segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Quando um filme se torna eterno?

Cinema é arte, a sétima por convenção. Mas como nas outras áreas, nem tudo que é produzido para a telona pode se tornar uma grande obra. Como definir um filme a ser lembrado entre outros que passarão despercebidos nos próximos anos?

Os filmes não nasceram desse jeito como somos acostumados a assistir. A sala escura, a sensação de “imersão” na narrativa que se desenrola e os diversos gêneros por nós conhecidos demoraram a existir. Um longo processo de adequação, experimentos e estudos fizeram com que o cinema (pelo menos nas suas primeiras duas décadas) ainda não fosse, de fato, cinema. Quando pegamos “L'Arrivée d'un train à La Ciotat” (1895) dos irmãos Lumière ou “Viaje a la Luna” (1902) de Meliès estamos longe daquilo que seria considerado um verdadeiro filme (como essa discussão sobre os primeiros anos do cinema é muito extensa, deixarei como assunto para um próximo post). Esses dois exemplos foram o passo inicial, mas para o período não passavam de mais um tipo de entretenimento.

Foi apenas com “O Nascimento de Uma Nação” (1915) que avanços técnicos seriam explorados e uma narrativa mais bem estruturada seria utilizada, representando uma inovação para a época marcando o início do cinema. Mas isso não foi suficiente para que o filme de D. W. Griffith despontasse entre um dos “melhores filmes de todos os tempos” nas já conhecidas listas. O longa não sobreviveu com o passar das décadas, sendo lembrado apenas por aqueles que estudam cinema ou pelos curiosos de plantão.



“O Nascimento de Uma Nação” não é o único filme que acabou sendo esquecido. A lista dos “renegados” é gigantesca e uma grande parte só chega a receber o seu merecido prestigio após vários anos. Esse é o caso de “Festim Diabólico” (1948) de Alfred Hitchcock, que mesmo sendo um grande longa do diretor não obteve sucesso de críticas e bilheteria na década de 40. Hitchcock também não foi muito premiado, tal como outro gênio: Stanley Kubrick. Isso demonstra que as grandes premiações não imortalizam obras e nem sempre dão valor a quem merece valor. James Cameron, por exemplo, arrematou 11 categorias no Oscar de 1998 com “Titanic”, feito que apenas “Ben-Hur” e ”O senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” conseguiram atingir. Tudo leva a crer que esse ano o diretor repetirá a mesma cena com “Avatar”. Porém, mesmo com tantas estatuetas, “Titanic” não me parece um filme que será lembrado daqui algumas décadas, assim como Avatar (mesmo que esse último, certamente, será referência quando o assunto for efeitos especiais). O segredo de Cameron é dar ao público o que ele quer assistir: filmes de fácil compreensão com uma história clichê. Ele não é um diretor, e sim uma mina de dinheiro.



O tempo deu a Hitchcok e Kubrick seus lugares no hall dos grandes diretores. Se o mesmo acontecerá com Cameron e outros dessa safra de novos cineastas só o tempo dirá. O tempo talvez seja o grande crítico, apenas ele sabe se um filme se tornará “eterno”, pois nem sempre uma ótima bilheteria e vários prêmios conseguem resolver esse enigma. E na sua opinião, qual o segredo para um sucesso de longas décadas para um filme?

9 comentários:

Roqueira! (: disse...

acho que o segredo deve-se a capacidade do filme de emocionar, encantar ou empolgar o espectador. quem não chorou ao ver titanic?

Jack, The Ripper disse...

Eu não chorei ao ver Titanic. Eu dormi ao ver Titanic!

commedesprintemps disse...

Demais esse blog, vou passar a segui-lo.

Comentando o post.
Depende da sua concepção de eterno. Duvido que 80% da população saiba algo sobre os irmãos Lumière e seu cinematógrafo de 1895, assim como do próprio Mèlies, ambos citados. Duvida ainda que grande parte das pessoas (não generalizando, claro) lembre-se de muitos filmes que já assistiu.

Um filme só se torna eterno entre aqueles poucos (mas não somente) que buscam realmente o que é cinema e querem conhecer suas raízes, seus marcos. Entre essas pessoas sim, grandes filmes se tornam inesqueciveis e infelizmente para as demais, restam os blockbusters.

Canto do Lufa disse...

Eses diretores fizeram filmes eternos.

Depende do seu conceito de eterno.
Para mim Cidadao Kane é eterno, De volta para o Futuro. Todos os tipos de fimes podem ser eternos.

Annie Farokh disse...

Olha, sou super fã do Hitchcock, e principalmente, do Kubrick.
Não são filmes com enredos fáceis de entender, só o assistir de uma cena. Tem todo um contexto trabalhado naquela cena, todo um histórico.
Se o momento histórico em que o filme foi escrito e produzido não for analisado, todo o possível significado que o diretor tenha querido trazer à plateia se perderá.
Além do fato de o jeito como o filme desses grandes diretores é feito ser de uma qualidade excepcional em relação a início, meio, clímax, e fim.
Filmes como Titanic, Avatar(apesar de eu ter visto o que aconteceu neste filme como uma repetição do que os colonizadores fizeram com os povos que já habitavam a América, só que com uma tecnologia mais avançada) não têm uma crítica histórica, apenas contam uma história, sem fazer você refletir sobre ela. Não te mostram os podres da sociedade e o que, de acordo com a mentalidade da época deles, era preciso fazer para melhorá-la.
Chocar. Foi isto que Kubrick fez com o filme Laranja Mecânica. Por que, então, não nos chocamos com o que vemos todos os dias, mas somos atingidos em cheio por algo que é mostrado no cinema, nos livros e nas artes plásticas?
Acabei me prolongando um pouco, mas o segredo do sucesso de um filme, para mim, é ele trazer além de imagens, conteúdo por trás delas.
E os enlatados Hollywoodianos só fazem isso mesmo: trazer rios de dinheiro a todos os envolvidos nas produções. Uma verdadeira mina de ouro.
Grande abraço, e meus parabéns pelo blog encantador!

Flávio Gonçalves disse...

Gostei bastante do texto de reflexão, serviu-me de muito, parabéns!

Abraço

Ygor Moretti Fiorante disse...

Cara concordo com a sua defini~]ao do Cameron, Titanic achei bom mas depois peguei raiva do filme pelo excesso de "titanic" na midia, e Avatar conhecidentemente segue pelo mesmo caminho, como tenho dito quero ver, mas esta atrás de vários outros filmes...

Fernando disse...

Bela ideia sua sobre o post... Um filme para se tornar um clássico precisa quebrar paradigmas e ao mesmo tempo conseguir aprovação do público e da crítica. Acredito que James Cameron está a um passo de entrar no seleto clube dos clássicos.

axolbru disse...

Um filme que pra mim sera eterno ( eu mesmo assisti 9 ou 10 vzs) é Amadeus Mozart. nao é o tipo de filme que gosto, é trama e gosto de terror, pra qum nao viu, vejam, nao vao se arrepender. este fora vencedor de 8 oscars
bruno wolff
asas negras
http://brunocontosdeterror.blogspot.com/

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