terça-feira, 14 de setembro de 2010

Todos os Homens do Presidente

Todos os Homens do Presidente, filme de 1976 ganhador de quatro Oscars, conta em detalhes os bastidores da cobertura do caso Watergate, que resultou na renúncia do presidente Richard Nixon. Os repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward, do Washington Post ainda não se conhecem quando estoura o escândalo da prisão de cinco invasores na sede do Partido Democrata com câmeras e microfones. Primeiramente, o acontecimento não apresenta ligações com a eleição de Nixon, mas os dois não se convencem disso e começam a investigar o caso.




Com isso, os jornalistas elaboram uma lista com todas as fontes prováveis de terem algum tipo de ligação com o caso e passam diversas noites em claro visitando e questionando diversas fontes prováveis de terem algum tipo de ligação com a invasão. Eles também descobrem uma fonte misteriosa, o Garganta Profunda, que garante que o caso é ainda mais grave do que imaginam, mas que não revela tudo o que sabe. Os dois não mostram medo de fazer perguntas muito diretas até obter as respostas sinceras de seus entrevistados. Se algumas entrevistas exigem calma e possuem a duração de horas, dentro da redação o trabalho se mostra diferente. Tudo acontece muito rápido e há pouco espaço para hesitações ou erros. Ao mesmo tempo, Carl e Bob tentam convencer seu editor-chefe, um homem exigente e que não acredita em tudo o que vê e ouve, a conseguir espaço para suas reportagens. Isso faz com que o trabalho dos dois jornalistas se torne ainda mais intenso e sacrificante: afinal seu editor não admite fatos sem provas concretas e nem espaço para qualquer tipo de erro. Uma reportagem que os dois imaginavam boa para a capa da edição acaba nas páginas internas, já que seu editor exige “mais fatos”.



É possível perceber também que os perfis de Carl e Bob se completam: a experiência do primeiro compensa a falta de prática do segundo. Por outro lado, Bob mostra uma organização e uma preocupação com os fatos muito maior do que Carl. Talvez esse tenha sido o grande motivo pelo qual os repórteres tiveram tanto mérito na cobertura do caso. Afinal, ambos praticavam o jornalismo mais honesto possível, com uma grande preocupação em checar as fontes e a veracidade do que elas diziam para não incorrerem em mentiras. Ou seja, um jornalismo raro de ser realizado hoje. O caso Watergate também representa um tipo de reportagem que está praticamente em extinção nos jornais, resultado da superficialidade e imediatismo exigido pelos veículos: A grande-reportagem, em que repórteres passavam meses se dedicando a um único assunto e assim podiam se aprofundar na cobertura de um caso que podia render vários dias de matérias. Enfim, o filme, que também conta com as ótimas atuações Robert Redford e Dustin Hoffman, é mais que indicado para todos que se interessam pela comunicação ou mesmo que tenham curiosidade de saber mais sobre os bastidores de um jornal.

Confira o trailer:

2 comentários:

pseudo-autor disse...

Não podia deixar de comentar sobre essa obra-prima: o filme definitivo sobre jornalismo até hoje já feito. Teve O Informante, do Michael Mann, que também é avassalador, mas esse aqui tem história pra séculos...

Cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com

Hugo disse...

Este filme mostra o verdadeiro jornalismo investigativo, sem rabo preso com os poderosos, algo raro hoje dia.

Abraço

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