onda” é minha vida. Afinal, um grupo é sempre mais forte do que a individualidade.

Com um elenco repleto de ótimas atuações e uma ótima direção “A Onda” é um filme que traz longas reflexões que, mesmo após o filme, podem produzir boas discussões históricas (e entendemos o porquê algo como o nazismo e o fascismo obteve êxito durante tanto tempo), sociológias e psicológicas, especialmente com um chocante e perturbador final que nos faz compreender o quanto um movimento desses pode ser tão perigoso.


Confira o trailer:



Renan Araújo

sábado, 17 de julho de 2010

Vídeo 35 filmes em dois minutos e Festival de Cinema de Paulínia

Muito interessante esse vídeo que possui representações de 35 filmes em apenas 2 minutos. Você consegue reconhecer todos eles? Confesso que eu não consegui. O link está logo abaixo:

http://vimeo.com/13334581

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Festival de Paulínia chega com maior premiação em dinheiro do país


Retirado do site:
http://cinema.uol.com.br/ultnot/2010/07/14/paulinia-festival-de-cinema-chega-a-3-edicao-com-maior-premiacao-em-dinheiro-do-pais.jhtm


O Paulínia Festival de Cinema chega à sua 3ª edição na próxima quinta (15), consolidando-se como um dos mais importantes do Brasil – especialmente para cineastas e produtores. O evento confere uma premiação no valor total de R$ 650 mil, dividida entre diversas categorias, como melhor filme de ficção, documentário, diretor e outras. O prêmio para o melhor longa de ficção é de R$ 150 mil (R$ 90 mil a mais do que no ano passado), quase o dobro da categoria no Festival de Brasília, um dos mais respeitados do país, e do Festival de Cinema do Paraná – cada um deles pagando R$ 80 mil.

Para poder se inscrever, o longa precisa ser inédito em circuito nacional ou, pelo menos, não ter recebido prêmio de melhor filme em outro festival brasileiro. Essa exigência acaba limitando as opções de seleção dos festivais nacionais que acontecem no primeiro semestre, como Cine PE (abril) e Cine Ceará (julho). Em 2010, doze longas (seis ficções e seis documentários), além de 13 curtas, disputam os prêmios em Paulínia.

Concorrem na categoria longa de ficção coletivo “5 X Favela, Agora Por Nós Mesmos”, de Manaíra Carneiro e Wagner Novaes, Rodrigo Felha e Cacau Amaral, Luciano Vidigal, Cadu Barcellos, Luciana Bezerra; “Broder”, de Jefferson De; “As Doze Estrelas”, de Luiz Alberto Pereira; “Desenrola”, de Rosane Svartman; “Dores e Amores”, de Ricardo Pinto e Silva; e “Malu de Bicicleta”, de Flavio Tambellini.

Já os documentários, que disputam um prêmio de R$ 50 mil, são “As Cartas Psicografadas de Chico Xavier”, de Cristina Grumbach; “Lixo Extraordinário”, de Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley; “Uma Noite em 67”, de Renato Terra e Ricardo Calil; “Programa Casé”, de Estevão Ciavatta; “São Paulo Cia de Dança”, de Evaldo Mocarzel; e “Sobre Leite e Ferro”, de Claudia Priscilla.

Além dos filmes em competição, o Paulínia Festival de Cinema exibe mostras paralelas, com destaque para longas inéditos em circuito comercial, como “Cabeça a Prêmio”, de Marco Ricca, e “Eu e Meu Guarda Chuva”, de Toni Vanzolini.

Homenagens e debates

Na abertura do festival, nesta quinta, será exibida a cópia restaurada do premiado “O Beijo da Mulher-Aranha”, de Hector Babenco, que será homenageado no evento, que também exibirá seu longa “Coração Iluminado”, numa mostra paralela. O longa “400 contra 1”, de Caco Souza, que traz no elenco Daniel de Oliveira e Daniela Escobar, será o filme de encerramento, no dia 22.

Além da exibição de filmes, o Paulínia Festival de Cinema promove debates sobre produção e crítica. Na sexta (16), o tema é “Políticas públicas para o cinema brasileiro”; no sábado (17), acontece um encontro da crítica; e no domingo (18), uma palestra sobre cidadania e cinema.

Todas as sessões do festival (exceto abertura e encerramento) são gratuitas e abertas ao público. Para mais informações, além da agenda completa, acesse o site do festival - http://www.culturapaulinia.com.br/index.php


Renan Araújo

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O filme do ano


Danny Trejo é Machete

Sim, esse post é do inicio ao fim opinativo, e desconsidera todos os aspectos básicos estabelecidos pelos críticos de cinema como critério para definir se uma produção é boa ou ruim.

“Machete”, nova produção do diretor Robert Rodriguez, não passava de um falso trailer exibido antes do filme Planeta Terror de 2007. Mas, ainda bem para os fãs, o projeto (que segundo Rodriguez havia surgido antes mesmo de Grindhouse) tornou-se realidade e chega à telona em setembro nos EUA. O filme tem tudo que um bom longa precisa: um mexicano matador, conspiração, mulheres bonitas, um padre assassino, explosões e um ator decadente (Steven Seagal está no elenco). Tudo isso compõem esse, que na minha opinião, será o lançamento do ano. Se você ainda não viu o trailer, confira primeiro o “original” de 2007 e o recém lançado de 2010.

“2007”



“2010”



Making of



Guilherme Damiani

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Quem quer ser um milionário?


Quem quer ser um milionário?, filme ganhador de 8 Oscars, inclusive o de melhor filme, direção e roteiro adaptado, é o maior símbolo da preferência atual de Hollywood por filmes não convencionais àqueles costumeiramente premiados na maior cerimônia do cinema mundial (de grandes orçamentos, grandes efeitos especiais e astros super reconhecidos). A produção do diretor Danny Boyle foi realizada com baixo orçamento, atores desconhecidos e até iniciantes e filmada em Munbai na Índia. A trama acompanha a história do garoto indiano Jamal Malik (Dev Patel) desde a sua infância até chegar a um programa de perguntas e respostas onde tem a chance de ganhar o maior prêmio da história da televisão indiana.



A história começa com um interrogatório policial que tenta investigar uma suposta fraude com o sucesso surpreendente de um garoto que nem mesmo teve acesso à educação durante a sua vida. À medida que assistimos aos seus acertos no programa assistimos a flashbacks sobre as diversas dificuldades que o garoto passou durante a infância que de maneira impressionante se encaixam em cada uma das perguntas que o garoto deve responder na mesma ordem em que são realizadas. Ou seja, o objetivo é explicar que todo o sofrimento pelo qual Jamal passou foi a única forma de aprendizado para o programa, ou seja ele teve muita sorte com as perguntas escolhidas (única explicação plausível). A tal tortura e a investigação policial também soam artificiais a fim de buscar uma confissão sobre uma possível fraude no programa. Ou seja, não passa de uma situação que serve apenas como componente dramático a uma trama que sofre em certos momentos pela falta de ligação e veracidade entre certos elementos do roteiro.


Atores na cerimônia de entrega do Oscar


Porém, a produção também possui ótimos momentos. Passamos pela mesma tensão e sofremos com as situações de Jamal e seu irmão Salim como a morte da mãe, o abandono e a exploração sofrida por um bandido que treina seu grande amor para trabalhar como prostituta e o envolvimento de seu irmão com o mundo do crime. A cada resposta certa no programa vibramos, ficamos ansiosos com a pergunta que virá e torcemos como se estivéssemos em seu lugar. Também merece destaque a excelente atuação dos jovens atores que interpretam os irmãos Jamal e Salim enquanto são crianças. A relação entre os dois é absolutamente espontânea e sua degradação é exibida de maneira emocionante, o que garante aos flahsbacks os melhores momentos do filme. Enfim, Quem quer ser um milionário? É um bom filme, que diverte, apesar de suas falhas.

Confira o trailer:
 

 
Renan Araújo

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Uma grata surpresa


Sabe quando você ouve falar tão bem de um certo filme que não vê a hora de assisti-lo? Pois bem, Magnólia (1999) foi para mim um desses filmes.

Confesso que ao perceber que sua duração era um pouco acima do normal (o longa ultrapassa três horas de exibição) cheguei a pensar que ele se tornaria maçante. Ledo engano. Magnólia encanta do inicio ao fim com sua história cheia de tropeços, erros, arrependimentos e detalhes que fazem toda a diferença.

A começar pela abertura, simplesmente fantástica, que mesmo não estando ligado com a história principal nos insere indiretamente dentro do contexto que será apresentado pelo filme que está prestes a começar. Trata-se de uma sucessão de eventos que se cruzam terminando com um acidente familiar trágico (para não dizer bizarro). Mas tudo isso com um toque de humor negro, mostrando como a vida pode ser imprevisível e como de uma forma ou de outra nossas ações interferem as nossas vidas e a de outras pessoas.

Não pretendo revelar muito do enredo, portanto me restringirei apenas a velha sinopse convencional: a história se passa na cidade de Los Angeles, onde nove vidas se cruzam pelo destino. Curiosamente estas pessoas moram aos redores da rua Magnólia e tudo se passa no período de um dia. O que aproxima essas personagens é o estado em que estão: arrependidas, amarguradas, solitárias ou até mesmo morrendo.

Sapos?

Talvez ao concluir esse filme você termine com várias dúvidas. Eu fiquei com algumas, mas após ler alguns textos (que poderão ser lidos através dos links no final do texto) muito do que me parecia não ter lógica alguma se encaixava de forma genial dentro do contexto. Aliás, o diretor Paul Thomas Anderson exige que o expectador consiga captar algumas “pistas” deixadas pelo filme, coisas simples, que ao olhar mais distraído podem acabar passando despercebido. Se você ainda não assistiu ao filme preste bem atenção em números, religião e chuva.


Magnólia já está na minha lista de filmes favoritos. Talvez pelo enredo que me recorda Crash – no Limite (2005) pelas histórias que se cruzam, ou também por 21 Gramas (2003) por me lembrar o estado caótico das personagens. Independente disso, Magnólia é um ótimo filme.

Trailer



Pablo Villaça- Cinema em Cena
Régis Trigo – Cineplayers
Wander Cabral – Cineplayers

Guilherme Damiani

terça-feira, 6 de julho de 2010

Era Uma Vez no Oeste



Dando continuidade a linha western dos últimos posts do blog, hoje falarei de um filme que aprecio muito: o já clássico “Era Uma Vez no Oeste” (1968) do diretor Sérgio Leone.
De narrativa lenta, exaustiva e com todo o peso que um filme de faroeste deveria ter, “Era Uma Vez no Oeste” se firmou com o tempo como um dos maiores filmes do gênero. Como o próprio diretor disse “O ritmo do filme pretendeu criar a sensação dos últimos suspiros que uma pessoa exala antes de morrer. Era Uma Vez no Oeste é, do começo ao fim, uma dança da morte. Todos os personagens do filme, exceto Claudia (Cardinale), têm consciência de que não chegarão vivos ao final”. Isso resume muito bem os 165 minutos do longa metragem que com diálogos memoráveis, cenas antagônicas e uma trilha sonora memorável cravaram este como uma das melhores obras cinematográficas de todos os tempos.




O longa gira em torno de quatro protagonistas: Jill, uma ex-prostituta que larga o seu passado para se casar com o viúvo Brent McBrain, buscando assim uma nova vida; o bandido Cheyenne acusado por uma chacina que não cometeu; o pistoleiro imperdoável Frank (vilão interpretado por Henry Fonda) e o “homem misterioso”,sujeito que vive calado que sempre munido com a sua gaita vive em busca de vingança.



Composta por Ennio Morricone, a trilha é mais um personagem dentro do filme. Emocionante, sua presença é tocante. É impossível assistir o longa sem notar a trilha que embala cena após cena.



“Era Uma Vez no Oeste” é indispensável, tanto para apreciadores de westerns quanto pelos amantes do cinema. Surpreendentemente, o filme foi um fracasso de bilheteria na época em que foi lançado. Isso se deve pela narrativa lenta que acabou não agradando o público e grande parte da crítica. Confesso que em muitas partes pensei que acabaria não gostando da obra, mas, com um final surpreendente (que não contarei), “Era Uma Vez no Oeste” é, e com todos os créditos, um filme memorável.


Guilherme Damiani



domingo, 4 de julho de 2010

Três Homens em conflito

Aproveitando o gênero faroeste que eu comentei no post abaixo, hoje trarei aqui uma cena memorável, agora do terceiro filme da série dos dólares do diretor Sérgio Leone. O vídeo abaixo mostra a disputa final entre o Bom, o Mau e o Feio para pegar um tesouro secreto. Tudo isso com as boas e velhas características de filmes de faroeste e a emoção das produções do diretor italiano. Confira:



Retirado do blog Diário de Bordo do site Cinema em Cena


Renan Araújo

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Por uns dólares a mais (1965)

O gênero western ou faroeste é pouco comentado, especialmente aqui no Brasil, onde não produzimos filmes com essa temática. Mesmo assim, é um gênero muito interessante de ser abordado e que agrada a uma boa parte do público interessado em cinema. No texto abaixo falarei sobre o clássico “Por uns dólares a mais” de Sérgio Leone.

“Por uns dólares a mais” é o segundo filme da trilogia dos dólares do diretor italiano Sérgio Leone. Os outros dois são “Por um punhado de dólares” e “Três homens em conflito”. Esse filme pertence ao chamado western spaghetti, filmes de faroeste realizados por diretores italianos na Europa. Ele foi filmado com baixo orçamento em Almeria na Espanha, cenário que simula bem o Velho Oeste americano. A partir dessa trilogia Sérgio Leone e seu ator preferido Clint Eastwood obtêm reconhecimento internacional. A história do filme traz como personagens principais dois matadores de aluguel rivais, o homem sem nome, chamado apenas por Monco (Clint Eastwood) e Douglas Mortimer (Lee Van Cleef), que se unem para matar um índio e sua gangue de bandidos que planeja roubar um banco no Velho Oeste dos Estados Unidos.



O roteiro do filme é pouco elaborado, por conta da lentidão no desenvolvimento da trama principal e ela se desenrola de maneira até simplória demais. Algumas situações de aproximação entre os personagens parecem um pouco forçadas demais. Mas, por outro lado, Sérgio Leone consegue se destacar e exibir um desempenho impecável. O diretor utiliza já nesse filme diversas marcas que o tornariam consagrado posteriormente. Sua direção explora muito bem a expressão dos atores e procura esticar ao máximo a tensão com planos que valorizam a disputa que está por vir. Os vários cortes, closes e cenas de longa sequência são o seu grande diferencial. O italiano utiliza até mesmo algumas cenas engraçadas e brinca com os tiros, mesmo em uma situação aparentemente tensa, como nos tiros nos chapéus entre os personagens principais ou nas balas que Monco utiliza para que um homem possa alcançar suas frutas em uma árvore distante. Assim, nossa atenção é desviada da disputa entre os dois atiradores que está por vir. Em alguns casos, esse confronto simplesmente não acontece e serve apenas como uma brecha para que a história se desenvolva. Mas nem por isso deixa de ser menos emocionante ou surpreendente, como no caso do suposto confronto entre Mortimer e Monco.


Miniaturas dos personagens do filme

Destacam-se também os cenários marcantes dos filmes de faroeste com o deserto árido, as pequenas cidades com suas casinhas de madeiras e shallons e os cavalos como único meio de transporte. Outro ponto forte é a desconstrução de seus personagens. Desde o início percebe-se a preocupação de enaltecer suas características mais fortes. Ao fim do filme já estamos familiarizados com a pontaria certeira dos dois atiradores, a agilidade, sua sede pelo dinheiro, os chapéus, seus figurinos típicos, suas expressões faciais e olhares e até mesmo suas maneiras de atirar. Tudo isso é claro com as marcantes atuações de Lee Van Cleef e Clint Eastwood, que passa a confirmar seu talento nos filmes do gênero. Enfim, é uma ótima opção para quem gosta dos chamados filmes de bang-bang.

Confira o trailer: