quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Videoteca Básica - Ensaio sobre a cegueira


             Após O Jardineiro Fiel e Cidade de Deus, Fernando Meirelles mais uma vez produz um ótimo filme, agora baseado na obra homônima do escritor português José Saramago. Na trama, um estranho tipo de cegueira branca vai afetando a população aos poucos. Os primeiros afetados são enviados para um local abandonado e tem que conviver com pessoas absolutamente desconhecidas. Entre elas, apenas uma mulher consegue enxergar.




            Toda essa hipotética situação serve como metáfora de toda a sociedade onde vivemos. Primeiro pela exclusão dos contaminados pela cegueira que é supostamente contagiosa, o que na verdade reflete a exclusão de milhares de pessoas consideradas nocivas por serem diferentes do que esperamos. A relação de poder que cada grupo estabelece no local abandonado também indica a inveja, a ganância e o egoísmo do ser humano que ao invés de se ajudar em uma situação difícil apenas tenta se prevalecer sobre o outro. O grupo não é capaz de socorrer um ao outro, mas sim de se importar apenas com si mesmo ou com aqueles mais próximos.




             O filme se passa em um local desconhecido e nenhum dos personagens tem nome definido, o que garante uma impessoalidade a eles. Acompanhamos a história da única mulher que pode ver (Juliane Moore) e as pessoas próximas a elas. Todos têm atuações destacadas e revelam todo o sofrimento daquele lugar. Outros elementos de grande importância é o cenário, que reflete a degradação da vida das pessoas com o passar do tempo, e principalmente a fotografia. A luz branca está presente em todo o filme e representa tanto a cegueira que os afeta quanto a própria cegueira do homem em situações de necessidade. É o elemento que dá grande personalidade ao filme. Ensaio sobre a Cegueira traz uma crítica e nos faz refletir sobre nossos atos e sobre a nossa existência de maneira magistral. Indicadíssimo.



16 comentários:

Red Dust disse...

A parte inicial não entusiasma muito, mas à medida que a história se vai desenrolando vai ganhando um outro interesse. Em todo o caso não fica para a história como o melhor filme de Meirelles.

7/10.

Já coloquei o teu link no meu blogroll. Espero que possamos trocar comentários.

Abraço.

Gustavo H.R. disse...

Meirelles foi feliz em codificar os temas onipresentes na história, apresentando-os por meio dessas soluções audiovisuais fora do comum. É um filme ambicioso e bem conseguido.

Também apreciei seus textos. Vou linká-lo!

Maíra Oliveira disse...

Muito interessante, adorei!

Os Confundidos disse...

um filme simplesmente fantástico!!!

Maci '♥' disse...

li o livro e gostei bastante, então eu acho que eu vou gostar do filme também! ;)
tomara que ele chegue rápido na minha cidade!

Camila. disse...

O Fernando Meirelles é tudo.
Tenho loucura pelo filme "o jardineiro fiel",
ainda não tive oportunidade de ver ensaio sobre a cegueira apesar de ter sido tão falado!
Depois vou tirar um tempinho pra ver porque realmente deve ser maravilhoso!
;*

Mateus, O Indolente disse...

Se fosse para definir esse filme em uma única palavra, eu usaria "INTENSO".

Abraço.
Cinema para Desocupados

Nekas disse...

Boas,

Uma parceria de que modo?

Abraço
http://nekascw.blogspot.com/

Fernando disse...

Esperava por este filme que fui ver na pré-estreia. Apesar de um bom resultado, achei que ficou faltando alguma coisa... talvez eu devesse mexer menos na edição final do filme. Quem leu o livro antes, deve concordar comigo!!!

Tb curti seu blog e já adicionei nos Blogs Amigos!!!

Abs

Fernando disse...

Desculpe, o comentário tem alguns erros... segue o correto. Se puder apagar o anterior...

Esperava tanto por este filme que fui ver na pré-estreia. Apesar de um bom resultado, achei que ficou faltando alguma coisa... talvez ele devesse mexer menos na edição final do filme. Quem leu o livro antes, deve concordar comigo!!!

Tb curti seu blog e já adicionei nos Blogs Sobre Cinema!!!

Abs

LuEs disse...

Acredito que tudo nesse filme seja funcional - direção, atuação, adaptação do roteiro, fotografia. Destaque especial para as ótimas cenas que mostram a degradação dessas pessoas e mostram que o homem decerto não pode se tornar igualitário. Sempre há uma hieraquia e a opressão é a melhor maneira de dominar o "mais fraco".

Achei injusto a Academia não ter nomeado Julianne Moore por seu papel. Como você mesmo disse, todos têm destaque no filme, o que é um grande acerto.

O final do filme não é exatamente como no final do livro, mas penso que o trabalho realizado tenha sido bom. Gostei mesmo.

Obrigado pelo seu comentário no nosso blog.
;D

Jackie Brown disse...

Parabéns pelo blogue, convido-te a visitar o meu!:D

Cumps.

www.cinemajb.blogspot.com

CineComPipoca disse...

Claro que podemos fazer uma parceria. Coloque o link de meu blog em seus links, e me avise, para eu, na hora, poder colocar o seu no meu blog. =)

Qualquer coisa, me manda um e-mail para snk10pg@hotmail.com :)

Hugo disse...

Até o momento a carreira de Fernando Meirelles é a melhor possível.

Ainda estou atrasado, não assisti este filme, mas está na minha lista.

Abraço

Myrianna disse...

Muito legal o teu blog tb. Sou do Telacast e gostaríamos sim de uma parceria.

bjs

Myrianna

Cleber Eldridge disse...

Gosto muito do Meirelles que vai cada vez mais se firmando no cinema mundial.

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