domingo, 14 de fevereiro de 2010

Cinema e a arte da manipulação política


Muita gente quando pensa em ir ao cinema vai com o objetivo de se divertir, se emocionar e “esquecer do mundo” por um certo período. Porém, muitas vezes não percebemos que um filme pode ter muito mais do que isso. O cinema pode impor conceitos e influenciar pessoas. Pode ser usado como uma gnrande crítica dos costumes da sociedade, dos sistemas políticos,fazer com que acreditemos que alguma ideologia é a mais correta ou colocar algum lado como vitorioso ou correto. A Segunda Guerra Mundial é o exemplo mais claro. Com o cenário da Guerra Fria, o orgulho e patriotismo americano foram restaurados com filmes de guerra que escondiam parte da verdade e destacava os feitos heróicos dos americanos como em O Resgate do Soldado Ryan e Pearl Harbor. Ou ainda criando heróis ao contar uma parte da história que nem sempre retrata exatamente o que aconteceu, como em 300 e Cruzada. Não discuto a qualidade desses filmes. O fato é que não nos damos conta de que aceitamos facilmente uma idéia que pode ser retratada na tela de modo pouco verossímil. 



Há muito tempo, grades diretores perceberam que podem usar o cinema a seu favor, tanto para defender uma determinada posição quanto para criticar alguma idéia. Griffith foi acusado de racismo com O Nascimento de Uma Nação, em que se mostrava a favor dos sulistas americanos em meio à guerra civil. O cinema foi o grande instrumento de propaganda do governo nazista e americano na Segunda Guerra Mundial. Sergei Eisenstein, cineasta russo, defendeu a revolução comunista com O Encouraçado Potenkim e Ivan, O Terrível. Charlie Chaplin, em um dos exemplos mais memoráveis, criticou a Revolução Industrial em Tempos Modernos e o nazismo em O Grande Ditador e fez grandes discursos pacifistas em plena Segunda Guerra Mundial.

                                                  
                          
A idéia de liberdade e felicidade no capitalismo nos filmes americanos estava em alta durante a Guerra Fria. As poderosas comédias e musicais encantavam sobretudo a burguesia desde os tempos da Grande Depressão da década de 20. Fred Astaire e Ginger Rogers e até Chaplin foram os grandes astros. Os grandes filmes de faroeste também se encaixam aí. Os grandes cowboys que lutavam contra os selvagens índios do Velho Oeste e salvavam a indefesa donzela fizeram a alegria do público e se popularizaram principalmente com o diretor John Ford e o ator John Wayne nas décadas de 50 e 60. Exemplos mais sutis como o simples ato de comprar um produto ou fortalecer uma marca também serve como propaganda. Até mesmo a enorme popularização do cinema americano pode ser visto como uma forma de dominação de ideologias sobre os outros países. 

          Fred Astaire e Ginger Rogers                                                                          John Wayne

                    Filme de Michael Moore que retrata o sistema político símbolo dos Estados Unidos

O cinema, assim como nos outros diversos meios de comunicação, pode ser usado como um grande meio de manipulação, seja para criticar ou defender uma posição, impor uma ideologia, desviar o foco da realidade ou chamar sua atenção. Podemos gostar disso ou não. Mas é essa capacidade de se adaptar a qualquer situação e provocar os mais diversos tipos de sensações nas pessoas que torna o cinema tão especial e tão admirável em todos os cantos do mundo. 

E você o que acha disso tudo? Já tinha se dado conta desse poder que o cinema tem? Comente!

8 comentários:

:: Poemas do JeanLost :: disse...

Nunca parei pra pensar nisso O.o

Alexandre Terra disse...

realmente o cinema tem um papel muito maior do que simplesmente entreter.......mt bom esse seu post! abraços

http://alexandreterra.blogspot.com/

Pedro disse...

Eu tbm não!!

Mas agora pensei!!

=)

léo disse...

é mais os diretores fazem oq querem mesmo e lançam modinha
nao viu do crepusculo?rs

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Um pequeno mundo - (Novo site de tirinhas)
Job, Lob e sua turma espera sua visita!
www.umpequenomundo.com/
Twitter: @umpequenomundo
abraços!

Soraia Alves disse...

Scarface tem uma visão extremamente americana sobre Fidel Castro, comunismo, Revolução Cubana e o papel dos latinos no país do Tio Sam.


Seu texto está hiper completo e interessante, parabéns!

Francisco Amado disse...

aqui também tem filme
http://adriloaz.blogspot.com/

Alyson Xyzyx disse...

A Arte tende a ser manipuladora, definir grupos e etc. E claro que isso da um ponto a mais para a mesma. Acabamos de ter um exemplo recente com o filme do Lula, embora a qualidade daquele seja discutível.

E só hoje que fui ler sua postagem no meu blog, desculpe a demora. Ja estão linkados.

Abraços!

Artur Fox disse...

Nos últimos tempos estou sendo mais critico enquanto ao q os filmes querem mostram ou propor...Principalmente os da segunda guerra mundial.

Não é dificil de perceber a diferença q existe entre os filmes da segunda guerra feitos por Hollywood e feitos pela Europa. Os filmes Europeus são mais honestos, objetivos...Sem exaltar um heroísmo exacerbado q os inques gostam de mostrar...Não há ideias de patriotismo mas apenas o relato do caos, da discórdia, da guerra em si...

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