terça-feira, 20 de abril de 2010

A falta de valorização do cinema brasileiro

Chico Xavier já levou mais de dois milhões de espectadores aos cinemas e foi o filme mais visto na última semana em território brasileiro. As Melhores Coisas do Mundo recebeu diversos elogios dos críticos antes de sua estréia. Mas mesmo assim, é perceptível que existe um preconceito do próprio brasileiro com os filmes locais. Já ouvi muitas vezes: “Não quero assistir esse filme só porque é brasileiro”. É lamentável que isso aconteça por aqui e é até mesmo difícil de explicar porque isso acontece. Hoje vou traçarei um breve histórico do cinema brasileiro. A partir disso, apontarei as principais dificuldades enfrentadas pela sétima arte no Brasil e tentarei encontrar as razões para a falta de valorização do cinema local por parte do público, dos governantes e dos próprios realizadores. Algumas considerações:


- O Brasil sempre sofreu forte concorrência dos Estados Unidos com a distribuição maciça de filmes americanos para cá. Acontece principalmente pela dominação geopolítica imposta em épocas de Guerra Fria. Sempre foi visto por aqui como sinônimo de qualidade e do melhor que há no cinema mundial. Foi amplamente divulgado e obtinha isenção de taxas alfandegárias na exibição desses filmes nas décadas de 20 e 30. É justamente nessa época que alguns de nossos talentos começam a ser “exportados” para o exterior como a cantora Carmen Miranda, que participou de várias produções.


- Pouco se investe em cinema e na arte em geral no Brasil. Muitos cineastas não conseguem apoio e acabam desistindo pela falta de incentivo do governo e de patrocínios para os custeios do filme. Também não se investe em escolas e cursos de cinema, o que dificulta a descoberta de novos talentos. Cursos relacionados ao tema sempre foram vistos como cursos secundários e conseguir entrar no mercado cinematográfico é algo de difícil acesso destinado a um grupo muito restrito.


- O Cinema Novo ganhou notoriedade pelo mundo inteiro com a forte temática social apresentada. Porém, era baseada principalmente na improvisação e seguia o lema: uma idéia na cabeça uma câmera na mão. Até por conta da falta de recursos para os cineastas. Nas décadas de 1970 e 1980, a pornochanchada domina o mercado nacional com histórias simples, com violência e de caráter sexual. Até mesmo hoje essa temática aparece bastante forte, o que desagrada algumas pessoas. Mesmo assim, conseguiu relativo sucesso e popularizou alguns filmes. Distribuidoras como a Embrafilme e estúdios como o Vera Cruz que financiaram diversas produções de sucesso vão à falência. Com a retomada de investimentos nos final da década de 90 acontece a retomada do cinema brasileiro, mas que aparece com pouca força em relação aos produtos hollywoodianos.


- A ditadura militar promoveu a censura a diversos filmes que nunca ou raras vezes foram exibidos ao público. Isso aconteceu também em outros governos como o de Getúlio Vargas na tentativa de impedir com que qualquer crítica ao sistema fosse realizada.


- Há uma forte tendência no país a esquecer grandes ídolos do passado. As novas gerações também tem pouco contato com grandes nomes do passado, muitos filmes não são resgatados ou modernizados para o DVD e quando são são pouco divulgados. Nomes como Mazzaropi e até mesmo Os Trapalhões podem se encaixar nesse caso.

-Alguns prêmios e conquistas:

O Cangaceiro de Lima Barreto é premiado como o melhor filme de aventura no Festival de Cannes

O Pagador de Promessas foi premiado como melhor filme do Festival de Cannes em 1962

Indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro: “O Quatrilho” (1995), “O Que é Isso, Companheiro” (1997) e “Central do Brasil” (1998), também vencedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim.

Tropa de Elite: vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim



O que podemos concluir é que são inúmeras as dificuldades para uma valorização do cinema brasileiro. Superá-las é um grande desafio por conta de todos os motivos acima descritos. Depende da boa vontade dos próprios brasileiros de tentar mudar esse quadro e contribuir para a evolução do cinema local com atos como assistir a produções brasileiras sem fazer um pré-julgamento delas antes. É algo incomum, mas completamente possível de ser feita.

Fontes:

http://www.dc.mre.gov.br/cinema-e-tv/historia-do-cinema-brasileiro

http://www.suapesquisa.com/musicacultura/cinema_brasileiro.htm

5 comentários:

Paulo A. disse...

Uma pena mesmo o Brasil não dar tanto valor aos filmes nacionais. As salas de cinema já são patentes americanas e para assistir um filme que não seja de Hollywood temos que recorrer a cinemas menores. Os atores também são pouco valorizados e são obrigados a buscar outras áreas como novela e propaganda para sobreviver da profissão. Tanta influência negativa, sem sentido e que vai contra nossa própria cultura.
Parabéns pela matéria, pretendo acompanhar mais por aqui.

Nekas disse...

Existe muita qualidade em filmes brasileiros como Cidade de Deus (2002)...
Mas a forte competição com os EUA...

Em Portugal acontece a mesma coisa.

Abraço
Cinema as my World

Fernando disse...

Muito bom o seu post e acho que cabe a nós, blogueiros que trata do tema, tentar incentivar e popularizar a cultura de assistir filmes nacionais.

Jipo disse...

Quem não vai ver filme brasileiro no cinema? Créu!
http://www.youtube.com/watch?v=nJMtW-U6pDc

Anônimo disse...

muito bom adorei estas imagens e frases

Postar um comentário