terça-feira, 4 de maio de 2010

Videoteca Básica - Valsa com Bashir


O que esperar de uma animação israelense? Para muitos, a produção seria uma cilada na certa, mas o que se vê é uma história magnífica ilustrada por um dos mais belos visuais já vistas no cinema. O filme traz a história de Ari Folman, roteirista, diretor e personagem principal do filme em forma de documentário que conta sua própria experiência que viveu durante a Guerra do Líbano entre Líbano e Israel durante a década de 1980. Na trama, um antigo amigo conta a Ari um sonho no qual sofre uma perseguição de 26 cães. Os dois concluem que o pesadelo tem a ver com sua experiência durante a guerra. Ari se sente incomodado e surpreso por não ter quase nenhuma lembrança a respeito do conflito. Assim ele vai em busca de outras pessoas que estavam com ele durante o período.



Com os depoimentos de antigos conhecidos que ele começa a relembrar de tudo o que aconteceu. A partir disso vem a tona sérias denúncias a respeito da conivência dos soldados israelenses com a matança de palestinos promovida por soldados de uma milícia libanesa cristã. Logo o sentimento de culpa começa a perturbá-lo ao perceber que não fez nada para impedir a situação. As cenas são fortes e trazem ao espectador o resultado esperado: resgatar as imagens de uma guerra e mostrá-la o quanto seu resultado foi desastroso ao aniquilar centenas de pessoas inocentes. Para isso, imagens reais de arquivo também estão presentes. Ou seja, toda a história é contada com a maior sinceridade e aproximação com a realidade vivida pelo diretor.



 Mas o grande diferencial da produção é o fato de ser realizada em forma de animação. Todas as cenas parecem ter sido desenhadas com uma beleza impressionante. As cores amarelas, laranjas e azuis predominantes em determinadas cenas contribuem para despertar no espectador os sentimentos melancólicos e perturbadores vividos pelos personagens. Todo esse visual catártico também produz situações absolutamente irreais como a alucinação vivida por Ari na qual ele “navega” deitado sobre uma mulher pelo mar. A trilha sonora também é parte integrante dessas emoções. Ao espectador só resta ficar impressionado com a plasticidade chocante que todas as simbólicas cenas possuem. Filme indicadíssimo para aqueles que procuram algo de qualidade fora de Hollywood.
 Veja o trailer: 

2 comentários:

Fernando disse...

Eu assisti no Festival de Cinema de SP de 2008 e pra mim era vitória certa no Oscar 2009 de Filme de Língua Estrangeira. Acabou vencendo o japonês Departures. É um belo filme que só poderia ser feito mesmo em animação porque se fosse real, seria muito trágico ver aquela quantidade de mortes.

Roberto F. A. Simões disse...

Por acaso ainda não vi, mas tenho gravado ali na box. Hei-de ver em breve. Vi um pouco do início e agradou-me bastante.

Cumps.
Roberto Simões
» CINEROAD - A Estrada do Cinema «

Postar um comentário