segunda-feira, 28 de junho de 2010

À Espera de um Milagre

Como o Guilherme já disse em um post anterior, essa é daquelas produções que realmente nos fazem chorar. O filme, uma adaptação do conto de Stephen King, traz a história, contada em forma de flashback, de Paul Edgecomb (Tom Hanks), um policial responsável por executar condenados à morte em na prisão de Green Mile, no sul dos Estados Unidos. Com a chegada do misterioso John Coffey (Michael Clark Duncan), Paul se vê completamente envolvido com o prisioneiro que possui dons absolutamente incomuns e mágicos.

A produção dirigida por Frank Darabont é envolvente em todos os sentidos. Tudo se desenrola com muita calma para que o espectador possa se ambientar com os personagens, o local e todos os tipos de situações que acontecem ali. Podemos ver até mesmo uma relação pacífica e até humana entre os prisioneiros e os policiais, que pouco se importam com o passado e os crimes cometidos pelos detentos. Há pelo lado deles até mesmo um certo incômodo por estarem na posição de executores de uma vida. Porém, se passamos a nos ambientar com o que acontece na prisão, continuamos chocados com as execuções praticadas, uma vez que não passam de algo completamente inútil e cruel. Porém, para que o filme não adquira um clima tão pesado, situações engraçadas como as brincadeiras entre Eduard Delacroix (Michael Jeter) e o ratinho Mr. Jingles e os castigos pelas maldades praticadas por Percy Wetmore (Doug Hutchison) e pelos outros presos, se mostram necessárias ao filme.


 
Porém, a chegada de John Coffey abala todos os presos e guardas que convivem com ele. Logo que seus dons sobrenaturais são desvendados novas emoções aparecem e tudo muda radicalmente. A competente direção de Frank Darabont garante grande importância à cada ato de Coffey e aumenta o clima de mistério em torno de sua misteriosa personalidade. As atitudes do grandalhão, que a primeira vista parece ser perigosíssimo mas que se mostra totalmente inofensivo, faz os próprios guardas mudarem em relação ao tratamento com os outros presos, passando a se envolverem mais com eles. Embora o espectador assista à história do ponto de vista de Paul, o grande personagem do filme é John Coffey. E é admirável que isso aconteça de modo muito sutil, sem artificialidade para a trama.

Darabont faz uma direção belíssima. Consegue trazer os elementos necessários à trama com calma e traz grande conforto ao espectador, mas sabe explorar a emoção e os sentimentos de seus personagens de forma muito forte, mesmo com simples ações. Para isso, ele utiliza planos de câmera e uma fotografia que procuram enaltecer a expressão dos atores ou que escondem algum elemento misterioso que será revelado em seguida. A atuação de Tom Hanks é excelente, já que soube retratar de forma muito espontânea a transformação de seu personagem com as situações envolvidas. Mas o grande destaque é Michael Clarke Duncan na pele de John Coffey. O ator transmite uma bondade e uma gentileza comparadas à de uma criança que não suporta ver o mal no seu dia-a-dia. Tudo isso contrasta com seu porte físico, mas traz ainda mais carisma e emoção ao espectador.


 
A partir das descobertas dos milagres e dos poderes sobrenaturais de Coffey várias questões começam a ser discutidas: o preconceito, o despreparo e a estupidez da justiça ao se julgar um caso e condenar uma pessoa de maneira tão estúpida, a solidão, o valor a cada coisa simples da vida e as maldades que as pessoas cometem umas as outras. Ficamos com esses questionamentos em nossas cabeças após o fim do longa. “À Espera de um Milagre” é uma bela reflexão sobre a vida e as relações que envolvem os seres humanos. Filme para ser visto e revisto muitas vezes. E se emocionar em todas elas.


Confira o trailer:




Por Renan Araújo

3 comentários:

Hugo disse...

É um grande filme. A história é emocioante, o elenco de primeiro e como sempre Frank Darabont acerta em cheio na direção. Este é um grande diretor que ainda não o reconhecimento merecido.

Abraço

Roberto F. A. Simões disse...

Sim, sem dúvida, um grande filme. Prefiro SHAWSHANK REDEMPTION, mas esse também é bom. O THE MIST é que detestei.

Cumps.
Roberto Simões
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Xiko Bil disse...

Um dos melhores filmes que vi, e revi, até hoje! Bem dirigido, excelentes actores e uns efeitos especiais incríveis. Um filme marcante.

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