domingo, 30 de maio de 2010

O retorno de Polanski com "O Escritor Fantasma"

Polanski retorna com suspense hitchcockiano

O escritor sem nome interpretado por Ewan McGregor

O destaque dessa semana marca o retorno do diretor Roman Polanski ao cinema. O título “O Escritor Fantasma” resume bem o protagonista, que por sinal não tem seu nome citado no desenvolver da narrativa e cujo trabalho é escrever uma obra sem receber os créditos pela mesma. O tal escritor (Ewan McGregor) fora contratado para concluir uma autobiografia do ex primeiro ministro do Reino Unido Adam Lang (Pierce Brosnan), tentando limpar a sua imagem com o objetivo de mostrá-lo como uma boa pessoa.

O ghostwriter não possui família, amigos e tem apenas uma obra em seu currículo e algo que ele não esperava era descobrir que o antigo encarregado por esse trabalho havia sido encontrado morto sob circunstancias misteriosas. Conforme suas investigações progridem suas descobertas acabam deixando-o em perigo.


Adam Lang, personagem que pode ser relacionado com Polanski e até
mesmo com o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair


O longa intitulado “O Escritor Fantasma” trata-se de uma ficção que flerta, de uma forma ou de outra, com a realidade. Adam Lang seria a versão cinematográfica de Polanski, que ao invés de estar envolvido com escândalos sexuais vem sendo acusado por crimes de guerra. O ex ministro que supostamente entregava criminosos para serem torturados pela CIA, tem os EUA como aliado, pois não o entregam para que seja julgado pela corte européia. Já Polanski vive uma situação parecida, já que a Europa está lhe ajudando enquanto a corte americana prepara seu julgamento.
O personagem de Brosnan poderia ser comparado com outro individuo, mas esse também envolvido com a política: o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair, que recentemente testemunhou em um inquérito sobre a participação do seu governo na guerra do Iraque. Coincidência ou não, todos esses elementos estão ali presentes, deixando o suspense ainda mais eletrizante.


Roman Polanski: cineasta, nos últimos tempos, vem ganhando
mais destaque devido os escândalos sexuais

“O Escritor Fantasma” foi gravado e concluído em um período conturbado para Polanski. O cineasta que estava envolvido com a justiça por crimes sexuais ocorridos no passado, acabou não participando do final da filmagem devido a sua prisão pela Justiça Suíça. Em coletiva realizada no Festival de Berlim (onde Polanski não compareceu mas acabou ganhando o Urso de Prata de melhor diretor) o produtor Robert Benmussa falou um pouco sobre as dificuldades na conclusão das gravações. “Continuamos rodando o filme com ele na prisão. Mandávamos o material através do seu advogado”, disse. Mesmo com toda essa situação, Polanski merece o reconhecimento por mais uma obra dentro da sua já conceituada filmografia. Talvez este não seja um dos seus melhores filmes, mas o clima de suspense que envolve essa obra torna-a uma boa pedida.









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