quinta-feira, 1 de julho de 2010

Por uns dólares a mais (1965)

O gênero western ou faroeste é pouco comentado, especialmente aqui no Brasil, onde não produzimos filmes com essa temática. Mesmo assim, é um gênero muito interessante de ser abordado e que agrada a uma boa parte do público interessado em cinema. No texto abaixo falarei sobre o clássico “Por uns dólares a mais” de Sérgio Leone.

“Por uns dólares a mais” é o segundo filme da trilogia dos dólares do diretor italiano Sérgio Leone. Os outros dois são “Por um punhado de dólares” e “Três homens em conflito”. Esse filme pertence ao chamado western spaghetti, filmes de faroeste realizados por diretores italianos na Europa. Ele foi filmado com baixo orçamento em Almeria na Espanha, cenário que simula bem o Velho Oeste americano. A partir dessa trilogia Sérgio Leone e seu ator preferido Clint Eastwood obtêm reconhecimento internacional. A história do filme traz como personagens principais dois matadores de aluguel rivais, o homem sem nome, chamado apenas por Monco (Clint Eastwood) e Douglas Mortimer (Lee Van Cleef), que se unem para matar um índio e sua gangue de bandidos que planeja roubar um banco no Velho Oeste dos Estados Unidos.



O roteiro do filme é pouco elaborado, por conta da lentidão no desenvolvimento da trama principal e ela se desenrola de maneira até simplória demais. Algumas situações de aproximação entre os personagens parecem um pouco forçadas demais. Mas, por outro lado, Sérgio Leone consegue se destacar e exibir um desempenho impecável. O diretor utiliza já nesse filme diversas marcas que o tornariam consagrado posteriormente. Sua direção explora muito bem a expressão dos atores e procura esticar ao máximo a tensão com planos que valorizam a disputa que está por vir. Os vários cortes, closes e cenas de longa sequência são o seu grande diferencial. O italiano utiliza até mesmo algumas cenas engraçadas e brinca com os tiros, mesmo em uma situação aparentemente tensa, como nos tiros nos chapéus entre os personagens principais ou nas balas que Monco utiliza para que um homem possa alcançar suas frutas em uma árvore distante. Assim, nossa atenção é desviada da disputa entre os dois atiradores que está por vir. Em alguns casos, esse confronto simplesmente não acontece e serve apenas como uma brecha para que a história se desenvolva. Mas nem por isso deixa de ser menos emocionante ou surpreendente, como no caso do suposto confronto entre Mortimer e Monco.


Miniaturas dos personagens do filme

Destacam-se também os cenários marcantes dos filmes de faroeste com o deserto árido, as pequenas cidades com suas casinhas de madeiras e shallons e os cavalos como único meio de transporte. Outro ponto forte é a desconstrução de seus personagens. Desde o início percebe-se a preocupação de enaltecer suas características mais fortes. Ao fim do filme já estamos familiarizados com a pontaria certeira dos dois atiradores, a agilidade, sua sede pelo dinheiro, os chapéus, seus figurinos típicos, suas expressões faciais e olhares e até mesmo suas maneiras de atirar. Tudo isso é claro com as marcantes atuações de Lee Van Cleef e Clint Eastwood, que passa a confirmar seu talento nos filmes do gênero. Enfim, é uma ótima opção para quem gosta dos chamados filmes de bang-bang.

Confira o trailer:

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