segunda-feira, 19 de julho de 2010

A Onda

A Onda é um filme original de 1981 lançado em formato de média-metragem para um programa de televisão. A história é baseada em fatos reais de uma escola na Califórnia, Estados Unidos, em 1967 e virou livro anos depois. Ano passado a produção foi relançada na Alemanha sob a direção de Dennis Gansel numa versão, para mim, muito mais completa e interessante que a anterior.




Acompanhamos a história do professor Rainer Wenger, responsável por ensinar a seus alunos sobre o tema autocracia. Como forma de explicar de maneira mais convincente sua idéia de que atualmente ainda é possível a imposição de uma ditadura na Alemanha, Wenger propõe um exercício prático aos seus alunos: ele passa a exigir mais disciplina em sala de aula e a partir disso seus alunos criam um movimento (chamado “A Onda”) organizado que com o tempo passa a ter símbolos, roupas e até uma saudação próprias. Mas, com o tempo, o grupo cresce e se une de tal forma que essa situação sai completamente do controle do professor. Os alunos passam a pichar o símbolo do movimento nas ruas, se envolvem em brigas e outras formas de violência, estigmatizam e excluem todos aqueles que não participam do “A Onda”. Porém, todos os envolvidos com o movimento se sentem muito melhores do que antes. A sensação de união, de solidariedade e respeito as diferenças, onde ninguém é superior a ninguém são os sentimentos mais ressaltados por eles. Tudo o que realmente importa passa a ser o grupo, com cada um perdendo suas individualidades e ainda por cima com a sensação de superioridade sobre aqueles que não fazem parte do grupo.



Diversas relações entre amigos e familiares começam a se distanciar com o comprometimento cada vez maior com “A Onda”. Tudo isso é comprovado com muita calma através de um roteiro que procura explorar e valorizar cada uma dessas ações de degradação humana. Com isso, diversos perfis começam a se destacar, garantindo ainda mais força a mensagem final do filme. O perturbado Tim ameaça com armas pessoas que não fazem parte do “A Onda”, foge de casa e vai pedir ajuda na casa de seu professor e grande “chefe” do grupo. O professor Wenger briga com sua mulher uma vez que ela não entende o porquê do movimento, e passa a sentir que é melhor que os outros professores, já que suas aulas fazem muito mais sucesso. Marco acaba seu namoro e até bate em Karo, aluna que critica e procura acabar com o movimento. Ela, inclusive, é vista por nós como uma vilã. Afinal, também ficamos comovidos com tamanha união e dedicação das pessoas a um grupo. Por outro lado, também nos assustamos com que cada membro é capaz de fazer pelo movimento. Ninguém tem a consciência dos danos que o movimento causa aos outros e a si mesmo e de qual o seu verdadeiro objetivo.



Tudo isso nos faz pensar em outra questão a ser explorada: a facilidade de manipulação com os jovens. Hoje podemos perceber que grupos como os skinheads e neo-nazistas se mantém especialmente devido a participação dos jovens. Diversos movimentos como esses e até manifestações populares como as “Diretas Já” ganharam força com os mais jovens por conta da sua capacidade de união, organização em grupo e crença em uma ideologia. E talvez mais recorrente entre pela indefinição comum de seus objetivos na vida e tentativas de se sentir incluído em algum grupo. Apesar de não haver uma ideologia pré definida no “A Onda”, a mesma coisa acontece com seus participantes. O personagem Tim é o grande exemplo e chega a dizer: “A Onda” é minha vida. Afinal, um grupo é sempre mais forte do que a individualidade.

Com um elenco repleto de ótimas atuações e uma ótima direção “A Onda” é um filme que traz longas reflexões que, mesmo após o filme, podem produzir boas discussões históricas (e entendemos o porquê algo como o nazismo e o fascismo obteve êxito durante tanto tempo), sociológias e psicológicas, especialmente com um chocante e perturbador final que nos faz compreender o quanto um movimento desses pode ser tão perigoso.


Confira o trailer:



Renan Araújo

2 comentários:

Hugo disse...

O filme é um grande estudo sobre o comportamente humano, principalmente dos jovens em grupo. A forma usada pelo professor no filme é semelhante a usada por diversos grupos no mundo real para dominar massas.

Abraço

Giovana Fox disse...

que massa!!!! eu nao sabia que tinha esse filme. eu assisti o original e achei muito massa. vou ver essa versao;

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